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A ascensão da Roma: como os Giallorossi voltaram a disputar o título para sonhar com o fim do jejum de 25 anos

A verdade é que muitos preferiam que o ídolo Claudio Ranieri continuasse por mais um ano. No entanto, o veterano técnico decidiu manter a aposentadoria para assumir um cargo diretivo no clube e, curioso o bastante, foi ele quem defendeu a contratação de Gasperini, acreditando que justamente seu jeito durão era o que a Roma precisava.

“Eu não gostava dele quando era treinador”, admitiu Ranieri, com sua sinceridade característica. “E disse isso a ele. Mas ele foi escolhido porque estou convencido de que Roma precisa de uma personalidade forte, de um técnico que nunca esteja satisfeito, que viva irritado e buscando melhorar o time e o jogador.”

“Vou ser um amigo para ele. Estarei ao lado, e se ele precisar de algo, vamos resolver juntos. Ele sabe das dificuldades que vai encontrar, mas, se eu tivesse continuado, teria perdido um ano de construção; ele foi chamado para erguer algo que possa dar frutos. Não vai ser fácil, claro, e por isso demos a ele um ano para se fazer entender.”

Para a felicidade geral, Gasperini precisou de menos de seis meses para cair nas graças da torcida, e ainda colocar o time na luta inesperada pelo Scudetto.

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  • As primeiras pistas dos contra-ataques mortais de Gasperini

    Uma hora de jogo contra o Cremonese, no último domingo. A Roma vencia por 1 a 0 e assumia a liderança, mas você não diria isso olhando para Gasperini. Incomodado com a arbitragem durante toda a tarde, o treinador acabou expulso aos 62 minutos.

    Irritado, reclamou depois que, se fosse para expulsá-lo, isso deveria ter acontecido ainda no primeiro tempo. Segundo ele, no lance em que levou dois cartões amarelos em questão de segundos, nem sequer havia dito algo ofensivo ao árbitro.

    Mas a raiva durou pouco. Enquanto ele ainda caminhava contrariado rumo à arquibancada, o irlandês Evan Ferguson marcou seu primeiro gol pelo clube. Cinco minutos depois, já empolgado, Gasperini levantou da cadeira para cumprimentar colegas após Wesley concluir um contra-ataque típico de seus melhores tempos de Atalanta.

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  • O mago de Roma

    No fim do jogo, a vitória por 3 a 1 colocou a Roma dois pontos à frente na ponta da Serie A. E Gasperini, agora sorridente, se divertiu ao ver uma imagem que viralizou em Roma: uma arte de rua retratando-o como um mago preparando uma poção de “coragem, coração e suor” para lutar pelo título.

    "É maravilhoso, mas meio inquietante!”, brincou ele à DAZN Itália. “Mas os ingredientes são ótimos, e concordo que são exatamente o que precisamos. Talvez possamos adicionar um pouco de sal e pimenta também.”

    Se depender de Gasperini, tempero não vai faltar. Difícil mesmo será controlar a empolgação da torcida.

    Curiosamente, Gasperini não quer frear o entusiasmo. Pelo contrário: está surfando a onda criada pelo melhor início de temporada da Roma em dez anos.

    “Queremos continuar jogando assim. É normal sonhar quando se está nessa posição, mesmo sabendo que poucos sonhos viram realidade. Mas estamos tentando fazê-lo durar o máximo possível.”

  • UC Sampdoria v Atalanta BC - Serie AGetty Images Sport

    Dando continuidade ao bom trabalho de Ranieri

    A boa notícia para os torcedores — alguns dos quais nem eram nascidos no último título, em 2001 — é que já há indícios suficientes para acreditar que essa Roma pode brigar até o fim.

    Como Ranieri destacou, ninguém esperava uma transição tranquila. Gasperini é exigente, se desentende com jogadores que não acompanham o ritmo, e normalmente precisa de tempo para implementar suas ideias.

    Havia, inclusive, o temor de que sua passagem por Roma repetisse o fiasco da breve passagem pela Inter, quando foi demitido após apenas cinco jogos, em 2011.

    Mas Gasperini fez um trabalho sensacional aproveitando o que Ranieri construiu na temporada passada, quando assumiu o time em crise e levou a Roma ao quinto lugar, perdendo apenas uma vez no segundo turno.

    Esse nível de organização e entrega permaneceu. E, graças a isso, os Giallorossi seguem vencendo de forma consistente: em 2025, só o Real venceu mais jogos por um gol de diferença do que a Roma.

