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“Angibol”... A história da filosofia de Posticoglu que uniu Guardiola e Flick e que assusta Ronaldo

Parece que a torcida do Al-Nasr terá contato com uma filosofia de jogo relativamente nova na próxima temporada, após a nomeação do australiano Ange Postecoglou como técnico da equipe.

O Al-Nasr anunciou, ontem, sexta-feira, a contratação de Postecoglou como técnico da equipe, sucedendo ao treinador português Jorge Jesus, com um contrato de duas temporadas, que termina em 2028.

  • Angibol... uma filosofia que Jesus aprecia

    O novo técnico do Al-Nassr tem uma filosofia própria, a ponto de ter sido apelidada de “Angibol” ou “Futebol do Angi”, que se assemelha bastante àquela adotada pelo ex-técnico Jorge Jesus, com algumas diferenças.

    Esse nome surgiu quando Postecoglou era diretor técnico do Celtic, entre 2021 e 2023, período em que os traços de sua filosofia ficaram evidentes e contribuíram para que a equipe conquistasse cinco títulos em duas temporadas, antes de ele dar continuidade a esse trabalho no Tottenham.

    O técnico australiano aprecia a ideia de dominar todas as partidas, seja na vitória, no empate ou na derrota, com o time completo ou com faltas, e utiliza todos os métodos possíveis para alcançar esse domínio.

    Os principais traços dessa filosofia ficam evidentes na construção do jogo, onde Postecoglou segue um estilo diferente do de muitos treinadores: construir os ataques a partir do fundo do campo, e não pelas laterais.

    Isso parece extremamente difícil, mas Ange encontra a solução adequada para aplicar essa filosofia: criar densidade no meio-campo, contando com seis jogadores no processo de construção, todos posicionados no centro do campo.

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  • Uma oportunidade de ouro para Al-Aqidi

    O primeiro desses seis elementos é o goleiro, em quem Posticoglou confia fundamentalmente na construção de jogadas; sem ele, o processo não pode ser concluído corretamente.

    Isso representa uma oportunidade de ouro para o goleiro saudita Nawaf Al-Aqidi, depois de ter perdido a vaga de titular no meio da temporada passada para o brasileiro Pinto, devido aos erros que cometeu contra o Al-Qadisiyah e o Al-Hilal.

    Al-Aqidi se destaca do goleiro brasileiro por sua habilidade em jogar bem com os pés, o que pode levar o técnico australiano a escalá-lo, a fim de construir os ataques de maneira correta, ao mesmo tempo em que corrige seus erros na defesa do gol.

  • A crise de Al-Khaibari... e o substituto de Prozorović

    Além disso, Posticoglou conta com a dupla de zagueiros centrais na construção de jogadas, o que torna necessário que eles sejam capazes de jogar sob pressão e dar passes precisos — características presentes na dupla formada por Mohamed Simakan e Iñigo Martínez, bem como em Abdul-Ilah Al-Omari.

    Na mesma linha, está o meio-campista defensivo, que também deve ser capaz de receber a bola, protegê-la sob pressão e sair com ela de forma segura — algo que não se vê em Abdullah Al-Khaibari.

    Caso o meio-campista croata Marcelo Brozović permaneça no clube, espera-se que ele assuma essa função; no entanto, todos os relatos confirmam que ele deixará o time durante a janela de transferências de verão, após o término de seu contrato.

    Portanto, o Al-Nassr terá que contratar um substituto com as mesmas características, para que as ideias do técnico australiano sejam bem-sucedidas, especialmente porque não há outro jogador capaz de desempenhar as mesmas funções no elenco atual, nem mesmo o brasileiro Ângelo.

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  • Os principais aspectos da filosofia de Guardiola

    O elemento mais marcante da filosofia ofensiva de Posticoglou são os laterais, que desempenham funções diferentes das tradicionalmente atribuídas a qualquer lateral do mundo, por meio da filosofia do “lateral invertido”.

    O espanhol Pep Guardiola, ex-técnico do Barcelona, do Bayern de Munique e do Manchester City, foi um dos principais pioneiros dessa tática, que, como o próprio nome indica, atribui aos laterais funções invertidas em relação ao convencional.

    De acordo com essa filosofia, os laterais se deslocam para o centro do campo, e não para as laterais, a fim de aumentar o número de jogadores no meio-campo e encontrar o jogador livre capaz de receber a bola e levá-la para fora do primeiro terço do campo.

