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Aprendiz e mestre, desafetos e adversários: a relação turbulenta entre Tite e Felipão

A história do futebol brasileiro é recheada de grandes treinadores gaúchos. Nas últimas décadas, os dois maiores expoentes deste grupo são Luiz Felipe Scolari, o Felipão, e Adenor Bacchi, o Tite. Além de serem os últimos treinadores da seleção brasileira em Copas do Mundo, a dupla possui longa lista de ótimos trabalhos e grandes troféus conquistados.

Felipão está entre os maiores do Palmeiras em todos os tempos, enquanto Tite é, para muitos, o maior técnico da história do Corinthians. Hoje, contudo, eles estão no comando de Atlético-MG e Flamengo, respectivamente, e terão um encontro de gigantes no Maracanã, em jogo importantíssimo para os sonhos de título brasileiro de ambos.

  • Mestre e aprendiz, o choque de estrelas

    Quando falamos de Scolari e Tite, o roteiro que permeia a relação entre eles é digno de uma saga como Star Wars. É aquela velha história entre o mestre e aprendiz que, em determinado momento, acabam brigando e rompendo a relação.

    Tite começou a sua carreira como jogador profissional no Caxias. Estamos na década de 1970. Um veterano Luiz Felipe Scolari fazia sua transição de atleta para treinador e descobriu, em meio a jogos intercolegiais, um habilidoso meia que poderia render muito bem em sua equipe. O nome do guri? Adenor Bacchi.

    Adenor tinha um famoso apelido, Ade, e jogava ao lado de um menino conhecido como Tite. É isso mesmo que você leu. Tite não era o Tite. Ao menos não ainda. O apelido foi transferido porque Felipão, na hora de apresentar o menino, confundiu os nomes. E assim ficou. Tite teve sucesso na carreira profissional como jogador, após o empurrão inicial de Scolari, e o mesmo aconteceu quando fez o trajeto para a área técnica. Até por isso, nunca escondeu a gratidão que sentia pelo antigo mentor.

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  • “Fala muito!”, a quebra da amizade

    Mas os laços criados pelo futebol são, muitas vezes, encerrados pelo próprio futebol. O ambiente de rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, além de outras desconfianças que apenas o futebol brasileiro pode proporcionar, acabaram elevando isso a máxima potência a partir de 2010. A cadeia de acontecimentos que acabou culminando no rompimento da amizade é grande.

    Tudo começou em um Palmeiras x Fluminense, nas últimas rodadas do Brasileirão de 2010. Os tricolores disputavam o título nacional com o Corinthians, que dependia de um triunfo alviverde sobre o Flu para seguir forte na briga. Como habitual, muito se falou sobre a chance de os palmeirenses não jogarem a sério, para não beneficiar o arquirrival. De qualquer maneira, o Palmeiras fez um jogo sonolento, pouco interessado, e acabou sendo derrotado em casa. Segundo ficaria explícito posteriormente, Tite teria ficado incomodado com a grande falta de ímpeto da equipe comandada por Felipão naquela ocasião.

    Meses depois, já em 2011, logo após o Corinthians de Tite ser eliminado pelo Tolima na pré-Libertadores, Felipão fez uma defesa do trabalho do amigo e afirmou: se a permanência de Tite no Corinthians fosse depender do resultado do Derby Paulista que iria acontecer, Felipão sentenciou que preferiria perder o clássico – o que acabou acontecendo. As palavras ditas por Scolari após aquela derrota para os alvinegros enfureceram Adenor.

    “Cada um tem que cuidar da sua casa. E cuida bem da mulher que ele tem em casa, porque se cuidar da mulher do vizinho, os caras vão ‘chapar’ a mulher dele. Ele não tem que achar justificativa no Palmeiras para não ter conseguido o primeiro ou segundo lugar no Campeonato Brasileiro. Eu tentei apenas dizer que a derrota de um time proporcionar a saída de um bom técnico era um absurdo e que, se fosse isso, eu gostaria de perder. “, disse Felipão. “Falei isso pela amizade que tenho com ele. Agora se existe essa amizade ou não, deixa para lá”, completou.

    No encontro seguinte, pela semifinal daquele mesmo Campeonato Paulista de 2011, durante a partida (que seria vencida nos pênaltis pelo Corinthians) houve bate-boca entre os técnicos. Foi quando as câmeras de TV capturaram a imagem icônica, que passou a acompanhar Tite: com os polegares encostando nas pontas dos demais dedos de cada mão, em movimento contínuo, com o tom de voz e a cadência de fala peculiar, o então treinador corintiano disparava: “Fala muito!!!! Fala muito!!!”.

  • A admiração inegociável

    Mesmo em meio ao rompimento das relações, Tite e Felipão souberam separar o pessoal do profissional. Em 2012, chegaram a se abraçar antes de um outro clássico, com o intuito de diminuírem os ânimos que circulavam o confronto, mas ficou só naquilo. Elogios de parte a parte também aconteceram algumas vezes, mas sempre em tom mais direto, frio e inquestionável. A intimidade, contudo, ficou para trás e a relação pessoal foi cortada há 13 anos.

    “Tentei contato por e-mail duas vezes e não obtive resposta, aí vi que não ia ter diálogo e desisti”, disse Tite, em 2017, à ESPN ao falar sobre a relação com o antigo mestre. “Por que eu tenho que atender se quando eu solicitei eu não fui atendido? Nem ouviu o porquê daquilo. Então, tá bom”, explicou o mestre Scolari.

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