A Copa do Mundo está chegando e promete demais! Com vários craques e grandes seleções em campo, a expectativa para o Mundial da Rússia é enorme, e para já ir entrando no clima do torneio que será disputado no Leste Europeu, a Goal Brasil vai trazer duas histórias curiosas das Copas do Mundo por semana até o início da competição. Confira!
Getty
Getty Images1O árbitro radialista do Brasil em 1954
O único radialista brasileiro que narrou a épica Batalha de Berna entre Brasil e Hungria, na Copa do Mundo de 1954, foi Mário Vianna, que além do único narrador esportivo, foi também o único árbitro tupiniquim no Mundial da Suíça.
E Vianna ficou famoso por uma história curiosa. Exaltado durante todo o emocionante - e violento - jogo, o árbitro-radialista não conteve a emoção e começou a criticar a maior autoridade dentro de campo, o inglês Arthur Ellis, e acusá-lo de roubo, bradando que o "apito era comunista" e "a Fifa uma camarilha de ladrões", após o Brasil ficar com apenas nove jogadores na cancha.
Depois do quarto gol húngaro anotado por Kocsis e o fim da peleja, Vianna finalizou a transmissão e, reza a lenda, foi para dentro de campo jogar objetos no Ministro do Esporte da Hungria. É mais do que lógico que a Fifa não deixou isso barato e baniu Vianna de seu quadro de árbitros. A punição, obviamente, não parou por aí, e o Brasil não teve árbitros na Copa de 1958, quando faturou seu primeiro Mundial.

2Mais do que nunca, a briga pela bola
A primeira decisão de uma Copa do Mundo FIFA, em 1930, colocou frente a frente as duas maiores potências do futebol naquela época: o Uruguai, país-sede, recebeu a Argentina no Estádio Centenário, em Montevidéu.
Um jogo envolto em uma rivalidade de longa data, e que contava com grandes nomes do futebol jogado à época. E a disputa pela bola começou antes mesmo do apito inicial: os uruguaios insistiam no modelo fabricado em seu país, os argentinos brigavam para ter uma esfera vinda do outro lado do Rio da Prata.
A decisão do árbitro John Langenus? Metade bola argentina, metade uruguaia! O curioso: os argentinos ganharam o primeiro tempo com sua esfera, por 2 a 1, mas os charruas fizeram três gols com a pelota uruguaia na etapa final e garantiram o título com o placar de 4 a 2.
Getty3Pelé World Cup?
A Seleção Brasileira ficou com a posse definitiva da Taça Jules Rimet (que anos depois seria roubada e derretida) depois de conquistar o Tri, em 1970. Por isso, a FIFA teve que lidar com o processo de criação de um novo troféu para a edição 1974 do maior torneio do futebol mundial.
Foram 53 projetos apresentados, com o vencedor sendo escolhido em 5 de abril e 1971. A escultura feita pelo italiano Silvio Gazzaniga, famosa até os dias atuais, coloca dois atletas em lados opostos e segurando o mundo. Ao contrário da Jules Rimet, ela nunca estará em definitivo com algum país – é sempre transitória.
A curiosidade é que antes de ser batizada simplesmente como FIFA World Cup, o então presidente da entidade, Stanley Rous cogitou batizar a taça em homenagem a... Pelé! A ideia não vingou, mas demonstra a imagem mítica que o Rei do Futebol tinha ainda em uma época onde desfilava os seus talentos pelos gramados.
AFP4A greve de fome de Didi
Um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, o espetacular Didi também era "mandão". O meia sempre foi "o cara que mandava" em todos os clubes que jogou, com exceção do Real Madrid de Puskás e Di Stéfano. No entanto, fora de campo, as palavras e atitudes do talentoso craque não eram prioridade. Quem mandava era sua esposa, dona Guiomar.
Acostumada a visitar a concentração da Seleção, Guiomar foi proibida de ficar com seu marido durante os treinos na Suíça para a Copa do Mundo de 1954. Foi um verdadeiro barraco e Didi, não satisfeito com o acontecimento e pressionado pela esposa, fez greve de fome.
A comissão técnica não cedeu, mesmo com Didi sendo o grande maestro do escrete canarinho. No entanto, Nilton Santos, preocupado com a saúde do amigo e o sucesso da Seleção, resolveu ajudar o craque.
"Você está aqui para treinar e jogar, consequentemente queimar carvão. Se você não se alimentar, não vai aguentar. Te ajudo, não conto a ninguém, mas vou começar a roubar comida no restaurante e trazer para você", disse, na época, o lendário jogador brasileiro ao 'Príncipe da Folha Seca'.
E como promessa é dívida, Nilton Santos levou comida para Didi durante a preparação brasileira na Suíça. Para garantir as refeições do amigo, o defensor usava um casaco grande, abastecia os bolsos, e levava a comida para o quarto do companheiro.
No fim das contas, todo o esforço da dupla e o barraco de dona Guiomar não fizeram o Brasil conquistar a primeira Copa do Mundo naquela oportunidade, mas a história ficou marcada no folclore do futebol brasileiro.
