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Hakimi, Brahim Diaz e mais: os craques do Marrocos que podem complicar a vida do Brasil na estreia

O Brasil inicia sua caminhada na Copa do Mundo neste sábado (13), diante de um adversário que já não pode mais ser tratado como surpresa. Quarto colocado no Mundial do Qatar, em 2022, o Marrocos chega à América do Norte consolidado entre as principais seleções do planeta e disposto a confirmar que seu crescimento não foi obra do acaso.

O duelo acontece no MetLife Stadium, em Nova Jersey, às 19h (de Brasília), e reúne duas equipes que figuram entre as dez melhores do ranking da FIFA. Os marroquinos ocupam atualmente a oitava colocação, enquanto a seleção brasileira aparece logo atrás, em décimo.

A geração que encantou o mundo há quatro anos permanece como base da equipe, mas ganhou ainda mais profundidade com novos talentos espalhados pelas principais ligas da Europa.

  • Morocco v Norway - International FriendlyGetty Images Sport

    Paredão no gol

    Poucos jogadores simbolizam tanto a ascensão recente do Marrocos quanto Yassine Bounou. Conhecido mundialmente como Bono, o goleiro foi um dos grandes personagens da Copa de 2022 e segue como referência técnica e emocional da seleção africana.

    Desde então, deixou o futebol espanhol para defender o Al Hilal, da Arábia Saudita, onde chegou a dividir vestiário com Neymar. A mudança não reduziu seu protagonismo. Pelo contrário: Bono continuou acumulando atuações decisivas tanto pelo clube quanto pela seleção.

    Sua capacidade em jogos grandes ficou evidente novamente no Mundial de Clubes do ano passado. Diante do Real Madrid, protagonizou uma atuação memorável e foi fundamental para que o Al Hilal arrancasse um empate por 1 a 1 contra os espanhóis.

    No Qatar, foi decisivo na campanha histórica do Marrocos. Defendeu cobranças de pênalti contra a Espanha nas oitavas de final e ajudou a seleção a construir a melhor campanha africana da história das Copas, eliminando também Portugal antes da queda diante da França nas semifinais.

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    Astro na defesa e craque geracional no meio

    Se Bono é a segurança no gol, Achraf Hakimi é a grande estrela do time. Aos 27 anos, o lateral-direito chega à Copa vivendo um dos melhores momentos da carreira. Bicampeão da Champions League com o Paris Saint-Germain, tornou-se um dos melhores jogadores do mundo em sua posição e um dos principais líderes da seleção marroquina.

    Seu currículo impressiona. Revelado pelo Real Madrid, passou por Borussia Dortmund, Inter de Milão e PSG, acumulando títulos e protagonismo em todos os clubes por onde passou. Sua velocidade, capacidade ofensiva e experiência fazem dele uma das maiores ameaças para a defesa brasileira.

    Mais à frente, o principal nome criativo da equipe é Brahim Díaz. Nascido na Espanha, mas filho de marroquinos, o meia do Real Madrid optou por defender a seleção africana em 2024, decisão celebrada como uma vitória estratégica da federação marroquina. Desde então, tornou-se uma das referências técnicas da equipe.

    Aos 26 anos, Brahim chega ao seu primeiro Mundial após consolidar-se novamente no Real Madrid. Depois de três temporadas de destaque no Milan, retornou ao clube espanhol e elevou ainda mais seu nível de desempenho.

    Apesar de ter vivido um momento delicado ao desperdiçar uma cobrança de pênalti na controversa final da Copa Africana de Nações contra Senegal, segue sendo visto como o principal organizador ofensivo da seleção.

  • Bouaddi e SaibariGetty/GOAL

    Destaque da Holanda e Joia da França

    Desembarcando na Copa em alta, Ismael Saibari foi o destaque do PSV na última temporada. O meia-atacante vive o melhor momento da carreira e aparece como um dos nomes mais valorizados da próxima janela de transferências. Segundo veículos europeus, o Bayern de Munique monitora de perto sua situação e está perto de investir R$ 350 milhões para tirá-lo da Holanda.

    Versátil, Saibari pode atuar em diferentes posições do ataque e oferece ao técnico Mohamed Ouahbi uma alternativa capaz de acelerar o jogo e desequilibrar individualmente.

    Dividindo o meio-campo, Ayyoub Bouaddi é um dos nomes que representam o futuro do futebol marroquino, e poucos chamam tanta atenção quanto ele. Considerado uma das maiores promessas da Europa, o meio-campista do Lille escolheu representar o Marrocos apenas neste ano, encerrando uma disputa que envolvia também a seleção francesa.

    A decisão foi vista como uma vitória importante para o projeto esportivo do país. Aos 18 anos, Bouaddi já acumula experiência em alto nível e ganhou notoriedade internacional após grandes atuações na Champions League, especialmente diante do Real Madrid.

  • Morocco v Norway - International FriendlyGetty Images Sport

    Investimento gerando talentos

    Quando Brasil e Marrocos se enfrentaram na Copa do Mundo de 1998, na França, as duas seleções ocupavam patamares muito diferentes no cenário internacional, com a seleção brasileira ainda tetracampeã, enquanto os marroquinos eram desconhecidos no cenário internacional.

    Quase três décadas depois, o contexto mudou consideravelmente e boa parte dessa transformação passa por um projeto de longo prazo iniciado pela Federação Marroquina de Futebol na década passada.

    O principal símbolo desse investimento é o Complexo Mohammed VI, inaugurado em 2019 e considerado um dos centros esportivos mais modernos do mundo. O projeto consumiu cerca de 75 milhões de euros e transformou completamente a estrutura do futebol no país.

    Localizado próximo à capital Rabat, o complexo reúne 11 campos de treinamento, centro de medicina esportiva, hospital, museu, hotéis, áreas de recuperação física e até um departamento especializado em monitorar atletas de origem marroquina espalhados pelo mundo. Foi justamente esse trabalho de observação internacional que ajudou o país a convencer jogadores como Hakimi e Brahim Díaz a defenderem a camisa marroquina.

    Além da infraestrutura esportiva, o complexo também foi desenvolvido com foco em sustentabilidade, utilizando reaproveitamento de água da chuva, energia limpa e veículos elétricos em toda sua operação.

    Os resultados começaram a aparecer rapidamente. Nos últimos anos, o Marrocos conquistou títulos continentais, subiu no ranking da FIFA, chegou às semifinais da Copa do Mundo de 2022, conquistou medalha olímpica em Paris e se consolidou como uma das seleções mais respeitadas fora do eixo tradicional do futebol mundial.

    O crescimento também ajudou o país a garantir espaço como uma das sedes da Copa do Mundo de 2030, reforçando a dimensão do projeto iniciado há poucos anos.

    Agora, a geração liderada por Hakimi, Bono e Brahim Díaz busca dar mais um passo. E o primeiro desafio será justamente contra o Brasil, comandado por Carlo Ancelotti. Para a seleção, a estreia representa o início da caminhada rumo ao hexa. Para o Marrocos, a oportunidade de provar mais uma vez que já pertence à elite do futebol mundial.