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Rivaldo - BunyodkorSimon Cross/Getty Images

Felipão, Rivaldo e Zico: os brasileiros por trás da ascensão de estreante da Copa

O Uzbequistão garantiu presença inédita na Copa do Mundo de 2026 e escreveu o capítulo mais importante de sua história no futebol. Antes de alcançar o maior palco da modalidade, porém, o país investiu pesado para ganhar visibilidade internacional e atrair os holofotes do esporte.

No centro dessa transformação esteve o Bunyodkor, clube que, entre 2008 e 2010, protagonizou um dos projetos mais ambiciosos da Ásia. Com Rivaldo em campo e Zico e Luiz Felipe Scolari no comando técnico, a equipe acumulou títulos nacionais, chamou a atenção do mercado internacional e chegou a ser conhecida como o "Barcelona Asiático".

  • O sonho de criar uma potência no coração da Ásia

    Fundado poucos anos antes de iniciar sua ascensão, o Bunyodkor contou com investimentos pesado para acelerar seu crescimento. A estratégia era clara: contratar nomes reconhecidos mundialmente e transformar o clube em uma referência dentro e fora do continente asiático.

    A iniciativa ganhou força graças à aproximação com o Barcelona. Além de intercâmbios e projetos ligados às categorias de base, o clube espanhol participou de eventos e amistosos em Tashkent, capital do país, fortalecendo a imagem do Bunyodkor como uma organização moderna e alinhada aos padrões europeus.

    A primeira grande tentativa de impacto internacional envolveu Samuel Eto'o, então uma das estrelas do Barcelona. Embora a negociação não tenha sido concluída, o episódio colocou o nome do clube uzbeque em evidência ao redor do mundo.

    Sem o atacante camaronês, o Bunyodkor encontrou em Rivaldo seu principal embaixador. Campeão do mundo com o Brasil em 2002, o meia-atacante rapidamente se tornou protagonista da equipe, acumulando gols, títulos e atuações marcantes.

    Durante sua passagem pelo clube, Rivaldo conquistou dois Campeonatos Uzbeques e registrou números expressivos. O brasileiro encerrou sua trajetória com 42 gols em 76 partidas e como uma das maiores estrelas estrangeiras da história do futebol do país.

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  • Zico chegou, venceu e saiu campeão

    Pouco depois da contratação de Rivaldo, o Bunyodkor reforçou ainda mais seu projeto ao apostar em Zico para o comando técnico. Apesar do curto período no cargo, o ídolo brasileiro deixou sua marca de forma imediata.

    Sob sua liderança, o clube conquistou o Campeonato Uzbeque e a Copa do Uzbequistão de 2008, além de alcançar as semifinais da Liga dos Campeões da Ásia. O sucesso chamou a atenção do CSKA Moscou, que contratou o treinador poucos meses depois de sua chegada ao país.

    A saída de Zico abriu espaço para outro nome histórico do futebol brasileiro. Em 2009, Luiz Felipe Scolari trocou a expectativa de permanecer em grandes centros europeus pelo desafio de liderar o projeto do Bunyodkor.

    A contratação repercutiu internacionalmente. Recém-saído do Chelsea, Felipão assumiu uma equipe que já reunia diversos brasileiros e encontrou um ambiente favorável para dar sequência ao crescimento do futebol local.

    Anos depois, ao relembrar a experiência, o treinador destacou a importância daquele período para o desenvolvimento da modalidade no país: "O Rivaldo estava no Uzbequistão com mais três brasileiros e me indicou. Quando saí do Chelsea, surgiu a oportunidade. Começamos ali a trabalhar o futebol do Uzbequistão, não só eu, mas aproveitaram a oportunidade e levaram outros técnicos... Jogamos 32 partidas, ganhamos 28 e empatamos quatro. Foi uma campanha bem boa."

  • O fim do projeto e o legado para o futebol uzbeque

    Apesar dos títulos nacionais e da projeção internacional, o grande objetivo do Bunyodkor era conquistar a Liga dos Campeões da Ásia. O clube bateu na trave em mais de uma oportunidade, mas não conseguiu transformar o investimento em uma conquista continental.

    Com o passar dos anos, as estrelas estrangeiras deixaram a equipe, a parceria com o Barcelona perdeu força e dificuldades financeiras começaram a surgir. Ainda assim, o período deixou marcas importantes para o futebol local, que passou a investir mais em estrutura, formação de atletas e profissionalização.

    Mais de uma década depois do auge daquele projeto, o Uzbequistão celebra a classificação inédita para a Copa do Mundo. Embora a geração atual tenha sido construída por outros caminhos, o ciclo liderado por Rivaldo, Zico e Felipão ajudou a aumentar a visibilidade do futebol do país e abriu portas para um crescimento que agora alcança sua maior recompensa.

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