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Arne Slot sore loser GFXGetty/GOAL

Arne Slot precisa deixar de ser mau perdedor e assumir culpa na má fase do Liverpool

Após derrotas consecutivas para Crystal Palace, Galatasaray e Chelsea, o revés em casa no domingo para o Manchester United — a primeira vitória dos Red Devils em Anfield em nove anos — parece ter levado Arne Slot ao seu limite como nunca antes.

É claro que ninguém gosta de perder para um grande rival, especialmente em casa, mas a reação de Slot soou como a de um treinador em busca de desculpas, em vez de alguém disposto a assumir a responsabilidade. Quando ele enfrentou as câmeras no túnel após o apito final, teve a chance de reconhecer seus erros e explicar o que está dando errado, mas preferiu fazer repetidas críticas ao United e às táticas de Rúben Amorim.

Embora tenha mantido uma postura calma, com expressão neutra e voz controlada, havia algo inegavelmente familiar com Jürgen Klopp em seu desabafo contido — o antecessor de Slot também era conhecido por ser um mau perdedor durante sua passagem por Anfield. No entanto, quando as coisas se complicavam, o técnico alemão sabia quando assumir a responsabilidade — algo que o holandês ainda precisa aprender se o Liverpool quiser evitar cair em uma crise mais profunda.

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  • Liverpool v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    Finalmente perdendo a calma

    Arne Slot manteve seu comportamento calmo e controlado durante todo o tempo em que esteve no comando do Liverpool, mas a dolorosa derrota de domingo para o rival Manchester United foi, sem dúvida, o maior teste de sua paciência até agora. Ao cumprir seus compromissos com a imprensa após o jogo, ele manteve a postura serena de sempre, embora suas palavras cuidadosamente escolhidas tenham deixado transparecer sua frustração.

    No curto intervalo entre o gol da vitória de Harry Maguire aos 39 minutos do segundo tempo e o momento em que se reuniu com sua equipe nos bastidores de Anfield, Slot aparentemente elaborou uma linha de defesa mentalmente, preparando-se para enfrentar as câmeras após a quarta derrota consecutiva.

    Em vez de assumir a responsabilidade ou criticar abertamente seus jogadores, o técnico holandês optou por direcionar sua análise a farpas contra o United e a estratégia de seu colega Rúben Amorim — repetindo quase literalmente as mesmas observações sobre “bolas longas” e “bloco baixo” em entrevistas à Sky Sports, à BBC e em sua coletiva pós-jogo. Foi uma crítica velada que ele já havia feito à equipe de Amorim após o empate por 2 a 2 em janeiro.

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  • 'Bolas longas' e 'bloco baixo'

    Arne Slot declarou ao programa Match of the Day, da BBC:

    "É sempre difícil jogar contra uma equipe que se defende com um bloco baixo e aposta em bolas longas. Fica ainda mais complicado quando você sofre um gol logo no início, com um jogador caído no campo. Se alguém me dissesse antes do jogo que criaríamos tantas chances contra uma equipe assim, eu não acreditaria que perderíamos. Mas foi o que aconteceu."

    Ele repetiu a mesma linha na coletiva de imprensa:

    "Quando você enfrenta o United, com tantos jogadores talentosos, e eles jogam com um bloco baixo e lançamentos longos mesmo em Anfield, a última coisa que você quer é sair atrás no placar, porque isso lhes dá ainda mais confiança. Se alguém me dissesse que o United jogaria dessa forma e que, mesmo criando oito ou dez chances, nós acabaríamos perdendo, eu teria dito ‘impossível’. Mas foi o que aconteceu."

    Ironicamente, os números não sustentam suas declarações. O Liverpool registrou 27 bolas longas, contra 18 do Manchester United. Embora a posse de bola tenha sido amplamente favorável aos Reds, o United foi mais eficiente no uso desse recurso, pressionando e punindo o time da casa.

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    Na linha de fogo

    Num momento em que o Liverpool precisa fazer uma autorreflexão para entender o que está dando errado e como sair dessa fase, os comentários de Arne Slot apenas ampliaram o barulho externo e a avaliação da mídia. Muitos torcedores rivais e críticos o chamaram de “amargo” e “mau perdedor”.

