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Real Madrid crisis GFXGetty/GOAL

Como rachas no vestiário e resultados ruins deixam o Real Madrid de Xabi Alonso à beira de uma crise

E como poderiam ser diferentes? No Real Madrid, se espera excelência e um futebol sem falhas. Não basta vencer — é preciso vencer bem. E, ultimamente, isso simplesmente não tem acontecido. Após o 1 a 1 insosso de domingo, o time chegou a três empates consecutivos em LaLiga. A equipe melhor colocada entre as que lhes tiraram pontos é o Rayo Vallecano, atualmente em nono lugar.

Embora este seja, sem dúvida, um momento decepcionante para um clube da dimensão do Real Madrid, é preciso lembrar que eles também atravessam um período de transição após a chegada do novo técnico, Xabi Alonso, que, por sua vez, tem lidado com uma série de lesões que desestabilizaram sua equipe.

Ainda assim, em meio a relatos de atritos no vestiário envolvendo alguns dos jogadores mais bem pagos do mundo, a última coisa de que ele precisava era ver sua equipe desperdiçar a liderança do campeonato para o Barcelona. Mas foi exatamente o que ocorreu: em apenas um mês, o Real deixou escapar uma vantagem de cinco pontos. Embora os pedidos por sua demissão sejam prematuros, é inegável que estas tenham sido semanas de pesadelo para um treinador que ainda está dando os primeiros passos no emprego dos seus sonhos.

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  • Real Madrid CF v Valencia CF - LaLiga EA SportsGetty Images Sport

    Como estão as coisas

    A situação atual do Real Madrid na temporada, à primeira vista, não parece tão negativa. Em 14 jogos de LaLiga, a equipe venceu 10, empatou três e perdeu apenas um. Ocupa a segunda posição, com 33 pontos — quatro atrás do Barcelona — e ainda tem um jogo a menos, que será disputado nesta quarta contra o Athletic Bilbao. Mantido o ritmo atual, o Real deve atingir a marca de 90 pontos, o suficiente para disputar o título com o Barça até o fim. Além disso, enfrentou um calendário um pouco mais complicado e venceu o primeiro El Clásico da temporada no fim de outubro.

    Na Champions League, o cenário também é favorável. O Real Madrid venceu quatro das cinco partidas disputadas, superando Olympique de Marseille, Juventus, Kairat Almaty e Olympiacos. Sua única derrota foi para um Liverpool bem mais forte, que escolheu justamente o duelo com os espanhóis para encerrar sua má fase com uma performance de destaque no início de novembro. Assim, a classificação direta para as oitavas está ao alcance.

    Há também diversos pontos positivos no desempenho individual de alguns jogadores. Kylian Mbappé abraçou seu papel como centroavante e tem se saído excepcionalmente bem, acumulando 23 gols em apenas 19 jogos — números que o colocam entre os melhores artilheiros da Europa. Além disso, reforços como Álvaro Carreras trouxeram a estabilidade tão necessária para o lado esquerdo da defesa, Arda Güler tem mostrado a criatividade prometida desde seu início de carreira, e Jude Bellingham voltou a encontrar seu ritmo após perder os dois primeiros meses da temporada se recuperando de uma cirurgia no ombro.

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  • Trent Alexander-ArnoldGetty Images

    Problemas de lesão

    Bellingham não é o único grande nome que perdeu tempo por questões físicas. Seu companheiro de seleção inglesa, Trent Alexander-Arnold — visto como o lateral-direito do futuro no Real Madrid — iniciou apenas seis partidas desde o Mundial de Clubes, em parte por causa de uma lesão no tendão sofrida na estreia pela Champions League, que o deixou fora por seis semanas. Sua principal concorrência, Dani Carvajal, machucou o joelho logo depois e ficará afastado até, pelo menos, janeiro, o que levou Fede Valverde a voltar a atuar improvisado na defesa.

    Vinicius Junior, por sua vez, foi reintegrado gradualmente à equipe nas primeiras semanas da temporada, enquanto Xabi Alonso buscava preservar seu condicionamento. Até aqui, sua campanha tem sido marcada mais pelos ruídos fora de campo do que por contribuições em gols — ou pela falta delas. Os zagueiros Antonio Rüdiger, David Alaba e Dean Huijsen também passaram períodos afastados.

  • Xabi Alonso Rodrygo Real Madrid 2025-26Getty Images

    Divisão no vestiário

    Ainda assim, o Real Madrid deveria ter talento suficiente para se impor como a força dominante na Espanha e na Europa. No entanto, é justamente essa concentração de Galácticos que tem se revelado a maior dor de cabeça para Xabi Alonso.

