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Honest Ahanor: por que a Itália quer tanto contar com a jovem estrela defensiva da Atalanta em sua seleção?

Ahanor não fez nada disso, mas levantou os braços na direção de Perrone, o que acabou resultando em um cartão vermelho direto para o garoto. Como destacou posteriormente o técnico da Atalanta, Raffaele Palladino, Ahanor nunca deveria ter colocado os árbitros na posição de ter que tomar uma decisão.

“Conversei com ele e, embora o que eu tenha dito fique entre nós, ele sabia exatamente o que tinha feito”, afirmou Palladino ao DAZN. “Precisamos aceitar esse tipo de situação, porque ela o ajuda a crescer. Ele tem 17 anos e cometeu um erro. Mas, para mim, continua sendo um futuro campeão.”

Poucos que acompanharam a rápida ascensão de Ahanor ao time titular da Atalanta, logo após sua chegada do Genoa, discordariam dessa avaliação. De fato, o versátil zagueiro é visto há algum tempo como uma estrela em potencial, e o desejo de vê-lo vestir a camisa da seleção italiana é tão grande que chegou até a provocar um debate sobre os critérios de cidadania do país.

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  • Onde tudo começou

    Ahanor nasceu em Aversa, na Itália, mas, como seus pais são ambos nigerianos, ele só poderá obter a cidadania italiana plena ao completar 18 anos, em 23 de fevereiro. Trata-se de uma lei controversa que, até agora, o impediu de representar o país onde passou toda a sua vida. Felizmente, a impossibilidade de atuar por seleções de base não freou seu desenvolvimento.

    Depois de se mudar para Gênova com a família ainda com apenas um ano de idade, Ahanor deu os primeiros passos rumo ao futebol profissional no Progetto Atletico, uma iniciativa local, antes de ser contratado pelo Genoa quando tinha apenas cinco anos.

    Não demorou para que, no Luigi Ferraris, ele passasse a ser visto como o jogador mais promissor revelado pelo clube desde Pietro Pellegri, que estreou na Serie A aos 15 anos. O talento precoce de Ahanor, aliás, nunca esteve em dúvida. Na temporada 2023/24, por exemplo, ele atuou pelas equipes sub-17, sub-18 e sub-19 do Genoa, sendo peça importante na conquista do título italiano sub-18.

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  • Genoa v Juventus - Serie AGetty Images Sport

    A grande chance

    Como ex-treinador da base, Alberto Gilardino conhecia bem o talento de Ahanor, e o ex-atacante da seleção italiana incluiu o jovem no elenco principal logo no início da temporada 2024/25. Assim, embora a estreia de Ahanor na sexta rodada do campeonato não tenha sido exatamente uma surpresa, ela teve caráter histórico: escalado na ala esquerda contra a Juventus, ele se tornou o primeiro jogador nascido em 2008 a atuar na Serie A.

    “Quando o treinador me entregou o colete no último treino, senti uma mistura enorme de emoções”, contou Ahanor. “Mas consegui me acalmar graças ao apoio do restante do time. Em campo, procurei me concentrar em me divertir e em ajudar a equipe. Ainda assim, foi uma sensação única vestir a camisa do clube que represento desde criança. São emoções intensas, que jamais esquecerei, e serei sempre grato ao senhor Gilardino por me dar a oportunidade de jogar pelo Genoa.”

    Ahanor fez sua segunda aparição na Serie A saindo do banco no segundo tempo contra o Parma, em 4 de novembro de 2024, mas algumas semanas depois sofreu uma grave lesão no joelho, que o afastou dos gramados por cinco meses.

    “Foram meses muito longos”, admitiu posteriormente. “As emoções são sempre muitas, e nem sempre fáceis de decifrar. Em alguns momentos, eu não conseguia enxergar muito adiante. Mas, no fim, o que realmente importa é a forma como você reage nas dificuldades. Vivi cada jogo como um torcedor na arquibancada, com vontade e amor para voltar a fazer o que amo, vestindo a camisa que amo — e, no final, consegui.”

    De fato, após recuperar a forma física em abril de 2025, Ahanor retornou diretamente ao elenco de Gilardino e atuou quatro vezes pela equipe principal antes do fim da temporada.

  • Como está indo?

    Após demonstrar que não havia sido afetado de forma alguma pela grave lesão no joelho, Ahanor passou a ser um dos nomes mais cobiçados do mercado. Milan, Roma, Monaco e, como quase sempre acontece nesses casos, o Chelsea demonstraram interesse em um dos zagueiros mais promissores da nova geração europeia. No fim, porém, Ahanor entendeu — de forma bastante compreensível — que seu desenvolvimento seria melhor atendido por uma transferência para a Atalanta, clube reconhecido pelo aprimoramento e valorização de jovens talentos.

    “Saber que tantos clubes de ponta estavam interessados em mim é motivo de orgulho”, admitiu Ahanor. “Mas não tive dúvidas na hora de escolher a Atalanta.”

    A Dea acertou o pagamento de 16 milhões de euros fixos ao Genoa, com mais 4 milhões em bônus por metas, por um jogador que havia feito apenas seis partidas no futebol profissional. Ainda assim, o CEO da Atalanta, Luca Percassi, não tinha qualquer dúvida de que o renomado departamento de recrutamento do clube de Bérgamo havia realizado mais uma contratação extremamente acertada.

    “É um jogador que conhecemos há muitos anos e que acompanhamos de perto há bastante tempo, tendo inclusive enfrentado nossas equipes de base contra ele”, explicou Percassi. “Sempre foi um atleta que se destacou pelas grandes qualidades em campo e, ao conhecê-lo melhor, ficamos positivamente surpresos com a maturidade que demonstra, superior à idade que tem, inclusive fora das quatro linhas.”

