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Man Utd Man City W+Ls GFX 16:9GOAL

Aonde estava este Manchester United? Os vencedores e perdedores na estreia espetacular de Michael Carrick como técnico

Enquanto Rúben Amorim era alvo de críticas constantes por parte de ex-jogadores do United, os comentaristas encontraram apenas elogios para a estreia de Michael Carrick no comando da equipe.

Wayne Rooney disse estar “absolutamente encantado” e “empolgado com os jogadores e com os torcedores — os fãs foram privados disso nos últimos anos”. Gary Neville fez um alerta de cautela, ao afirmar que “não é hora de se deixar levar”, mas mal conseguiu esconder o entusiasmo. “Um dia absolutamente incrível”, resumiu o ex-capitão do United. “Os gols ajudam, o resultado ajuda, mas, meu Deus, essa atuação era necessária. Michael Carrick jogou em grandes times do United, ele sabe como é.”

Até mesmo Roy Keane, que havia recebido Carrick no cargo apenas dois dias antes com críticas duras — inclusive direcionadas à esposa do treinador —, adotou um tom mais brando e classificou o momento como “um dia perfeito”. Mais relevante, porém, foi a resposta dos atuais jogadores do United, de quem Carrick extraiu uma atuação convincente no sábado e com quem trabalhará até o fim da temporada.

“Incrível, incrível”, disse Lisandro Martínez. “Acho que uma coisa importante que o Michael Carrick falou foi: ‘usem a energia das pessoas’. Hoje fizemos isso e, quando estamos juntos assim, é impossível perder em casa. Hoje você sente uma energia diferente quando olha nos olhos dos jogadores.”

Uma energia diferente era exatamente o que o United precisava após o ciclo de negatividade sob Amorim, marcado por comentários exagerados sobre a qualidade do elenco e ataques individuais aos atletas. Sob Carrick, o clube inicia um novo capítulo — e da melhor forma possível.

Abaixo, a GOAL analisa os vencedores e perdedores da estreia perfeita de Carrick.

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  • Manchester United v Manchester City - Premier LeagueGetty Images Sport

    VENCEDOR: Michael Carrick

    Na sexta-feira, Carrick foi questionado se o Manchester United havia se tornado um clube sem alma, mas rejeitou prontamente a ideia, afirmando que ainda existia muita magia em Old Trafford. Era exatamente o que torcedores e jogadores precisavam ouvir após a enxurrada de críticas feitas por Amorim. E o técnico interino, amparado pelo apoio incondicional das arquibancadas, conseguiu transformar discurso em prática e liberar essa magia.

    Com apenas três dias de trabalho com o elenco em Carrington, Carrick fez o time correr mais do que em qualquer momento sob o comando do antecessor ou durante os dois jogos dirigidos interinamente por Darren Fletcher. O United não pressionava seus adversários com tamanha intensidade desde a primeira temporada de Erik ten Hag. Além disso, foi implacável: mesmo após abrir o placar, seguiu explorando as fragilidades do City, buscou o terceiro gol e ainda teve três tentos anulados por impedimento.

    O ex-meio-campista tomou decisões ousadas na escalação inicial, mas todas se mostraram coerentes. Reintegrou Kobbie Mainoo, afastado durante a gestão de Amorim, e viu a equipe atuar com uma fluidez rara ao longo da temporada. Conseguiu encaixar Amad Diallo e Bryan Mbeumo no time e extrair o melhor de ambos, assim como de Patrick Dorgu, destaque pela esquerda do ataque. Até a opção por iniciar com Matheus Cunha no banco surtiu efeito: o brasileiro entrou elétrico, mudou o ritmo do jogo e deu a assistência para o segundo gol de Dorgu, depois de Mbeumo abrir o placar para um United dominante.

    Carrick sabe que o clube buscará um treinador de elite no verão europeu, mas é difícil contestar seu retrospecto nas duas passagens interinas até aqui: um empate e três vitórias, diante de equipes comandadas por Mikel Arteta, Unai Emery e, agora, Pep Guardiola.

