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Como Ancelotti escolhe os cobradores? a filosofia do treinador para os pênaltis

O Brasil espera resolver a classificação para as oitavas de final da Copa do Mundo diante do Japão ainda nos 90 minutos, nesta segunda-feira (29), em Houston. Mas, caso a vaga seja decidida nas penalidades, Carlo Ancelotti já tem uma filosofia consolidada para definir quem assume a responsabilidade na marca da cal.

As últimas disputas de pênaltis da seleção ficaram marcadas por eliminações dolorosas. Em 2022, na Copa do Mundo do Qatar, a seleção brasileira caiu para a Croácia. Dois anos depois, foi eliminado pelo Uruguai na Copa América. Em ambas as ocasiões, as decisões dos treinadores viraram alvo de questionamentos.

Tite admitiu, posteriormente, que errou ao deixar Neymar para a quinta cobrança diante dos croatas, o camisa 10 sequer bateu porque a seleção foi eliminada antes. Já Dorival Júnior recebeu críticas pela pouca participação na conversa com os jogadores antes das penalidades contra o Uruguai. Porém, com Ancelotti, o método é diferente.

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    Mental acima da técnica

    Para o treinador italiano, cobrar um pênalti vai muito além da qualidade do chute. Na visão dele, a capacidade de lidar com a pressão pesa mais do que qualquer fundamento técnico.

    O exemplo mais conhecido aconteceu nas oitavas de final da Champions League 24/25, quando o Real Madrid enfrentou o Atlético de Madrid. Inicialmente, Endrick seria um dos cobradores, mas Ancelotti mudou de ideia poucos minutos antes da disputa.

    "Tínhamos dúvidas sobre o quinto batedor. Olhei para o rosto do Endrick e pensamos: melhor colocar o Rüdiger", explicou o técnico após a classificação.

    A decisão ilustra exatamente a filosofia do treinador: a lista de cobradores nunca é fechada apenas pelo desempenho nos treinamentos.

    Durante a preparação para a Copa do Mundo, os jogadores treinam cobranças de pênalti regularmente desde os primeiros dias de trabalho, ainda na Granja Comary. A comissão técnica acompanha índices de aproveitamento e execução, mas a definição final costuma acontecer apenas instantes antes da disputa.

    Além da condição psicológica, Ancelotti também considera o desgaste físico de cada atleta após 90 ou até 120 minutos de jogo.

    Em diversas entrevistas ao longo da carreira, o italiano já definiu decisões por pênaltis como uma "loteria", ou um jogo de "cara ou coroa".

    "Quando escolho os cobradores, o aspecto mental é mais importante do que a técnica. Se o jogador não estiver bem emocionalmente, ele não estará preparado para executar tecnicamente a cobrança", explicou.

    "Já tive excelentes cobradores que, naquele momento, disseram que não se sentiam preparados."

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  • Croatia v Brazil: Quarter Final - FIFA World Cup Qatar 2022Getty Images Sport

    De olho no retrospecto

    Apesar de buscar definir a partida no tempo regulamentar, a seleção se sente preparada para a disputa de pênaltis, e possui um retrospecto positivo, neste cenário, em Copas do Mundo. Ao longo da história, o brasil disputou cinco decisões por pênaltis em Mundiais. Avançou em três delas e foi eliminado em duas.

    A primeira derrota aconteceu nas quartas de final de 1986, quando empatou por 1 a 1 com a França e caiu por 4 a 3 nas cobranças.

    O capítulo mais marcante veio oito anos depois. Na final da Copa de 1994, após o empate sem gols com a Itália, o brasil venceu por 3 a 2 e conquistou o tetracampeonato mundial. Em 1998, voltou a decidir uma vaga nos pênaltis e eliminou a Holanda por 4 a 2 na semifinal, depois de empate por 1 a 1.

    Já em 2014, diante da torcida, superou o Chile nas oitavas de final por 3 a 2, em uma das classificações mais dramáticas daquela campanha. A última disputa, porém, deixou um gosto amargo: a eliminação para a Croácia nas quartas de final da Copa de 2022.

  • Japan v Sweden: Group F - FIFA World Cup 2026Getty Images Sport

    Japoneses também preparados

    Do outro lado, o Japão também chega preparado para uma possível disputa por pênaltis, e tentando apagar um trauma compartilhado com o Brasil.

    Nas oitavas de final da Copa de 2022, os japoneses também foram eliminados justamente pela Croácia após desperdiçarem três cobranças.

    Agora, o técnico Hajime Moriyasu pretende mudar completamente a estratégia.

    "Desta vez, quando chegarmos aos pênaltis, provavelmente serei eu quem definirá a ordem dos cobradores, em vez de esperar que os jogadores se ofereçam voluntariamente, como aconteceu da última vez", afirmou o treinador.

    A seleção japonesa desembarcou na América do Norte com a ambição declarada de conquistar seu primeiro título mundial. As vitórias sobre Alemanha, Espanha, Inglaterra e brasil nos últimos anos reforçaram a confiança do elenco de que é possível competir de igual para igual contra qualquer adversário.

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