    O então treinador Ivan Juric também ficou impressionado com Ahanor e, quando Isak Hien foi obrigado a deixar o campo lesionado aos 27 minutos da partida da Atalanta contra o Torino pela Serie A, em 21 de setembro, recorreu ao jovem de 17 anos. Ahanor teve uma atuação excelente na vitória por 3 a 0 e, curiosamente, fez sua primeira partida como titular pelo novo clube justamente contra a Juventus, no fim de semana seguinte.

    Três dias depois, viveu seu primeiro contato com a Champions League ao entrar nos minutos finais da derrota da Atalanta para o Paris Saint-Germain, no Parc des Princes. Em seguida, atuou durante os 90 minutos na vitória sobre o Club Brugge, pela segunda rodada, na New Balance Arena.

    Desde então, Ahanor passou a atuar com regularidade, e uma nova lesão — desta vez de Sead Kolasinac, em 3 de janeiro — abriu espaço para que ele se firmasse como titular na equipe do sucessor de Juric, Raffaele Palladino, antes do cartão vermelho recebido no último sábado, em Como.

  • FBL-EUR-C1-ATALANTA-BRUGGEAFP

    Principais pontos fortes

    É obviamente raro que um jovem de 17 anos consiga suportar, física e mentalmente, as exigências do futebol de alto nível, mas Ahanor já se mostra um atleta extraordinário: tão forte quanto veloz, além de possuir um QI futebolístico incomumente elevado para a sua idade, o que lhe permite ler o jogo com impressionante clareza.

    No entanto, o que realmente mais chama a atenção é sua qualidade técnica. Trata-se de um jovem de porte físico imponente, extremamente confortável com a bola nos pés, capaz de atuar não apenas como zagueiro ou lateral esquerdo, mas também como ponta.

    Ao longo de toda a sua trajetória nas categorias de base, ele também demonstrou faro de gol e já marcou seu primeiro tento pelo Atalanta justamente na vitória sobre o ex-clube, o Genoa, pela Copa da Itália. Ainda assim, o que Palladino mais valoriza em Ahanor é sua “atitude, sua ousadia e a disposição de entregar 110% para aproveitar ao máximo cada oportunidade que surgir”.

  • Pisa SC v Atalanta BC - Serie AGetty Images Sport

    Margem para melhora

    A menos que ainda passe por um novo crescimento acelerado — algo que não pode ser descartado, considerando sua idade — Ahanor dificilmente será um zagueiro de grande estatura, caso essa venha a ser a posição em que atuará com mais frequência.

    Assim, com seus 1,80 m de altura, ele precisará evoluir no jogo aéreo, especialmente no aprimoramento do tempo de impulsão e da técnica de salto. Evidentemente, isso é plenamente possível. Fabio Cannavaro, por exemplo, tinha apenas 1,76 m e ainda assim se destacava nas disputas pelo alto, enquanto o inglês Marc Guéhi, que mede a mesma altura de Ahanor, acaba de ser contratado pelo Manchester City. Caso venha a se firmar como lateral ou ala, também será necessário desenvolver ainda mais suas valências ofensivas, em especial a qualidade dos cruzamentos.

    Por ora, porém, seu principal desafio talvez seja aprender a escolher os momentos certos para avançar ao meio-campo e aqueles em que deve permanecer mais recuado, já que sua maior virtude — a ousadia — também pode se transformar em fraqueza se expuser a linha defensiva ao subir em situações inadequadas.

  • Real Madrid CF v Rayo Vallecano de Madrid - LaLiga EA SportsGetty Images Sport

    O próximo... David Alaba?

    As comparações com Destiny Udogie são naturais, já que Ahanor, assim como o lateral do Tottenham, é rápido, forte, tecnicamente refinado e de origem nigeriana. Ainda assim, Udogie tem um perfil bem mais ofensivo e nunca chegou a ser utilizado como zagueiro.

    Nesse aspecto, Ahanor se assemelha mais a David Alaba, por demonstrar a mesma naturalidade atuando no centro da defesa ou na lateral esquerda. Evidentemente, ele ainda tem um longo caminho a percorrer antes de poder ser colocado no mesmo patamar do austríaco, mas algumas semelhanças são claras. É difícil não lembrar de Alaba ao ver o garoto alternar com tanta facilidade entre a zaga e a lateral esquerda — exatamente como fazia o seu grande ídolo, Paolo Maldini.

  • SSC Napoli v Atalanta BC - Serie AGetty Images Sport

    O que vem por aí?

    Neste momento, o principal objetivo de Ahanor é reconquistar seu lugar na equipe titular de Raffaele Palladino, após cumprir a suspensão decorrente da expulsão no estádio Sinigaglia. Paralelamente, dentro de poucas semanas, ao completar 18 anos, ele finalmente terá direito à cidadania italiana e, embora os trâmites burocráticos no país sejam notoriamente lentos, existe uma pequena possibilidade de que seja convocado pela Azzurra para a repescagem das Eliminatórias da Copa do Mundo do próximo mês, contra a Irlanda do Norte.

    É claro que é altamente improvável que o técnico Gennaro Gattuso dê a Ahanor sua estreia em um jogo de tamanha importância, mas acredita-se que a Federação Italiana esteja disposta, ao menos, a integrá-lo ao grupo como parte de um esforço para convencê-lo a se comprometer com o país onde nasceu, em vez de optar por defender a terra natal de seus pais, a Nigéria.

    O que acontecerá a partir daí ainda é incerto, mas uma coisa é clara: Palladino está longe de ser a única pessoa convencida de que Ahanor tem tudo para se tornar um futuro campeão.

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