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  • Ruben AmorimGetty Images

    PERDEDOR: Ruben Amorim

    O United esperou — e esperou — que o time de Rúben Amorim engrenasse, mas, após 14 meses, desistiu. A decisão acabou sendo inevitável diante da personalidade inflexível do treinador e de resultados considerados muito aquém do esperado. Carrick, por sua vez, precisou de apenas uma partida para obter uma resposta imediata do elenco.

    O estilo apresentado foi sensivelmente diferente. Em certa medida, mais conservador: o United teve apenas 32% de posse de bola e aceitou esperar o momento certo para ferir o City nos contra-ataques. Ao mesmo tempo, tratou-se de um jogo agressivo, sustentado por um plano de pressão bem direcionado, acionado sempre que surgia a oportunidade. Foi um futebol rápido e envolvente, do tipo que alimenta o imaginário do torcedor em Old Trafford — e que raramente se viu sob o comando do técnico anterior.

    Pode-se argumentar que Amorim teve azar ao perder Amad e Mbeumo por um mês, além de Fernandes por três partidas, justamente durante a sequência de resultados que culminou em sua demissão. Ainda assim, o treinador contou com o trio à disposição nos quatro primeiros meses da temporada, período em que houve apenas um momento realmente positivo: a série de três vitórias sobre Sunderland, Liverpool e Brighton, em outubro.

    Ao ver Fernandes florescer em uma função mais ofensiva e Amad ganhar impacto atuando aberto no ataque, e não como ala, o sistema de Amorim passou a parecer ainda mais engessado. A comparação ajudou a escancarar suas limitações e reforçou a convicção da diretoria do United de que a demissão, ainda que tardia, foi a decisão correta.

  • Manchester United v Manchester City - Premier LeagueGetty Images Sport

    VENCEDOR: Bruno Fernandes

    Era este Fernandes que a torcida do United implorava para ver — e não aquele preso a um meio-campo com apenas dois jogadores, responsável por ditar o ritmo desde trás, como ocorrera sob o comando de Amorim. Os fãs queriam ver o capitão liberado, e foi exatamente isso que aconteceu. Assim, ele foi decisivo na primeira vitória do clube em um dérbi em casa contra o City desde janeiro de 2023, quando também teve papel central no triunfo intenso e controverso por 2 a 1.

    Fernandes comandou o ataque do United, com praticamente todas as melhores jogadas passando por seus pés. Participou, inclusive, dos dois primeiros gols anulados da equipe: em um, deixou Amad em condições de finalizar; no outro, apareceu ligeiramente em posição de impedimento após concluir a jogada. Ainda que os tentos não tenham sido validados, serviram para alimentar a convicção de que o United poderia vencer o City. Não por acaso, quando o gol finalmente saiu, Fernandes estava no centro da ação. Ele arrancou pelo meio após receber passe de Mbeumo e, com o jogador da seleção camaronesa e Amad como opções, escolheu o primeiro — decisão que se mostrou correta.

    Carrick fez questão de exaltar a atuação do capitão. “Achei que ele foi fantástico, pela forma como atuou na posição. Ele é muito inteligente na ocupação dos espaços”, afirmou o treinador. “Teve também um papel defensivo disciplinado, ajudando a proteger o time pelo meio. Não foi só jogo ofensivo e positividade. Bruno tem muita qualidade, consegue se adaptar a essa função e é uma ameaça real. Ele fez a diferença.”

  • Manchester United v Manchester City - Premier LeagueGetty Images Sport

    PERDEDOR: Erling Haaland

    Pep Guardiola afirmou no início da semana que Erling Haaland estava “exausto” — e foi exatamente essa a impressão deixada no sábado. A atuação contrastou de forma contundente com o desempenho dominante do norueguês no dérbi anterior, disputado no Etihad Stadium em setembro, quando finalizou cinco vezes, marcou dois gols e ainda acertou a trave.

    Em Old Trafford, Haaland teve apenas duas tentativas, ambas bloqueadas por Lisandro Martínez e Harry Maguire, sem sequer exigir defesa do goleiro. Nos 80 minutos em que permaneceu em campo, tocou na bola apenas 14 vezes, incapaz de encontrar espaço às costas da defesa do United ou de impor qualquer tipo de ameaça consistente.

