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Roberto De Zerbi Tottenham GFXGetty/GOAL

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Gastos exorbitantes e início catastrófico: o sonho de De Zerbi vai virar pesadelo?

Nem os mais pessimistas dentro do Tottenham esperavam que o novo recomeço da equipe se transformasse em tamanha incerteza. Após um verão excepcional, no qual o clube gastou cerca de 332 milhões de libras esterlinas para contratar 10 novos jogadores, era natural que as expectativas subissem e que os torcedores aguardassem uma equipe diferente, capaz de competir e de voltar aos holofotes.

Mas a realidade, até agora, segue em uma direção completamente oposta. Passaram-se três partidas na Premier League, e o Tottenham não conquistou nenhuma vitória. Pior ainda: não marcou nenhum gol até o momento, de acordo com informações da rede "Sky Sports".

Depois de duas derrotas para Brentford e Newcastle, veio o empate sem gols contra o Nottingham Forest, que rendeu à equipe o primeiro ponto na temporada, mas ao mesmo tempo revelou um problema ainda mais grave: o time não conseguiu concluir nenhuma vez ao gol, algo que não acontecia em uma partida do campeonato havia mais de quatro anos.

Assim, o técnico italiano Roberto De Zerbi se viu diante de uma equação difícil: um time praticamente novo, um gasto enorme, ambições europeias, mas um início ofensivo que é quase o pior entre as equipes do campeonato.

E, com a aproximação do confronto contra o Everton, as perguntas se multiplicam: é preciso realmente se preocupar? Ou julgar o projeto de De Zerbi após apenas três partidas seria precipitado?

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  • Tottenham Hotspur v Newcastle United - Premier League 2026/27Getty Images Sport

    332 milhões de libras esterlinas elevam o teto das expectativas

    O início irregular do Tottenham não pode ser dissociado do volume de mudanças que o time viveu durante a janela de transferências. O clube não se limitou a acrescentar um ou dois jogadores a um grupo estável, mas remodelou setores inteiros da equipe, depois da chegada de 10 novos jogadores a Londres em troca de investimentos vultosos. Por isso, exigir do time um entrosamento imediato parece, do ponto de vista técnico, algo irreal.

    Mas, ao mesmo tempo, o volume de gastos torna a torcida mais impaciente. Quando se gasta mais de 300 milhões de libras esterlinas, o objetivo não pode ser apenas ficar longe das zonas de perigo. A expectativa natural é voltar a brigar pelas vagas europeias e, talvez, recuperar um lugar na Liga dos Campeões da Europa, se as coisas caminharem como se espera.

    Por isso, o início atual não condiz de forma alguma com a dimensão do projeto que o Tottenham lançou. Pode ser fácil enxergar os números atuais como um simples mau começo passível de ser superado, mas o desempenho do Tottenham revela problemas mais profundos do que apenas azar diante do gol.

    O time perdeu para o Brentford, depois caiu diante do Newcastle, antes de se contentar com o empate contra o Nottingham Forest. E, enquanto o resultado contra o Newcastle pode ser explicado como uma partida que poderia ter ido para qualquer lado, a derrota para o Brentford foi mais evidente, depois de o Tottenham ter se apresentado de forma fraca e de o adversário ter merecido a vitória. Já diante do Forest, o maior problema ficou claro: não há eficácia ofensiva suficiente.

    E, embora o Tottenham não ocupe a última colocação em número de finalizações, ele aparece no fundo do campeonato em valor esperado por finalização, o que significa que o problema não está apenas na quantidade de tentativas, mas na qualidade das chances que o time cria.

    O quadro fica ainda mais sombrio quando olhamos para a taxa de gols esperados: o Tottenham ocupa a terceira posição de baixo para cima no total de gols esperados, e em nenhuma partida sob o comando de De Zerbi chegou à média de gols esperados por jogo na Premier League, que é de cerca de 1,41 gol.

    Em outras palavras, a crise não é apenas que a bola se recusa a entrar nas redes, mas que o time nem sequer cria chances de perigo em quantidade suficiente.

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  • Nottingham Forest FC v Tottenham Hotspur - Premier League 2026/27Getty Images Sport

    Tottenham se reconstrói do zero

    Uma das principais causas da atual crise está ligada à instabilidade das opções ofensivas. De Zerbi utilizou três formações diferentes no ataque nas três primeiras partidas da liga nesta temporada, e nos dez jogos em que comandou o Tottenham no campeonato usou 10 jogadores diferentes nas três posições ofensivas.

    Essa mudança constante torna mais difícil a construção do entrosamento entre os jogadores, especialmente porque a equipe depende de um grande conjunto de novos elementos.

    Ao mesmo tempo, alguns dos principais elementos criativos do time não estavam totalmente prontos. Lesões ou a falta de condicionamento físico de alguns jogadores, como Mohammed Kudus, Dejan Kulusevski e James Maddison, além de outras circunstâncias ligadas à preparação, privaram De Zerbi de ter um grupo ofensivo estável sobre o qual pudesse construir.

    Consequentemente, o treinador não enfrenta apenas o problema de marcar gols, mas também o de definir a melhor fórmula ofensiva capaz de dar ao time a sua identidade.

    A mudança não se limitou ao ataque. A equipe entrou na temporada com um novo capitão, uma linha defensiva em grande parte nova, um meio-campo diferente e um grupo ofensivo reformulado. Por isso, alguns consideram que o verdadeiro início de temporada do Tottenham deveria ser contado a partir do fim da janela de transferências, e não da primeira rodada.