    Segundo o The Athletic, veteranos do elenco têm questionado alguns dos métodos do ex-técnico do Bayer Leverkusen, e as instruções táticas não estariam sendo transmitidas com clareza. Uma reunião teria sido convocada entre Alonso e os jogadores para tentar resolver as diferenças antes da vitória por 4 a 3 sobre o Olympiacos, mas o empate de domingo na Catalunha — descrito por uma fonte ao The Athletic como “um desastre” — sugere que os problemas estão longe de serem resolvidos.

    Também não ajuda o fato de haver jogadores de alto perfil no elenco que mal têm entrado em campo. Rodrygo e Endrick chegaram a ser apontados como possíveis candidatos a sair do Bernabéu na última janela, mas Xabi Alonso insistiu que ambos seriam peças fundamentais em seu projeto. Isso, porém, não se concretizou.

    Rodrygo, vivendo uma seca de gols que já dura 30 jogos, segue recebendo poucas oportunidades, acumulando apenas 442 minutos na temporada. Endrick tem atuado ainda menos — apenas 11 minutos — e está muito perto de ser emprestado em janeiro, provavelmente ao Lyon.

  • FBL-ESP-LIGA-REAL MADRID-BARCELONAAFP

    O problema Vinicius Junior

    Mas, sem dúvida, o maior problema para Xabi Alonso é Vinicius Junior. O ponta brasileiro é um talento extraordinário — carismático, expressivo com a bola nos pés e igualmente vocal quando está sem ela. Ao mesmo tempo, é um dos personagens mais complexos do futebol atual: frequentemente alvo de abusos relacionados à sua reputação — muitos deles motivados pela cor de sua pele — mas, ao que tudo indica, um jogador genuinamente humilde. Florentino Pérez, vale lembrar, é um grande admirador de Vini.

    Talvez por isso ele tenha se sentido à vontade para desafiar seus treinadores em alguns momentos. No fim da era Ancelotti, Vinicius adotou uma postura mais apática ao pressionar sem a bola e, sob Xabi Alonso, nem sempre cumpriu plenamente as exigências táticas. Ele completou os 90 minutos apenas sete vezes e costuma ser o primeiro a ser substituído quando Alonso precisa alterar sua linha ofensiva.

    Vinicius também protagonizou a imagem marcante do último El Clásico, ao gritar com o técnico em frustração depois de ser sacado no meio do segundo tempo. Mais tarde, pediu desculpas ao clube e aos companheiros, mas deixou o nome do treinador de fora de sua postagem nas redes sociais. Se fala que a relação entre ambos é o principal motivo por trás da atual relutância de Vini em discutir a renovação de seu contrato, que termina em meados de 2027.

  • Girona FC v Real Madrid CF - LaLiga EA SportsGetty Images Sport

    Deficiências defensivas

    Xabi Alonso ainda não conseguiu resolver o problema mais evidente do Real Madrid dentro de campo. Na temporada passada, o time sofreu repetidamente o mesmo tipo de gol: falhava na pressão inicial, permitia que o adversário encontrasse seu volante livre e, a partir daí, era desencadeado um contra-ataque. Uma fórmula simples, explorada semana após semana.

    E esse mesmo padrão segue ocorrendo com frequência nesta temporada. O Real é perigosamente vulnerável em transições ofensivas dos adversários, e a recorrência com que sofre gols em contra-ataques chega a ser impressionante. Foi assim que o Girona marcou no domingo, o Elche fez o mesmo duas vezes na semana anterior, e até o Olympiacos explorou esse ponto fraco, apesar da derrota. Se não fosse pela excelência de Thibaut Courtois, o time provavelmente estaria sofrendo três ou quatro gols por jogo.

  • Xabi Alonso Florentino Perez Real Madrid 2025Getty Images

    Ainda não é hora de tomar uma decisão mais drástica

    Mas, apesar das más vibrações, dos sinais preocupantes e de todas as razões para alarme, este não é o momento de demitir o treinador. Xabi Alonso tem um currículo de respeito e mostrou ser um estrategista de alto nível durante sua passagem pelo Leverkusen. No ambiente de extrema pressão que é o Real Madrid, os técnicos precisam de tempo para ajustar a equipe — e ele precisa disso. Pelo que o espanhol mesmo tem dito publicamente, não sente o peso de uma possível demissão. Após o empate com o Girona, revelou ter tido conversas positivas com Florentino Pérez.

    “Falei com ele novamente e as conversas foram muito positivas, com um tom excelente”, disse Alonso. “Foi sobre isso que tratamos: reverter os resultados."

    “Sabemos em que ponto da temporada estamos. Ainda há um longo caminho pela frente. A tabela está muito apertada e ainda há muitos pontos em disputa, então muita coisa pode acontecer.”

    É claro que sempre existe um limite — e, se o desempenho não melhorar antes da pausa de fim de ano, Xabi Alonso certamente começará a sentir a pressão. Mas demitir um treinador tão cedo, especialmente à frente de um elenco jovem e promissor, seria um erro enorme. O Real Madrid precisa, neste momento, de uma rara dose de paciência.

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