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Watford FC v Chelsea FC - Premier LeagueGetty Images Sport

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“Fui deixado à minha sorte” – Ex-estrela do Newcastle e da Holanda fala abertamente sobre sua batalha contra o vício em cocaína após o fim da carreira devido a uma lesão no joelho

  • Janmaat fala abertamente sobre o vício em cocaína

    Janmaat teve uma carreira profissional de 15 anos que o levou da Eredivisie à Premier League, jogando por times como Feyenoord, Newcastle e Watford. Ele também foi uma figura importante para a Holanda na Copa do Mundo de 2014, disputando cinco partidas e ajudando a seleção a conquistar o terceiro lugar na disputa contra o Brasil. No entanto, suas dificuldades no final da carreira o incentivaram a se abrir sobre os dias mais sombrios, revelando sua luta contra o vício.

    “Tenho três filhos que também ouvem e leem coisas. Não posso e não quero mencionar todos os detalhes, mas meu vício em cocaína causou muito sofrimento”, compartilhou Janmaat em uma palestra no Pathe Tuschinski, em Amsterdã, refletindo sobre uma luta que permaneceu oculta aos olhos do público até o final de 2023. O jogador da seleção holandesa, com 34 partidas disputadas, viu sua vida sair do controle em Scheveningen, levando-o a uma temporada em uma clínica de reabilitação na África do Sul. A queda começou quando um problema persistente no joelho foi agravado por um acidente médico, encerrando efetivamente sua carreira contra sua vontade. “Eu queria muito, mas uma lesão no joelho atrapalhou tudo. Aquele joelho era enorme. Depois de uma injeção, deu errado: a articulação infeccionou devido à agulha errada. Minha carreira acabou. Não consegui lidar com isso”, explicou.


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  • Watford FC v AFC Bournemouth  - Premier LeagueGetty Images Sport

    A luta pela vida após o futebol

    Após sua aposentadoria, Janmaat tentou permanecer no mundo do futebol assumindo o cargo de gerente técnico do ADO Den Haag. No entanto, a falta de apoio da diretoria só serviu para acelerar seu declínio e o levar ao uso de drogas. “Eu recebia ajuda de todos e de tudo, mas fui deixado à minha própria sorte. Não era nada. De repente, perdi a estrutura que tinha há anos como jogador de futebol. Isso foi difícil. O vício em cocaína foi se instalando gradualmente. Você começa a mentir para as pessoas que ama. Isso é terrível; magoei muitas pessoas”, confessou o ex-jogador do Feyenoord.

    A história de Janmaat está sendo apresentada no documentário “Real Men Don't Cry” (Homens de verdade não choram), que explora os desafios de saúde mental enfrentados por atletas de elite. Ele observou que, embora pudesse lidar com a imensa pressão de jogar uma semifinal da Copa do Mundo contra a Argentina ou atuar em um De Kuip lotado, o vazio da aposentadoria era uma fera diferente. “Eu conseguia lidar com a tensão dos jogos importantes, embora sofresse com isso, você sabe. É um tabu, mas tente lidar com todas essas opiniões. Joguei uma Copa do Mundo, muitos jogos em um Kuip lotado, na Premier League com o Newcastle United e o Watford. Enfrentei os melhores atacantes. É claro que há tensão nessas situações, mas não perdi completamente o equilíbrio”, disse ele.

  • Encontrando um novo caminho em Scheveningen

    Os verdadeiros problemas surgiram quando a rotina diária de treinamento profissional desapareceu. “Os problemas só começaram quando eu parei. Como jogador, tudo é claro: você vai de treino em treino. De jogo em jogo. Quando tudo isso acabou e eu me senti totalmente deslocado como gerente técnico do ADO, as coisas deram errado. E muito errado”, admitiu Janmaat. Hoje, o ex-lateral direito está trabalhando para reconstruir sua vida, administrando sua própria academia, a High Power Gym, em Scheveningen, e se concentrando em sua boa forma física, enquanto se mantém longe de seus demônios do passado.

    Ele revelou que, embora os danos financeiros de seu vício tenham sido limitados, o custo pessoal foi significativo. “Ainda sou oficialmente casado, mas não estamos mais juntos. O relacionamento já não estava indo bem, mas esse vício obviamente não ajudou. Muita coisa foi prejudicada, embora estejamos nos dando bem novamente”, disse ele. Janmaat também esclareceu que seus problemas estavam especificamente relacionados às drogas, e não ao álcool, acrescentando: “Era cocaína, não outra coisa. Nem bebida. Acho que isso pode acontecer com qualquer pessoa. Nunca pensei que poderia me tornar viciado”.


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    Um aviso para a próxima geração

    Ao se manifestar, Janmaat espera que suas experiências sirvam de lição para outros jogadores que possam enfrentar dificuldades depois de deixarem o campo. “A cocaína destrói muita coisa. Minha família e meus amigos estavam ao meu lado, mas eu decepcionei muitas pessoas. Você começa a mentir e distorcer as coisas. Isso é exaustivo, mas acima de tudo muito doloroso. Se era uma ameaça à minha vida? Bem, eu estava muito, muito deprimido. Tive momentos em que as coisas estavam realmente muito ruins para mim, vamos deixar por isso mesmo”, afirmou. Sua honestidade marca uma ruptura significativa com o silêncio tradicional que envolve a vida dos ex-profissionais.

    Apesar de sua recuperação, Janmaat decidiu se afastar do mundo do treinamento de futebol, um caminho que ele pretendia seguir. “Eu tinha tudo como jogador e, na verdade, ainda tenho isso. Mas muita coisa aconteceu nesse meio tempo. Demais. Um vício é realmente uma luta, em que você fica sentado com as mãos no cabelo. Literalmente. Você está em uma luta, isso realmente causa muitos danos. Nessa clínica, você faz terapia e conversas. Desde então, segui outro caminho. Sim, o caminho certo. Felizmente. O mundo do futebol acabou, eu acho. Pelo menos por enquanto”, concluiu.

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