    O técnico já havia provocado zoações antes mesmo do pontapé inicial no domingo, com uma reclamação que parece refletir o peso da pressão sobre ele. Slot criticou de forma curiosa a decisão de Rúben Amorim de mudar sua escalação e deixar Benjamin Sesko no banco, apesar da boa fase do atacante.

    “Vimos Sesko jogar nas últimas três, quatro, cinco ou seis partidas, mas quando vão enfrentar o Liverpool, mudam a escalação”, disse Slot. “Não é a primeira vez que enfrentamos um time que faz isso.”

    A declaração gerou uma reação dura entre torcedores rivais, que chamaram Slot de “patético pra c*ramba” por parecer irritado com o fato de o United não ter se alinhado da forma que ele esperava — soando como uma desculpa antes mesmo do jogo começar.

  • Liverpool v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    Hora de assumir a responsabilidade

    Para seu crédito, Slot atribuiu uma pequena parte da culpa pela derrota aos jogadores — e, por consequência, a si mesmo — embora sem fazer críticas contundentes. No entanto, ao questionar o árbitro por não interromper o jogo no lance que levou ao primeiro gol do Manchester United, quando Alexis Mac Allister sofreu uma lesão na cabeça (causada por Virgil van Dijk) instantes antes de Bryan Mbeumo marcar, o técnico soou mais desesperado do que convincente.

    “A segunda coisa que deu errado é que, de todas as chances que tivemos, marcamos apenas um gol”, disse ele. “É quase impossível vencer um grande jogo de futebol quando se tem um saldo negativo em bolas paradas. Sofremos mais um gol nesse tipo de lance, e isso levou à nossa derrota.”

    “Eu acho que o principal agora — o que eu deveria fazer agora — é não reclamar, não culpar, nem procurar desculpas. Poderíamos ter reagido melhor depois que Macca (Mac Allister) caiu, deveríamos ter feito melhor. Mas a saúde de um jogador é algo importante, e se ele precisa de quatro pontos na cabeça, espera-se que todos entendam que o tratamento deve ser imediato. Mas isso não aconteceu. Ainda assim, poderíamos ter feito melhor, então esse não é o motivo pelo qual perdemos. Perdemos porque desperdiçamos muitas chances.”

    Slot não está exatamente errado ao destacar as oportunidades perdidas, mas, após a quarta derrota consecutiva do Liverpool — a primeira sequência desse tipo em mais de dez anos —, o treinador precisa olhar mais profundamente para os problemas da equipe e começar a assumir parte da responsabilidade.

    Klopp, em contraste, sempre esteve disposto a fazer isso durante os períodos de queda de rendimento ao longo de sua vibrante passagem por Anfield. Mesmo em sua última temporada, após a derrota no clássico contra o Everton em abril de 2024, quando o sonho do título desmoronou, o alemão disse: “Você viu o jogo. Não foi o primeiro ruim, mas foi o pior. Vejo duas equipes (Arsenal e Manchester City) jogando um futebol realmente positivo, indo em busca da vitória. Podemos fazer isso, mas não estamos fazendo neste momento. Quem posso culpar por isso? É meu trabalho, até o último dia, garantir que os meninos sintam isso.”

    Certamente há mais autorreflexão a ser feita por Slot.

  • Slot WirtzGetty Images

    Decisões difíceis pela frente

    Essa responsabilização provavelmente virá na forma de algumas decisões difíceis na escalação, já que o Liverpool enfrenta uma crise de desempenho e confiança em todas as áreas do campo. Contra o Manchester United, Arne Slot manteve firme apoio a vários jogadores em má fase, da defesa ao ataque — incluindo o reforço Milos Kerkez, o talismã Mohamed Salah e o atacante de £125 milhões, Alexander Isak.

    Essa escolha acabou deixando no banco nomes importantes como Hugo Ekitike, Florian Wirtz, Jeremie Frimpong, Andrew Robertson, Federico Chiesa, Joe Gomez e o jovem Rio Ngumoha. Agora, parece claro que chegou o momento de ao menos alguns dos titulares habituais serem poupados e retirados temporariamente da linha de fogo.

