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Rosario Central v Godoy Cruz - Torneo Clausura Betano 2025Getty Images Sport

Como Di María transformou o Rosario Central antes de encarar o Corinthians

Ángel Di María já não precisava provar mais nada. Campeão do mundo com a Argentina, vencedor de títulos importantes na Europa e consolidado entre os grandes jogadores de sua geração, o atacante poderia ter encerrado a carreira em 2025. Em vez disso, escolheu voltar para casa.

Depois de 18 anos no futebol europeu, Di María deixou o Benfica, de Portugal, e retornou ao Rosario Central, clube que o revelou. A decisão, inicialmente tratada como um gesto de carinho ao time de coração, rapidamente ganhou proporções muito maiores.

A presença do ídolo mudou a relação do clube com sua torcida, aumentou receitas, acelerou reformas estruturais e recolocou o Rosario Central no mapa internacional. Dentro de campo, o impacto também foi imediato: o time conquistou o título argentino na última temporada, voltou à Libertadores e agora disputa as oitavas de final diante do Corinthians.

O primeiro capítulo do confronto acontece nesta quinta-feira (13), às 21h30 (de Brasília), no Gigante de Arroyito, em Rosário.

  • FBL-LIBERTADORES-UCENTRALVEN-ROSARIOAFP

    O retorno do ídolo que recolocou o time no topo

    A volta de Di María representou muito mais do que a contratação de um jogador renomado. O atacante retornou ao clube em que iniciou sua trajetória profissional disposto a encerrar a carreira justamente onde tudo começou.

    Na primeira passagem pelo Rosario Central, Di María disputou 39 partidas e marcou seis gols. Dezoito anos depois, voltou ao futebol argentino com uma bagagem completamente diferente: campeão mundial e dono de uma carreira construída em gigantes do futebol europeu.

    O impacto foi sentido imediatamente. O atacante passou a atrair torcedores aos estádios, recebeu homenagens e liderou o Central na conquista do campeonato nacional. Com o título, o clube garantiu novamente seu lugar na Libertadores.

    Para completar, Di María renovou contrato até o meio de 2027. O retorno, portanto, deixou de ser apenas uma despedida simbólica e passou a fazer parte de um projeto de futuro para o Rosario Central.

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    O efeito Di María nas arquibancadas

    Fora das quatro linhas, o crescimento provocado pela presença do argentino impressiona.

    Segundo Javier Solá, gerente geral do Rosario Central, o clube saltou de aproximadamente 65 mil para 112 mil sócios. Além disso, 17 mil torcedores possuem ingressos garantidos para todos os jogos como mandante durante a temporada.

    "Como a figura global que é, voltando ao Rosario Central, nos ajudou em muitos aspectos", explicou Solá em entrevista à ESPN.

    O dirigente também destacou o impacto comercial. As lojas do clube tiveram crescimento expressivo no faturamento, e o Central passou a contar com uma megaloja no estádio, além de uma nova unidade prevista para o centro de Rosário.

    O resultado é refletido também nas arquibancadas. O Rosario Central é atualmente a quarta equipe da Argentina em média de público.

    A demanda, porém, já ultrapassou a capacidade disponível. "Se tivéssemos um estádio maior, com certeza teríamos mais torcedores nas arquibancadas".

  • Rosario Central v Racing Club - Torneo Apertura 2026Getty Images Sport

    O Gigante de Arroyito também está mudando

    O aumento no número de associados criou uma necessidade evidente: ampliar o estádio.

    A principal intervenção planejada pelo Rosario Central é a construção de uma terceira bandeja de arquibancadas no setor Rio do Gigante de Arroyito. O projeto prevê ainda 58 camarotes abaixo da nova estrutura.

    Lançado pela diretoria comandada por Gonzalo Belloso no fim de 2025, o projeto encontrou uma forma de financiamento diretamente ligada ao entusiasmo provocado pelo retorno de Di María.

    Os camarotes foram colocados à venda para os torcedores, com contratos de utilização entre cinco e cinco anos e meio. Cada espaço comporta de oito a 15 pessoas e garante acesso aos jogos do Central como mandante durante o período contratado.

    Os valores variaram entre US$ 90 mil e US$ 150 mil, dependendo da localização e da capacidade de cada camarote.

    A reforma do estádio não para por aí. A sala de imprensa foi ampliada, a iluminação recebeu melhorias e o clube passou a estruturar novas áreas comerciais.

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  • Rosario Central v Platense - Copa de la Liga Profesional 2023: FinalGetty Images Sport

    Um clube maior para sustentar o sonho em campo

    O crescimento institucional do Rosario Central está diretamente ligado ao desempenho esportivo. Para Solá, a combinação entre torcida e um time competitivo é fundamental para manter o ciclo de expansão.