    O atacante, na prática, carregou o City no início da temporada, e o acúmulo de minutos parece cobrar seu preço. Haaland foi titular nos 22 jogos da equipe na Premier League, com média de 86 minutos por partida, e praticamente não teve descanso nas últimas semanas. Na terça-feira, em Newcastle, disputou seu primeiro jogo de Copa da Liga em quatro temporadas pelo clube. Também iniciou a partida contra o Exeter City, embora tenha passado em branco na goleada por 10 a 1 sobre o adversário da League One.

    A queda de rendimento diante do gol começa a acender um sinal de alerta no City. Haaland balançou as redes apenas uma vez nos últimos sete jogos — de pênalti, contra o Brighton. Seu último gol com a bola rolando foi marcado antes do Natal, na vitória em casa sobre o West Ham. A dificuldade em poupá-lo também se explica pela ausência de Omar Marmoush, que passou boa parte do período na Copa Africana de Nações, enquanto o Egito avançava até as semifinais.

    Marmoush deve retornar para o confronto de sábado contra o Wolves. Ainda assim, conhecendo Haaland, é pouco provável que ele aceite descansar — sobretudo diante do lanterna do campeonato, que representa a oportunidade mais evidente para encerrar a recente seca de gols.

  • Manchester United v Manchester City - Premier LeagueGetty Images Sport

    PERDEDOR: Phil Foden

    Phil Foden costuma brilhar em dérbis, mas esteve longe disso no sábado. Sem inspiração, foi substituído no intervalo, após 45 minutos apagados. A rigor, já havia motivos para questionar sua presença entre os titulares, diante de algumas atuações recentes abaixo do esperado — e foi, ao que tudo indica, seu histórico impressionante contra o rival que o manteve na escalação inicial.

    Em campo, porém, Foden pouco conseguiu produzir. Teve dificuldades para se conectar com Haaland e, em vez de incomodar a defesa do United, viu a responsabilidade de tentar algo diferente recair sobre Jeremy Doku, que procurou desafiar a surpreendentemente sólida linha defensiva dos Red Devils. A única contribuição mais perigosa de Foden veio em uma cobrança de escanteio, que resultou na cabeçada de Max Alleyne, defendida por Senne Lammens.

    O meia deixou o gramado aparentando algum desconforto físico, mas Guardiola tratou de afastar qualquer suspeita de lesão. Questionado sobre o assunto, foi direto: “Não, foi uma decisão minha”.

    Resta agora observar qual será a escolha de Guardiola para o próximo compromisso do City, contra o Bodo/Glimt, na terça-feira. Pelo desempenho recente, Foden parece cada vez mais próximo de perder espaço na equipe.

  • Marc Guehi(C)Getty Images

    VENCEDOR: Marc Guehi

    Marc Guéhi ficou livre para acompanhar o dérbi pela televisão após receber autorização para não atuar pelo Crystal Palace, enquanto aguarda a conclusão de sua iminente transferência para o City. Ao assistir ao jogo, porém, pode ter experimentado sentimentos ambíguos.

    Seria compreensível algum sinal de apreensão ao ver que a equipe à qual está prestes a se juntar apresentou enorme instabilidade defensiva, especialmente vulnerável aos contra-ataques. Ao mesmo tempo, o zagueiro da seleção inglesa provavelmente enxergou ali a chance de se tornar um herói imediato no Etihad, entrando diretamente no time e levando um mínimo de organização a um setor que foi completamente desmontado pelos maiores rivais.

    Guéhi chega a um City desfalcado de seus três principais zagueiros centrais: Josko Gvardiol está fora pelo restante da temporada, Rúben Dias pode ficar afastado por mais um mês, e John Stones segue sem data definida para retorno, com futuro incerto às vésperas do fim de seu contrato.

    Nathan Aké, por sua vez, convive com recorrentes problemas físicos e pareceu bastante desconfortável diante de Amad, enquanto Max Alleyne, aos 20 anos, disputa sua primeira temporada no futebol profissional, após ter sido chamado de volta do empréstimo ao Watford em meio a circunstâncias excepcionais. Guéhi talvez precise esperar até o próximo ano, no melhor dos cenários, para conquistar seu primeiro título da Premier League com o novo clube. Ainda assim, tem tudo para oferecer um ganho imediato no coração da defesa do City.

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