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Cote D'Ivoire v Norway: Round Of 32 - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

Dispensado por Ancelotti no Real, Odegaard reencontra técnico como capitão da Noruega

Quando a bola estiver com a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo, todos os olhos estarão em Erling Haaland. O sistema defensivo brasileiro, porém, vai precisar de atenção redobrada com outro jogador: Martin Odegaard.

Ao lado do centroavante, o camisa 10 é a segunda arma ofensiva da equipe de Stale Solbakken, e talvez a mais perigosa. São três assistências em três partidas neste Mundial, para Haaland, Nusa e Berg. As conexões são variadas, imprevisíveis e desafiam o Brasil a interceptá-las, sob pena de sofrer o mesmo que França, Holanda, Alemanha, Bélgica e Croácia sofreram antes.

Fora de campo, Odegaard também aparece. É ele quem puxa a 'remada viking', celebração que virou marca registrada das vitórias norueguesas na Copa.

  • FBL-ESP-LIGA-VILLARREAL-REAL MADRIDAFP

    Preterido por Ancelotti

    A história entre Odegaard e alguns dos protagonistas desta Copa começa bem antes do torneio. O norueguês pertenceu ao Real Madrid por seis anos, chegando em janeiro de 2015 com apenas 16 anos e todo o peso de ser chamado de "Messi nórdico". No clube espanhol, cruzou com brasileiros que hoje são titulares da seleção - Casemiro, Vinícius Júnior, Marcelo, Rodrygo e Éder Militão.

    Carlo Ancelotti, hoje técnico do Brasil, comandou o Real Madrid de 2013 a 2015, justamente quando o clube contratou o jovem prodígio a pedido do presidente Florentino Pérez. O italiano, no entanto, nunca escondeu o que pensava sobre aquela contratação. No livro Liderança Tranquila, o treinador é direto:

    "Quando o Florentino compra um jogador norueguês, você simplesmente tem de aceitar. Além disso, o presidente decidiu que ele disputaria três jogos pelo time principal como uma ação de marketing. Ele pode vir a ser o melhor jogador do mundo, mas isso não me importa, porque não era um jogador que eu havia pedido. Aquela contratação teve a ver com relações públicas."

    Quando Ancelotti retornou ao Real Madrid em julho de 2021, Odegaard acabara de voltar de um empréstimo produtivo no Arsenal com o sonho de finalmente se firmar em Madrid. O técnico não deixou dúvidas sobre a realidade que o esperava.

    "Falei com ele sobre a concorrência. Temos oito jogadores muito bons no meio-campo e não era fácil dar espaço a todos. Ele conversou com sua família e decidiu assinar com um grande clube", disse Ancelotti, em agosto de 2021.

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  • Crystal Palace v Arsenal - Premier LeagueGetty Images Sport

    Mudança de ares

    O vestiário do Real Madrid nunca foi um lugar fácil para Odegaard. Adolescente, isolado pela barreira do idioma e ignorado por jogadores consagrados, o norueguês foi integrado ao time B, o Real Madrid Castilla, e passou a disputar a terceira divisão espanhola longe de qualquer holofote.

    "Com o time B, eu não estava com eles regularmente, então não encontrei aquela conexão. No time principal, eu era apenas um garoto que ia treinar. Não estava envolvido nos jogos, me senti um pouco como um estranho", disse Odegaard, em texto à plataforma The Players' Tribune, em 2023.

    "Quando você tem 15 anos e o mundo inteiro está falando sobre você, é fácil começar a acreditar no hype", escreveu o norueguês.

    Descartado, iniciou uma longa peregrinação. Por empréstimo, foi parar no Heerenveen e no Vitesse, na Holanda, longe dos grandes palcos e da pressão.

    "Parei de jogar com a faísca que era típica do meu jogo. Eu me preocupava mais em não cometer erros do que em realmente jogar o meu jogo. Depois de anos, eu simplesmente não estava progredindo. A imprensa veio atrás de mim por não corresponder imediatamente ao alvoroço criado. Eu era um alvo fácil."

