Mbappé, Vinícius e Bellingham são jogadores extremamente talentosos, a ponto de não se poder questionar suas capacidades, mas o problema com eles reside no grau de entrosamento entre si e na condição de "intocáveis" que parecem ter adquirido dentro do clube.
Diante do Betis, o Real Madrid criou diversas chances. Mbappé, que em alguns momentos parece ter uma facilidade impressionante de chegar ao gol, é também o jogador que mais desperdiça oportunidades claras em toda a competição, e quando não está em seu dia, a equipe, que depende muito de seus gols, paga um preço alto.
Já Vinícius também está longe da versão que fazia de sua atuação um fator decisivo. Ele ainda tem as qualidades que lhe permitem mudar o resultado de uma partida com um único lance, mas há muito tempo deixa a impressão de que participa menos do que deveria e de que sua influência ficou bem menor. Além disso, a renovação de seu último contrato lhe garante uma posição hierárquica dentro da equipe que não se reflete dentro de campo.
Quanto a Bellingham, o inglês foi um dos jogadores mais importantes da equipe e um dos que mais brilharam em termos de nível no período recente, mas diante do Betis voltou a mostrar que lhe falta certa regularidade em seus rendimentos.
Ele aparentava cansaço e, sem conseguir encontrar zonas adequadas para finalizar, sua atuação perde muito de seu valor.
Os três jogadores impõem limitações à equipe e ao técnico José Mourinho mais do que deveriam. A prova disso está na decisão de Mourinho de substituir Arda Güler diante do Betis.
É evidente que o turco, que vinha tendo uma atuação melhor, estava com um cartão amarelo, mas a pergunta é: o técnico português teria tomado a mesma decisão se o cartão estivesse com um dos outros três atacantes? Güler estava rendendo muito mais do que alguns dos astros, mas era a substituição mais fácil para manter a calma no vestiário.
O Real Madrid perdeu apenas uma partida, e ainda é cedo para falar em drama, mas os holofotes voltam a se concentrar nos dois grandes problemas que a equipe enfrenta há anos: o volante organizador e o grau de entrosamento de seus três astros.
Tudo isso sem que Diomande, que parece confuso toda vez que entra em campo, consiga uma chance real de participar.
A derrota diante do Betis traz de volta ao primeiro plano as dúvidas do passado, dúvidas que Mourinho precisa resolver se quiser mudar o rumo em que essa equipe vem seguindo há várias temporadas.