    Essas decisões exigirão coragem de Slot, mas podem trazer benefícios significativos a longo prazo. Ekitike tem sido, indiscutivelmente, o melhor jogador do Liverpool nesta temporada. Chiesa mostrou em poucos minutos que pode ser decisivo, com três participações em gols em apenas 81 minutos de Premier League. Wirtz precisa ser aproveitado se for visto como o futuro do clube, já que cria mais chances por 90 minutos do que qualquer outro jogador da liga com mais de 200 minutos disputados. O entusiasmo juvenil de Ngumoha pode revitalizar um ataque estagnado. Gomez continua sendo um defensor confiável, e Konaté claramente precisa de um descanso.

  • Liverpool v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    A questão Salah

    Uma das decisões mais delicadas — e que exigirá mais coragem — envolve a permanência de Salah como titular, enquanto ele tenta desesperadamente recuperar a forma. Depois de liderar o Liverpool ao título da Premier League na temporada passada, o egípcio não marca com a bola rolando desde a primeira rodada deste campeonato. É a primeira vez desde que chegou a Anfield, em 2017, que ele passa sete jogos consecutivos na liga sem marcar um gol que não seja de pênalti.

    Seu último gol veio justamente de uma penalidade contra o Burnley, em 14 de setembro. A crise de confiança ficou evidente ao desperdiçar uma chance clara diante do Manchester United no domingo, sendo substituído por Slot poucos minutos depois de o time sofrer o segundo gol, em vez de permanecer em campo para tentar o empate.

    Lenda do clube, Jamie Carragher chegou a defender publicamente que Salah seja barrado. No The Gary Neville Podcast, ele afirmou: “Acho que estamos num ponto em que Salah não deveria ser titular garantido toda semana. Ele não deveria ser tratado como Van Dijk, como se fosse titular absoluto. O Liverpool tem dois jogos fora — contra o Frankfurt pela Champions League e depois contra o Brentford — e acho que Salah não deveria começar ambos."

    "Ele sempre deve ser titular em Anfield, porque o time domina lá, mas fora de casa, com a necessidade de ajudar mais na marcação, não acho que deva começar todos os jogos. Ele aceitaria isso? Provavelmente não. Mas quando você chega a certa idade, precisa compreender essa realidade — especialmente quando não está jogando bem. Qual seria o argumento contrário?”

    Slot, porém, indicou na coletiva pós-jogo que ainda não pretende adotar uma postura mais dura com sua estrela. “Acho que isso é normal. Nos primeiros cinco ou seis jogos, todas as perguntas que recebi foram sobre os novos jogadores. Agora vocês me perguntam sobre outro indivíduo, mas não acho que seja o momento de falar sobre desempenhos individuais”, disse o técnico.

    “Como equipe, esperamos mais do que estamos entregando no momento. E, como equipe, não estamos acostumados a ver um Liverpool — nem comigo, nem antes, com Jürgen (Klopp) — desperdiçar tantas chances. Como eu disse, Mo teve uma boa oportunidade hoje. Cody (Gakpo) talvez tenha tido quatro ou cinco. Hugo Ekitike chegou perto algumas vezes e Alexander Isak ficou cara a cara com o goleiro no primeiro tempo.”

  • Liverpool v Manchester United - Premier LeagueGetty Images Sport

    'Voltaremos a vencer jogos'

    Embora suas reações ressentidas e comentários de mau perdedor não ajudem em nada, reconhecer o problema é o primeiro passo para resolvê-lo — e Slot ao menos admitiu que o Liverpool enfrenta um grande desafio para voltar aos trilhos após essa sequência negativa nas últimas semanas.

    “Como treinador, você enfrenta desafios constantemente”, disse o holandês. “Quando você começa e precisa vencer jogos, quando assume um clube maior, quando é o sucessor de Jürgen Klopp e as pessoas dizem: ‘Este é o maior desafio da sua carreira.’ Agora, perdemos quatro vezes seguidas — e isso também é um desafio. A vida de um técnico de futebol é um desafio constante.”

    “Mas perdemos a confiança? Ainda não vejo isso, porque em todos os jogos que perdemos criamos uma quantidade impressionante de chances no segundo tempo. Se continuarmos produzindo o que estamos fazendo e melhorarmos alguns detalhes, há todas as razões para acreditar que voltaremos a vencer.”

    Para superar de fato esses desafios, porém, Slot precisará abandonar os desabafos pós-jogo, assumir a responsabilidade e refletir sobre o que ele e seus jogadores estão fazendo de errado. A temporada do Liverpool ainda é recuperável — mas o técnico enfrenta agora o maior teste de sua carreira.

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