  • Uma defesa sólida

    A Roma também conseguiu manter metade dos seus 12 jogos na Serie A sem sofrer gols, além de ter levado apenas seis até aqui, um número menor do que qualquer outro time da elite italiana. Mérito da experiência de Gianluca Mancini na zaga, das boas atuações do goleiro Mile Svilar e do trabalho eficiente da dupla de meio-campo Manu Koné e Bryan Cristante, que têm protegido muito bem a linha de três defensores.

    Ainda assim, dizer que esse desempenho defensivo é surpreendente seria pouco. Afinal, a Atalanta de Gasperini era conhecida e até cultuada por seu estilo ofensivo, sustentado por uma defesa que aceitava duelos individuais no mano a mano sem medo de se expor.

    O próprio Gasperini falou sobre sua abordagem ousada na primeira coletiva como técnico da Roma. “Não é segredo para ninguém, todos sabem que tipo de futebol eu gosto”, afirmou. “Meu estilo de jogo reflete minhas características.

    “Minhas equipes sempre atuaram de uma determinada forma: com intensidade, qualidade, marcando muitos gols e sempre pensando em fazer um a mais, em vez de evitar sofrer um a menos.”

    Mesmo assim, entre os dez primeiros colocados da Serie A, apenas a Udinese, hoje em décimo lugar, fez menos gols (12) do que o atual líder do campeonato, com 15.

  • Virada de chave

    Há sinais claros de que a Roma começa, enfim, a se encontrar ofensivamente. A vitória sobre o Cremonese, no domingo, marcou a primeira vez que os Giallorossi fizeram mais de dois gols em uma partida desde a chegada de Gian Piero Gasperini.

    "Me parece que, em alguns aspectos, o time virou a chave", afirmou o treinador. "Hoje, vejo muitos jogadores capazes de marcar e de oferecer passes importantes, que deixam os companheiros em condições de criar perigo.

    "A equipe joga com mais confiança e, quando chegamos perto da área, criamos mais chances do que antes. Nesse sentido, sou grato por tantos jogos apertados que tivemos, inclusive nas derrotas pela Europa League (para Lille e Viktoria Plzen, no mês passado), porque eles nos permitiram entender e corrigir algumas coisas."

    A estratégia inteligente de Gasperini de recuar Cristante para a linha defensiva na construção das jogadas também deu uma nova cara ao time.

    E seria ainda melhor se Ferguson engrenasse agora que, enfim, desencantou após uma série interminável de problemas físicos, especialmente porque Artem Dovbyk não vinha entregando o esperado antes de ser afastado por uma lesão na coxa, e Paulo Dybala, infelizmente, segue sendo um jogador difícil de manter saudável.

    Outro argentino, Matias Soulé, subiu de nível nesta temporada, mas o fato de ele ser o artilheiro da Roma com apenas cinco gols diz muito sobre a falta de um finalizador realmente confiável.

  • O confronto decisivo com o Napoli

    Gasperini também reconheceu que a Roma tem encontrado dificuldades para reagir quando sai atrás no placar. “Os números não mentem: perdemos quase todos os jogos em que começamos perdendo”, admitiu recentemente. “Mas, conforme você evolui em todos os aspectos, também ganha confiança para superar obstáculos ou momentos de azar. Isso também faz parte do processo.”

    E a sensação é de que a Roma ainda tende a crescer conforme a temporada avança, do mesmo modo que costuma terminar os jogos mais forte do que a maioria dos adversários. “Planejamos todo o trabalho para atingirmos o pico físico entre outubro e fevereiro”, revelou o preparador físico Domenico Borelli à Gazzetta dello Sport na semana passada.

    Existe, portanto, uma boa chance de que o melhor ainda esteja por vir. Mas, como o próprio Gasperini reconheceu, a verdadeira medida do estágio atual da equipe virá no duelo de domingo, no Estádio Olímpico, contra o Napoli.

    Apesar dos resultados animadores, incluindo vitória sobre a Lazio no Dérbi della Capitale, os Giallorossi perderam as únicas duas partidas que fizeram até agora contra concorrentes diretos pelo título: Inter e Milan.

    "Precisamos de um resultado melhor", disse Gasperini na quinta-feira. E isso, claro, não será nada simples diante do atual campeão italiano. Pelo menos desta vez, ele terá todo o estádio ao seu lado, algo impensável cinco meses atrás.

    Gasperini insiste que não é nenhum milagreiro, mas hoje tudo parece possível para essa Roma revitalizada. Os críticos viraram sonhadores, e tudo graças à combinação certa de raça, entrega e suor: ingredientes básicos de qualquer time que realmente briga pelo título.

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