    O modelo associativo do futebol argentino faz com que a relação entre clube e torcedor tenha peso ainda maior. No caso do Central, o número de sócios praticamente dobrou desde a chegada de Di María.

    "Queremos continuar crescendo, mas para isso é muito importante ter uma equipe competitiva em campo".

    A lógica é simples: um time capaz de disputar títulos mantém o torcedor próximo, enquanto uma torcida engajada aumenta a capacidade de investimento e cria condições para novas melhorias.

    É nesse cenário que Di María deixou de ser apenas o principal jogador do elenco e passou a representar uma espécie de símbolo da transformação do clube.

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    O "Fideo" como referência de um time equilibrado

    Se a transformação fora de campo é evidente, dentro das quatro linhas Di María continua sendo o principal diferencial do Rosario Central.

    Na atual temporada, o atacante soma sete gols em 25 partidas e é responsável por ditar boa parte do ritmo ofensivo da equipe comandada por Jorge Almirón.

    Ao lado dele, o colombiano Campaz aparece como outra peça importante no ataque. Habilidoso no drible, perigoso nas finalizações e eficiente nos cruzamentos, o jogador oferece uma alternativa de velocidade e criatividade pelos lados.

    O jovem Cantizano, de apenas 19 anos, também vem ganhando espaço com boas atuações em 2026. Já Copetti é cotado para começar como centroavante, apesar de ser alvo de críticas de parte da torcida.

    O equilíbrio, contudo, começa pela defesa. Os zagueiros Ovando e Gastón Ávila são apontados como jogadores rápidos e fisicamente fortes. Nas laterais, Sández contribui mais para a estrutura defensiva, enquanto Coronel participa com maior frequência das ações ofensivas.

    No meio-campo, Ibarra exerce uma função mais marcadora, enquanto Pizarro tem papel importante na construção e na organização das jogadas, especialmente com a perna esquerda.

  • imago-sport-1080741400.jpgTheNews2

    Onde o Corinthians pode encontrar espaços

    A comissão técnica do Corinthians passou as últimas semanas estudando detalhadamente o adversário argentino. E a conclusão é que o Rosario Central tem uma estrutura consistente, mas também apresenta pontos vulneráveis.

    A principal preocupação é justamente Di María. Aos 38 anos, o argentino continua sendo o jogador que organiza boa parte das ações ofensivas e dá qualidade às jogadas do Central.

    Ao mesmo tempo, o Corinthians identificou possibilidades principalmente pelos lados do campo.

    Campaz, por exemplo, tem participação ofensiva importante, mas costuma contribuir menos na recomposição defensiva. Esse espaço pode ser explorado pelo time de Fernando Diniz.

    A missão corintiana, portanto, passa por tentar limitar a influência de Di María sem permitir que o restante do sistema argentino tenha liberdade para criar. Neutralizar o argentino é uma prioridade, mas encontrar os espaços deixados pelo adversário pode ser o caminho para equilibrar o confronto.

  • FBL-LIBERTADORES-ROSARIO-UCENTRALVENAFP

    O ídolo que se considera "mais um"

    Apesar de toda a dimensão alcançada na carreira, Di María mantém uma postura de pertencimento em seu retorno ao Rosario Central.

    Para Javier Solá, essa talvez seja uma das características mais marcantes do atacante.

    "Ele teve a generosidade de terminar sua carreira na instituição que tanto ama". Segundo Solá, Di María se comporta dentro do clube "como mais um".

    É justamente essa combinação entre status internacional e identificação com o clube que tornou o retorno tão poderoso.

    Di María não voltou apenas para vestir novamente a camisa que marcou o início de sua trajetória. Voltou para liderar um projeto que ganhou força com sua presença e que agora busca um objetivo ainda maior.

  • Rosario Central x CorinthiansGetty/GOAL

    Contra o Corinthians, o próximo capítulo

    O Rosario Central terminou a fase de grupos da Libertadores na segunda posição de sua chave, atrás do Independiente del Valle, e avançou ao mata-mata. No cenário nacional, o clube chegou à semifinal do Torneio Apertura e ocupa atualmente a oitava posição do Grupo B do Clausura.

    Agora, porém, toda a atenção está voltada para o duelo com o Corinthians.

    O Gigante de Arroyito estará lotado e pressionará o time brasileiro em uma noite que reúne dois pesos importantes: a tradição continental do confronto e a transformação vivida pelo clube argentino desde o retorno de seu maior ídolo.

    Di María já entregou ao Rosario Central um título nacional, uma vaga na Libertadores, uma explosão no número de sócios e novos projetos para o estádio.

    A Libertadores oferece a ele a oportunidade de entregar algo que ainda não faz parte da história do clube: um título continental.

    E o primeiro obstáculo será o Corinthians, justamente no estádio que se tornou um dos maiores símbolos da revolução provocada pelo retorno do "Fideo".