Mas os laços criados pelo futebol são, muitas vezes, encerrados pelo próprio futebol. O ambiente de rivalidade entre Corinthians e Palmeiras, além de outras desconfianças que apenas o futebol brasileiro pode proporcionar, acabaram elevando isso a máxima potência a partir de 2010. A cadeia de acontecimentos que acabou culminando no rompimento da amizade é grande.
Tudo começou em um Palmeiras x Fluminense, nas últimas rodadas do Brasileirão de 2010. Os tricolores disputavam o título nacional com o Corinthians, que dependia de um triunfo alviverde sobre o Flu para seguir forte na briga. Como habitual, muito se falou sobre a chance de os palmeirenses não jogarem a sério, para não beneficiar o arquirrival. De qualquer maneira, o Palmeiras fez um jogo sonolento, pouco interessado, e acabou sendo derrotado em casa. Segundo ficaria explícito posteriormente, Tite teria ficado incomodado com a grande falta de ímpeto da equipe comandada por Felipão naquela ocasião.
Meses depois, já em 2011, logo após o Corinthians de Tite ser eliminado pelo Tolima na pré-Libertadores, Felipão fez uma defesa do trabalho do amigo e afirmou: se a permanência de Tite no Corinthians fosse depender do resultado do Derby Paulista que iria acontecer, Felipão sentenciou que preferiria perder o clássico – o que acabou acontecendo. As palavras ditas por Scolari após aquela derrota para os alvinegros enfureceram Adenor.
“Cada um tem que cuidar da sua casa. E cuida bem da mulher que ele tem em casa, porque se cuidar da mulher do vizinho, os caras vão ‘chapar’ a mulher dele. Ele não tem que achar justificativa no Palmeiras para não ter conseguido o primeiro ou segundo lugar no Campeonato Brasileiro. Eu tentei apenas dizer que a derrota de um time proporcionar a saída de um bom técnico era um absurdo e que, se fosse isso, eu gostaria de perder. “, disse Felipão. “Falei isso pela amizade que tenho com ele. Agora se existe essa amizade ou não, deixa para lá”, completou.
No encontro seguinte, pela semifinal daquele mesmo Campeonato Paulista de 2011, durante a partida (que seria vencida nos pênaltis pelo Corinthians) houve bate-boca entre os técnicos. Foi quando as câmeras de TV capturaram a imagem icônica, que passou a acompanhar Tite: com os polegares encostando nas pontas dos demais dedos de cada mão, em movimento contínuo, com o tom de voz e a cadência de fala peculiar, o então treinador corintiano disparava: “Fala muito!!!! Fala muito!!!”.