    A redenção veio em Londres. Sob Mikel Arteta no Arsenal, Odegaard encontrou equilíbrio, assumiu a braçadeira de capitão e liderou os Gunners à conquista da Premier League em maio deste ano, encerrando um jejum de 22 anos. Na Champions League de 24/25, o Arsenal de Odegaard também eliminou o Real Madrid de Vinícius Júnior. A história tem suas ironias.

    "Quando você tem 15 anos e o mundo inteiro está falando sobre você, é fácil começar a acreditar no hype", escreveu o norueguês, em 2023.

  • Cote D'Ivoire v Norway: Round Of 32 - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

    Cérebro norueguês

    O futebol tem pressa para rotular seus craques. Aos 15, era o "Messi nórdico", disputado pelos maiores clubes do planeta. Aos 20, carregava o peso injusto de ser tratado como fracasso. Aos 27, é o cérebro que guia a Noruega em uma Copa do Mundo. Odegaard é o arco; Erling Haaland, a flecha nórdica.

    "É muito bom jogar com Odegaard. Isso só vai melhorar nos próximos anos. Nós ainda somos jovens", disse Haaland, de 25 anos, também estreante em Copas, a Noruega não disputava um Mundial desde 1998, antes de ambos nascerem.

    Para o técnico Solbakken, Odegaard é o termômetro da seleção:

    "Ele é um jogador fundamental para nós e é o nosso capitão. Ele dita o ritmo do nosso jogo em muitas áreas do campo. Possui o recorde de assistências da seleção norueguesa nos últimos cinco anos. Mas também jogamos sem ele durante parte das Eliminatórias — e os jogadores ao redor dele cresceram por causa disso. Martin é o nosso líder. E é uma grande liderança tanto para a equipe quanto para o país."

    A seleção norueguesa amargou 28 anos de ausência em Copas. Encontrou no mesmo período o camisa 10 ideal e um dos maiores artilheiros do planeta. Não é coincidência que ambos estejam juntos agora.

    "Nós falhamos em nos classificar muitas vezes. Estou na seleção desde 2014 e, durante todo esse tempo, não havíamos nos classificado para um grande torneio. Finalmente chegar lá é gigante. É um dos meus maiores sonhos", revelou Odegaard.

    "Chegar aqui é algo que nós, jogadores, sonhamos por nossas vidas inteiras. Nós podemos vencer qualquer um", completou.

  • FBL-WC-2026-MATCH41-NOR-SENAFP

    Preocupação para o Brasil

    Casemiro é o candidato natural a neutralizar Odegaard, afinal, foi com ele no Real Madrid enquanto o norueguês tentava, sem sucesso, se firmar no clube. O duelo no meio de campo será um dos eixos táticos das oitavas.

    Com a contusão de Paquetá, o Brasil terá uma configuração diferente. Casemiro e Bruno Guimarães podem ter a companhia de Danilo Santos na marcação. Há ainda a possibilidade do recuo de Matheus Cunha para o papel de Paquetá, com Endrick como referência no ataque. A boa partida contra o Japão e sua força física pesam a seu favor.

    Do outro lado, Odegaard sabe o tamanho do desafio, e não esconde a ansiedade.

    "Acho que será uma partida muito difícil para as duas equipes. Enfrentar o Brasil é o maior desafio que se pode ter", avaliou após eliminar a Costa do Marfim.

    Odegaard nasceu em 17 de dezembro de 1998, seis meses depois de a Noruega derrotar o Brasil por 2x1 na última rodada da fase de grupos da Copa da França. A história que ele herdou sem ter vivido agora é a que ele quer repetir.

    "É uma oportunidade fantástica. Nós crescemos ouvindo essa história. Agora chegou a nossa oportunidade. Estamos ansiosos e muito animados. Vamos ver se conseguimos repetir os feitos das gerações anteriores."