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Spain v Argentina: Final - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

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Das comparações cruéis ao status dos grandes: Messi deixa a Argentina sem um final ideal

Lionel Messi baixou a cortina sobre sua extraordinária trajetória internacional nesta segunda-feira, anunciando sua aposentadoria pouco tempo depois de inspirar a seleção da Argentina a chegar à final da Copa do Mundo pela segunda vez consecutiva.

Aos 39 anos, e após duas décadas de sua primeira aparição no maior palco do futebol, Messi decidiu escrever a palavra fim, depois de ter reparado há muito tempo uma relação complicada com a Albiceleste que chegou a ameaçar sua carreira em determinado momento.

  • A sombra de Maradona e um legado completo: privação da despedida perfeita

    A agência Reuters publicou uma reportagem que destacou a brilhante trajetória de Messi, afirmando que o recordista de conquistas da Bola de Ouro (oito vezes) se aposenta agora como campeão mundial e bicampeão da Copa América, o homem que saiu da imensa sombra de Diego Maradona para construir um legado argentino inteiramente próprio.

    A derrota para a Espanha na final da Copa do Mundo de 2026 privou Messi da despedida perfeita e da chance de se sagrar campeão do mundo pela segunda vez. Mas, após uma trajetória que transformou o Barcelona, a Argentina e o próprio futebol moderno, restava muito pouco a ser provado por ele.

    Quatro anos atrás, no Catar, ele ergueu a taça que perseguiu ao longo de toda a sua carreira, depois de marcar sete gols no torneio e dois na final contra a França, antes de a Argentina vencer nos pênaltis. Aquele foi o momento de consagração de uma trajetória extraordinária e também o auge de uma das histórias de perseverança mais convincentes do futebol. Pois, apesar de todos os seus sucessos com o Barcelona, onde seu talento lhe rendeu todos os grandes títulos individuais e coletivos disponíveis, a relação de Messi com a camisa da Argentina foi definida por anos tanto pelo que ele não conquistou quanto pelo que ele alcançou: chegou à final da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, antes de a Argentina perder para a Alemanha na prorrogação, e depois as duas derrotas consecutivas nas finais da Copa América em 2015 e 2016 aprofundaram a sensação de que a glória internacional poderia escapar de suas mãos.

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  • Messi arrasado: a seleção de Scaloni muda a história

    Após a segunda daquelas derrotas, diante do Chile nos pênaltis, Messi se aposentou por um breve período, arrasado. E disse: "A seleção acabou para mim". Mas ela não acabou de fato naquele momento, pois Messi voltou, e a história mudou gradualmente.

    Sob o comando de Lionel Scaloni, a Argentina construiu um time em torno de seu capitão sem tornar-se totalmente dependente dele, cercando o veterano dono da camisa 10 de energia, ímpeto e comprometimento coletivo, fatores que permitiram que sua genialidade florescesse.

    O ponto de virada veio na Copa América de 2021, quando a Argentina derrotou o Brasil no estádio do Maracanã, dando a Messi seu primeiro grande título internacional com a seleção principal.

    O relatório prosseguiu: "Depois veio a Copa do Mundo, 18 meses mais tarde. Messi foi espetacular no Catar, entregando gols, assistências decisivas e momentos de inspiração, enquanto a Argentina se recuperava de uma derrota chocante em sua partida de estreia diante da Arábia Saudita para chegar à final. Ele marcou dois gols contra a França, antes de converter nos pênaltis, para enfim erguer a taça que se tornou a peça que faltava em seu argumento para se colocar ao lado dos maiores jogadores de futebol, ou acima deles. E, para a Argentina, essa conquista também completou a transformação de Messi".

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  • Um adolescente tímido: as comparações com Maradona não desapareceram, mas...

    Aquele adolescente tímido que deixou Rosário rumo a Barcelona aos treze anos, e que às vezes era retratado em seu país mais como um catalão do que como um argentino, tornou-se o capitão indiscutível da seleção nacional.

    As lágrimas e frustrações dos fracassos anteriores transformaram-se em canções, murais e comemorações. E as comparações com Maradona não desapareceram, mas deixaram de carregar o mesmo peso acusatório. Messi tornou-se Messi, o Messi da Argentina. Ele poderia ter parado ali. Mas continuou jogando, transferiu-se do Paris Saint-Germain para o Inter Miami e ajudou a Argentina a manter o título da Copa América em 2024, antes de fazer uma última tentativa em uma Copa do Mundo.

    Ao chegar 2026, sua velocidade explosiva, que deixava os defensores impotentes, recuou inevitavelmente, mas ele se adaptou. Passou a caminhar mais, esperar mais e escolher seus momentos, preservando sua energia enquanto as pernas mais jovens trabalhavam ao seu redor. Ainda assim, suas qualidades essenciais permaneceram: a percepção dos espaços, a precisão do passe e a capacidade de mudar a partida com um único toque. Em contrapartida, a Argentina mudou com ele.

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  • Time veterano: experientes nas batalhas

    A equipe que chegou à final de 19 de julho deixou de ser apenas um grupo de jogadores que olhava para Messi em busca de salvação. Tornou-se um time experiente, forjado nas batalhas, acostumado a vencer e moldado ao longo de anos jogando ao lado de seu capitão.

    Essa evolução permitiu a Messi estender sua trajetória internacional muito além do que em algum momento pareceu possível, e deixar o esporte em seus próprios termos. Seus números o colocam entre os gigantes do futebol internacional, mas as estatísticas por si só não contam a história de sua jornada, das expectativas à rejeição, e depois da mágoa à devoção. Durante anos, cada derrota foi apresentada como prova do que o separava de Maradona.

    Mas, no fim, esse debate tornou-se em grande parte irrelevante. Um deles levou a Argentina à Copa do Mundo em 1986. O outro, após anos de tentativas, conseguiu em 2022, e depois voltou quatro anos mais tarde para conduzir seu país a uma distância mínima de mais um título. Deixa a seleção nacional como um homem que desempenhou um papel decisivo na história do futebol argentino.