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Filipe Luís levou "bronca" de jogador do Flamengo por falas sobre Vinícius Júnior e racismo

O posicionamento de Filipe Luís sobre o novo episódio de racismo sofrido por Vinicius Jr provocou forte repercussão e colocou o treinador do Flamengo no centro das críticas. As declarações foram dadas após a derrota para o Lanús, na última quinta-feira, em Buenos Aires, e tiveram grande impacto negativo no Brasil, gerando desgaste público e conversas internas no elenco, com Danilo à frente.

Reconhecido por se posicionar sobre temas sociais, Danilo já havia publicado nas redes sociais uma mensagem interpretada como indireta ao treinador. Menos de 24 horas após a coletiva, o zagueiro compartilhou uma declaração antiga afirmando que “as pessoas brancas precisam escutar”. No entanto, além da postagem, houve diálogo direto: os dois conversaram por telefone para esclarecer a situação.

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    Conversa com Danilo e líderes do elenco

    Segundo Filipe Luís, Danilo entrou em contato no dia seguinte à entrevista concedida na Argentina, onde o Flamengo enfrentou o Lanús pela Recopa. O defensor explicou ao treinador a dimensão da repercussão e como suas palavras estavam sendo interpretadas.

    “Nós chegamos de viagem às 9h da manhã, mais ou menos, sem dormir. O trânsito até chegar em casa foi de duas horas. Cheguei, dormi, acordei à tarde e vi tudo que estava acontecendo. Falei com o (Rodrigo) Paiva para escrever uma nota. Obviamente é melhor falar, mas eu não gosto de gravar vídeo em rede social. O Danilo me ligou para explicar a situação. Falei com os jogadores, com os capitães. Expliquei tudo exatamente o que aconteceu. Eu não tenho problema nenhum de explicar”, afirmou o treinador neste domingo, no Maracanã.

    Filipe abriu a coletiva já se posicionando sobre o tema. Declarou apoio a Vini Jr, repudiou o racismo e esclareceu que, ao usar o termo “caso isolado”, pretendia se referir a um “caso específico” dentro daquele contexto.

    “Eu repudio o racismo, eu condeno o ato racista. Racismo é crime. Como eu falei um dia antes, se ele fez isso, que pague. Que pague com força. Falar é fácil. Fazer camiseta ‘não ao racismo’ é fácil. O difícil é punir. Se ele fez, que ele pague”, declarou.

    O treinador também reforçou que sua resposta estava ligada à pergunta feita por um jornalista argentino, que questionava como o Flamengo havia sido recebido nas visitas ao país.

    “Eu quis dizer daquele caso específico dentro do campo. Existem muitos casos? Existem. Na Argentina, no Paraguai, na Espanha, na Inglaterra, no Brasil. Existem casos de racismo no Brasil, de homofobia, de machismo, de corrupção. E isso não quer dizer que eu não ame o meu país ou que eu não possa gostar da Argentina. Eu quis me expressar sobre um caso específico”, completou

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  • Flamengo v Internacional - Brasileirao 2026Getty Images Sport

    Nota oficial após a repercussão

    Diante da repercussão negativa, Filipe Luís divulgou nota oficial no dia seguinte. No comunicado, reconheceu que suas palavras poderiam ter gerado interpretações diferentes e reforçou que jamais teve a intenção de minimizar um ato racista.

    O treinador afirmou que o racismo é crime no Brasil e deve ser tratado com o mesmo rigor em qualquer país. Também reiterou apoio total a Vinicius Jr e classificou como “covarde” a atitude do jogador acusado, caso o ato tenha sido confirmado.

    Filipe ainda destacou que não colocaria em dúvida a palavra da vítima em um episódio dessa gravidade e defendeu punições firmes para qualquer ato de discriminação.

    Veja a nota oficial:

    Após a partida de ontem contra o Lanús, durante a coletiva de imprensa organizada pela Conmebol, minutos após o fim do jogo, fui questionado por um repórter argentino. Ele iniciou seu raciocínio citando mais um caso de racismo sofrido por Vinícius Júnior, quando me perguntou como o Flamengo foi recebido nas últimas vezes em que esteve no país.

    Ao longo da resposta, procurei abordar minhas experiências pessoais na Argentina. Em momento algum tive a intenção de relativizar ou minimizar qualquer atitude racista.

    Reconheço que minha fala, diante da extrema sensibilidade do tema, pode ter aberto margem para interpretações distintas. Por isso, considero fundamental reforçar publicamente minha posição, que sempre foi inegociável: o racismo é crime no Brasil e deveria ser tratado com o mesmo rigor em todos os países. Trata-se de uma conduta inaceitável, que deve ser combatida e punida de maneira firme. O futebol, como espaço de diversidade e integração, não pode tolerar qualquer forma de discriminação.

    Reforço ainda que, antes da partida, em entrevista exclusiva ao detentor de direitos, expus minha visão sobre o episódio, classificando como covarde a atitude do jogador que tapou a boca para praticar atos racistas. Jamais colocaria em dúvida a palavra da vítima em um caso grave como esse.

    Por fim, reitero meu total apoio a Vinícius Júnior em mais um lamentável episódio envolvendo racismo no esporte, algo que já não deveria mais ocorrer, mas que infelizmente ainda se repete e, muitas vezes, passa impune.

    Filipe Luís

    Técnico do Clube de Regatas do Flamengo

  • SL Benfica v Real Madrid C.F. - UEFA Champions League 2025/26 League Knockout Play-off First LegGetty Images Sport

    Entenda o caso envolvendo Vini Jr

    O episódio ocorreu na última terça-feira, durante a vitória do Real Madrid por 1 a 0 sobre o Benfica, no Estádio da Luz, em Lisboa. Autor do gol da partida, Vinicius Jr comemorou próximo à bandeirinha de escanteio, o que gerou confusão e lhe rendeu cartão amarelo.

    Posteriormente, o atacante denunciou que Gianluca Prestianni, do Benfica, o chamou de “mono” (“macaco”, em espanhol), falando por baixo da camisa. O árbitro acionou o protocolo antirracismo e paralisou o jogo por cerca de dez minutos. Houve tumulto generalizado em campo, e jogadores do Real Madrid relataram hostilidade até o apito final.

    Na entrevista após o duelo contra o Lanús, Filipe afirmou:

    “Sempre fui muito bem tratado, a Argentina me encanta. Sou muito feliz aqui. Um caso isolado como esse não influencia em nada do que penso sobre este país.”

    Em entrevista a uma TV argentina, o treinador também declarou que o episódio envolvia a palavra de um contra a do outro, já que o jogador argentino cobriu a boca ao falar.

    A repercussão da fala gerou debates intensos no Brasil, levando o treinador a esclarecer publicamente sua posição e reforçar apoio a Vini Jr em mais um caso de racismo no futebol internacional.

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