Getty5A partida mais violenta das Copas
Quando o assunto é jogo violento em Copa do Mundo, a memória logo puxa duas partidas: a Batalha de Berna, entre Brasil e Hungria, em 1954, e a derrota tupiniquim para a Holanda por 2 a 0, vinte anos depois. No entanto, muito antes destes dois jogos, a Seleção esteve envolvida em outro duelo violento, este sim, considerado o mais violento de todos os Mundiais.
Foi na Copa do Mundo de 1938, na França, em 12 de junho, contra a Tchecoslováquia, pelas quartas de final, no jogo que ficou conhecido como a "Batalha de Bordeaux". Isso porque o árbitro húngaro Paul von Hertzka deixou o "pau cantar" dentro de campo e as jogadas violentas não tardaram a começar.
O brasileiro Zezé Procópio foi o primeiro a "abrir a caixa de ferramentas" e foi expulso com apenas 14 minutos de jogo. Ainda assim, quem abriu o placar foi o Brasil, com o espetacular Leônidas da Silva, aos 30'. No entanto, a diferença numérica em campo começou a ser sentida pelo escrete canarinho, e Nejedly, de pênalti, empatou para os tchecos, aos 20' da segunda etapa.
É lógico que a pancadaria rolou solta durante todo esse tempo, mas foi só quando Machado e Jan Riha se estranharam que o árbitro resolveu expulsar mais jogadores. Isso apenas aos 44 minutos da etapa final. Mas não foi "somente" isso. Além das três expulsões, dois jogadores da Tchecoslováquia foram parar no hospital (o goleiro Planicka quebrou o braço e a clavícula ao chocar-se com o atacante Perácio, enquanto Nejedly, meio-campista, fraturou uma das pernas).
Até 2006, essa foi a partida com mais expulsões na história dos Mundiais e a primeira com três cartões vermelhos. O recorde só foi quebrado no Mundial da Alemanha, naquele memorável Portugal 1 x 0 Holanda, em que quatro jogadores foram expulsos - todos no tempo normal.
De qualquer forma, a partida terminou em 1 a 1 e foi para a prorrogação, mas o empate persistiu. Com o regulamento da época, foi marcado um novo jogo para 48 horas depois, afim de decidir quem avançaria às semifinais.
Na revanche, o Brasil venceu por 2 a 1, de virada, com gols de Leônidas da Silva (artilheiro da Copa, com sete tentos) e Roberto. Kopecky marcou para os tchecos. No fim das contas, o escrete canarinho perdeu para a Itália por 2 a 1 e ficou com o terceiro lugar após vencer a Suécia por 4 a 2, enquanto a Azzurra se sagrou bicampeã mundial depois de derrotar a Hungria na decisão, também por 4 a 2.
*a foto é do duelo entre Brasil e Suécia, não Brasil x Tchecoslováquia
Divulgação/Botafogo6“Olhe para os lados, garoto. Só dá Botafogo”.
Pelé arriscou um chute aos 25 minutos do primeiro tempo, e logo depois levou a mão à perna direita. O camisa 10 da Seleção sentiu a virilha após o arremate, dado contra a Tchecoslováquia, no segundo compromisso do Brasil na Copa do Mundo de 1962.
O jogo seguinte seria contra a Espanha, e quem perdesse estaria eliminado. Amarildo, que pelo comportamento irascível fora apelidado de “Possesso”, foi o substituto do melhor jogador do mundo no ataque. O goleador do Botafogo tinha apenas 22 anos, e um pavio tão curto quanto perigoso.
Antes do jogo, foi alertado pelo preparador físico do Brasil, Paulo Amaral: teria que ‘aceitar’ os xingamentos dos espanhóis. Não poderia entrar na pilha. Amarildo entendeu o recado, mas o seu jogo não fluía; os passes saíam errado, ele estava nervoso. Aquele time tinha Nilton Santos na lateral, Didi no meio, Zagallo na ponta-esquerda e Garrincha na direita. Todos ‘irmãos mais velhos’ do Possesso no Glorioso.
Por isso, Didi se aproximou de Amarildo e deu o conselho vital: “Olhe para os lados, garoto. Só dá Botafogo”. O jovem atacante se tranquilizou e fez o que mais sabia. A Espanha vencia por 1 a 0, mas os dois gols do Possesso – aos 72’ e 86’ – levaram o Brasil adiante na campanha que terminaria no bi-mundial.
AFP7O príncipe que anulou um gol
Quem disse que pressão externa não faz diferença? Em 1982, o árbitro soviético Myroslav Stupar provou que faz sim, e muita. A França vencia tranquilamente o Kuwait, pela segunda rodada da Copa, por 3 a 1, quando, aos 27 minutos, o eterno craque Michel Platini deu belo passe para Giresse, que finalizou e marcou o gol.
Enquanto os franceses celebravam, os adversários foram para cima do árbitro, alegando impedimento e que o próprio Stupar tinha apitado a irregularidade.
Os kuwaitianos, enquanto brigavam com a arbitragem, apontavam para as tribunas, onde estava o príncipe Fahd Al-Ahmed Al-Jaber Al-Sababe, que também era presidente da federação de futebol do país. O líder político e futebolístico do Kuwait, então, desceu ao gramado para discutir com o árbitro soviético.
