Quando Brasil e Marrocos se enfrentaram na Copa do Mundo de 1998, na França, as duas seleções ocupavam patamares muito diferentes no cenário internacional, com a seleção brasileira ainda tetracampeã, enquanto os marroquinos eram desconhecidos no cenário internacional.
Quase três décadas depois, o contexto mudou consideravelmente e boa parte dessa transformação passa por um projeto de longo prazo iniciado pela Federação Marroquina de Futebol na década passada.
O principal símbolo desse investimento é o Complexo Mohammed VI, inaugurado em 2019 e considerado um dos centros esportivos mais modernos do mundo. O projeto consumiu cerca de 75 milhões de euros e transformou completamente a estrutura do futebol no país.
Localizado próximo à capital Rabat, o complexo reúne 11 campos de treinamento, centro de medicina esportiva, hospital, museu, hotéis, áreas de recuperação física e até um departamento especializado em monitorar atletas de origem marroquina espalhados pelo mundo. Foi justamente esse trabalho de observação internacional que ajudou o país a convencer jogadores como Hakimi e Brahim Díaz a defenderem a camisa marroquina.
Além da infraestrutura esportiva, o complexo também foi desenvolvido com foco em sustentabilidade, utilizando reaproveitamento de água da chuva, energia limpa e veículos elétricos em toda sua operação.
Os resultados começaram a aparecer rapidamente. Nos últimos anos, o Marrocos conquistou títulos continentais, subiu no ranking da FIFA, chegou às semifinais da Copa do Mundo de 2022, conquistou medalha olímpica em Paris e se consolidou como uma das seleções mais respeitadas fora do eixo tradicional do futebol mundial.
O crescimento também ajudou o país a garantir espaço como uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, reforçando a dimensão do projeto iniciado há poucos anos.
Agora, a geração liderada por Hakimi, Bono e Brahim Díaz busca dar mais um passo. E o primeiro desafio será justamente contra o Brasil, comandado por Carlo Ancelotti. Para a seleção, a estreia representa o início da caminhada rumo ao hexa. Para o Marrocos, a oportunidade de provar mais uma vez que já pertence à elite do futebol mundial.