    Esse argumento dá a De Zerbi mais espaço para trabalhar, pois construir um time com esse grau de mudança leva tempo. Até o novo zagueiro Jan Paul van Hecke chegou em uma grande transferência, apesar de restar apenas um ano em seu contrato, enquanto De Zerbi tomou outras decisões difíceis em relação a alguns elementos do time, no âmbito de seu esforço para montar um grupo compatível com suas ideias.

    Daí que julgar o projeto após apenas três partidas pode ser extremamente severo.

  • FBL-ENG-LCUP-TOTTENHAM-CHARLTONAFP

    Os números preocupam

    Se a crise de entrosamento pode ser explicada pelo volume de mudanças, os números físicos abrem outra porta para a preocupação. Sob o comando de De Zerbi na temporada passada, o Tottenham era uma equipe com alto nível físico, e nenhum adversário o superou em número de metros percorridos, exceto uma única vez ao longo das sete partidas que o treinador dirigiu naquela temporada.

    Mas a situação mudou de forma clara nesta temporada. O Tottenham foi superado fisicamente em todas as três partidas e ocupa atualmente a penúltima posição na liga em distância percorrida, enquanto figura na décima sexta posição em distância de corrida em alta velocidade.

    Isso representa uma queda considerável em comparação com a temporada passada, quando a equipe estava entre os cinco melhores clubes da liga nesse indicador. Portanto, De Zerbi não precisa apenas aprimorar o último toque, mas também elevar o nível do trabalho físico da equipe e resgatar a pressão, a movimentação e a velocidade que deveriam caracterizar seu estilo.

    Apesar do mau início, demitir De Zerbi ou questionar sua capacidade de liderar o projeto parece um passo demasiado precoce. O treinador italiano recebeu grande apoio da diretoria do clube, e o Tottenham lhe concedeu amplos poderes para montar a equipe de acordo com sua visão. Além disso, a temporada passada foi excepcional em termos de dificuldade, e a equipe esteve perto do rebaixamento antes de conseguir evitar a catástrofe.

    Assim, o treinador dispõe de um crédito que lhe permite ganhar tempo. Mas isso não significa que o tempo seja ilimitado. O gasto elevado impõe a De Zerbi a necessidade de começar a mostrar indicadores claros de evolução. Não se exige que o Tottenham se transforme da noite para o dia em um candidato ao título, mas a identidade da equipe deve aparecer, a qualidade das chances deve aumentar e os novos jogadores devem começar a se entrosar.

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  • Nottingham Forest FC v Tottenham Hotspur - Premier League 2026/27Getty Images Sport

    O momento do verdadeiro julgamento

    Talvez ainda seja muito cedo para emitir um julgamento definitivo sobre o Tottenham neste momento. Com esse grande número de mudanças, a equipe pode precisar de vários meses até chegar à escalação e à identidade mais estáveis. Por isso, alguns observadores acreditam que a verdadeira versão do Tottenham talvez não apareça antes de novembro.

    Mas esse prazo não deve se transformar em um álibi para os erros. A equipe é obrigada a alcançar um progresso concreto, especialmente porque a ambição do clube após esse investimento é retornar à competição europeia. Até mesmo uma vaga europeia comum deve representar o mínimo dos objetivos, enquanto a classificação para a Liga dos Campeões da Europa permanece a ambição ideal.

    E o confronto contra o Everton chega em um momento extremamente delicado. A vitória dará ao Tottenham mais do que três pontos; dará confiança, abrirá a porta para um novo começo e talvez alivie a pressão sobre De Zerbi e os novos jogadores. Já a continuidade da esterilidade ofensiva pode transformar o problema de um mero início lento em uma crise de verdade.

    E caso o Everton mantenha sua meta em branco, o Tottenham escreverá um número negativo sem precedentes, tornando-se, pela primeira vez em sua história, o time que falha em marcar durante as quatro primeiras partidas de uma temporada no Campeonato Inglês. E é exatamente aqui que o tom da conversa mudará de "deem tempo à equipe" para "quando deve soar o alarme?".

  • Tottenham Hotspur v Newcastle United - Premier League 2026/27Getty Images Sport

    Não há motivo para pânico, mas também não há como ignorar

    A verdade está no meio. Sim, não é lógico julgar o projeto de De Zerbi depois de apenas três partidas, especialmente depois de a fisionomia da equipe ter mudado de forma quase completa. E sim, as lesões, a falta de preparo e o curto período de entrosamento são fatores relevantes.

    Mas, por outro lado, zero gols após três jogos, somados à baixa qualidade das chances, ao declínio físico e à multiplicidade de formações ofensivas, são todos indicadores que não podem ser ignorados.

    O Tottenham não gastou 332 milhões de libras esterlinas para disputar mais uma temporada no meio da tabela. O clube pagou antecipadamente o preço da reconstrução e agora espera o retorno dentro de campo.

    Por isso, a verdadeira pergunta não é se a torcida do Tottenham deve entrar em pânico após três partidas, e sim: até quando a espera pode continuar antes que a paciência se transforme em uma preocupação real?

    A resposta pode começar diante do Everton, mas só será definida quando a equipe se estabilizar, quando seus jogadores lesionados recuperarem o preparo e quando De Zerbi começar a descobrir a combinação capaz de transformar esse gasto enorme, de um conjunto de nomes novos, em um time capaz de criar gols e vitórias.

    No futebol, o dinheiro pode comprar jogadores, mas não pode comprar entrosamento de imediato. E o Tottenham vive agora a fase mais difícil de seu projeto: transformar 332 milhões de libras esterlinas de um investimento gigantesco em uma equipe que prove dentro de campo que todo esse gasto fez parte de um plano, e não apenas uma tentativa desesperada de escapar do passado.