Ele garantiu que algum apito tinha soado durante o lance e por isso seus jogadores tinham parado na jogada e o gol deveria ser anulado. Depois de dez minutos de muita confusão, o príncipe convenceu Stupar, que anulou o gol. Os franceses riram com toda a situação e a partida foi retomada com bola ao chão. Mas de nada adiantou, porque minutos depois, Bossis marcou o quarto gol dos Bleus, que venceram com goleada.
Getty Images8Quando um louco chorou
A Inglaterra fazia a sua melhor campanha desde o título de 1966. O ano era 1990, e a Copa do Mundo era disputada na Itália. Em Turim, ingleses e alemães voltavam a se enfrentar em um jogo tão épico quanto disputado na semifinal.
No finalzinho do segundo tempo, empatado em 1 a 1, o meia-atacante Paul Gascoigne, um dos melhores pelos Três Leões, recebeu um cartão amarelo das mãos do brasileiro José Roberto Wright após falta em cima de Thomas Berthold.
A punição tiraria o polêmico jogador de uma eventual decisão. E por isso, o mundo parou para ‘Gazza’, que se debulhou em lágrimas. Uma das cenas mais históricas dos Mundiais. A Inglaterra, entretanto, não chegaria na decisão: foi eliminada nos pênaltis pelos alemães... mas as lágrimas de Gascoigne reascenderam a paixão dos ingleses pela sua seleção.
Getty Images9A briga em Copa que ameaçou a glória do United
Cristiano Ronaldo não era, nem de longe, o craque que viria a se tornar. E Wayne Rooney ainda evoluiria bastante depois daquele ano de 2006. Ambos jogavam em um Manchester United cujo principal craque era o holandês Ruud van Nistelrooy... mas todos já sabiam que tanto o português quanto o inglês se transformariam nos pilares da equipe então comandada por Alex Ferguson.
O problema é que nas quartas de final da Copa do Mundo de 2006, na qual os portugueses eliminaram a Inglaterra nos pênaltis, eles se desentenderam. Na metade do segundo tempo, Rooney disputava bola com Ricardo Carvalho... e pisou “naquele lugar” do luso. CR7 correu em direção ao árbitro pedindo o cartão vermelho, e talvez surpreso com a reação do amigo de clube Rooney empurrou Cristiano.
O pior não foi a expulsão de Rooney, e sim a piscada de olho de Cristiano após o lance. Há quilômetros de distância, Sir Alex Ferguson congelava de medo. Aquela briga poderia ruir todo o seu projeto: “Eles talvez jamais pudessem jogar juntos de novo”, relatou o escocês em sua autobiografia. Nestas mesmas páginas, Ferguson revela que foi Rooney quem tomou a dianteira para resolver a situação - que colocou em risco a permanência de C.Ronaldo em Old Trafford.
“Eu fiquei muito aliviado quando vi que o incidente havia ficado no passado, e conseguimos mantê-lo no time que conquistaria a Champions League em 2008”, finaliza um Ferguson feliz pela resolução dos problemas entre o atacante inglês e Cristiano Ronaldo... mas foi justamente em um jogo de Copa do Mundo que o United viu o seu último grande momento correr o risco de jamais existir.
Getty10A melhor Copa da história?
A Copa do Mundo de 1954 é, sem sombra de dúvidas, uma das mais fantásticas da história. Quem sabe, a melhor de todas. A Suíça presenciou partidas lendárias como "O Milagre de Berna" e a "Batalha de Berna", e alguns dos melhores esquadrões de todos os tempos, como o extraordinário time da Hungria, com gênios como Puskás e Kocsis, a Alemanha de Fritz Walter e Hahn, e o Brasil de Didi, Julinho, Djalma e Nilton Santos. Tudo isso marcou a primeira Copa do Mundo televisionada, que teve a melhor média de gols da história dos Mundiais, com mais de cinco tentos por jogo (5,38).
Acervo CBF11O nascimento de um gesto imortal
Quando os capitães de Uruguai, Itália e Alemanha receberam a Taça Jules Rimet após os triunfos nos Mundiais de 1930,34, 38, 50 e 54 nenhum deles levantou o troféu. Afinal de contas, ninguém fazia isso. E nem tinha pensado.
O costume começou de forma acidental. Em 1958, após o Brasil derrotar a Suécia por 5 a 2, o capitão Bellini recebeu o troféu e apenas o segurava em suas mãos. Exatamente como seus antecessores haviam feito.
Entretanto, os fotógrafos brasileiros estavam longe do zagueiro naquele momento. Não dava para ver a vitória materializada em peça de ouro. De longe, o defensor escutou o pedido: “levanta a taça, Bellini!”.
Bellini levantou, e não foi apenas a foto que entrou para a história: o modo de celebrar títulos em todos os lugares do mundo nascia ali. Até hoje, quando qualquer time é campeão, o zagueirão se faz presente!
GOSTOU DESTA HISTÓRIA?
Adicione a GOAL.com como sua fonte favorita no Google para ver mais reportagens nossas.