    Essa filosofia ajuda muito no aspecto ofensivo, já que o avanço dos laterais ao lado do volante defensivo dá ao outro volante liberdade para avançar e apoiar o quarteto de ataque — algo que Angelo sabe fazer com maestria.

    No entanto, os laterais também devem possuir grande habilidade no jogo com os pés, pois serão chamados a participar da construção do ataque a partir da retaguarda, o que é muito mais difícil do que atuar nas laterais do campo.

  • O estilo de Hans Flick

    Essas características podem parecer um pouco radicais, mas o que é ainda mais radical são as características defensivas, que começam assim que a bola é perdida, já que Postojoglu exige que seus jogadores exerçam uma pressão intensa para recuperar a bola o mais rápido possível.

    Talvez o objetivo de colocar os laterais no meio-campo seja ajudar a exercer a pressão reversa e recuperar a bola o mais rápido possível, já que eles ficam mais próximos das áreas de jogo do adversário, o que os ajuda a se envolverem no processo de pressão.

    Isso também é facilitado pelo fato de praticamente toda a equipe estar no campo adversário, já que Postecoglou aposta em uma defesa extremamente avançada, chegando até mesmo a posicionar-se na linha do meio-campo, assim como faz o técnico alemão Hans Flick com o Barcelona.

  • O apuro de Ronaldo

    De modo geral, o técnico australiano aposta na ideia de uma rotação contínua entre todos os jogadores em campo, especialmente o quarteto de ataque, com o objetivo de desorganizar as defesas adversárias e neutralizar qualquer efeito da marcação individual.

    Isso pode representar um desafio para o astro português Cristiano Ronaldo, especialmente diante do declínio de sua forma física nos últimos anos e de sua tendência a atuar constantemente como atacante puro, sem se deslocar pelas laterais.

    As dificuldades de Ronaldo ficam ainda mais evidentes no aspecto defensivo, já que o técnico australiano não isenta nenhum de seus jogadores da pressão defensiva para recuperar a bola rapidamente — algo que o astro português não será capaz de cumprir.

  • Desastres em Angibol

    Por mais que essa filosofia dê à equipe de Postojoglu a capacidade de dominar o jogo e controlar os adversários, ela pode resultar em desastres caso ocorram erros, especialmente na construção do ataque.

    Com os laterais avançando para o fundo do campo durante a construção do ataque, as laterais ficam completamente desprotegidas, o que torna a perda da bola nessa fase um verdadeiro suicídio e ameaça diretamente o gol da equipe.

    Além disso, a defesa alta, que pode chegar até a linha do meio-campo, é capaz de causar danos à defesa da equipe, caso o adversário consiga lançar bolas longas e precisas para jogadores velozes sem cair na armadilha do impedimento.

    Esses problemas, especificamente, são os pontos fracos evidentes na filosofia de Posticoglou, e são eles que fizeram com que as equipes que ele treinou parecessem agressivas no ataque e frágeis na defesa.

  • Entre a flexibilidade e a rigidez

    O maior problema, que pode agravar as dificuldades dessa filosofia, é a aparente rigidez do técnico australiano, que insiste em jogar da mesma maneira em todas as partidas, independentemente das circunstâncias.

    Foi exatamente isso que aconteceu durante a derrota de Posticoglou com seu antigo time, o Tottenham, para o Chelsea por 1 a 4, em novembro de 2023, quando ele foi obrigado a terminar a partida com apenas 9 jogadores.

    Apesar de estar com o time reduzido, o técnico australiano se recusou a mudar o estilo de jogo e insistiu na pressão alta e na defesa avançada até a linha do meio-campo, o que surpreendeu a todos na ocasião.

    O curioso é que Postecoglou defendeu essa decisão após a partida, afirmando: “Essa é a nossa maneira de jogar, e sempre seguiremos assim”, o que alguns consideraram uma rigidez que prejudica a equipe mais do que a beneficia.

    No entanto, Postecoglou abandonou essa teimosia na campanha do Tottenham rumo ao título da Liga Europa de 2025, quando adotou um estilo mais conservador, especialmente na final contra o Manchester United — o que alguns consideraram uma mudança significativa em sua personalidade.

  • Como é que o Al-Nasr joga sob o comando de Postojoglu?

    Postekoğlu sempre recorre ao esquema 4-3-3 ou 4-4-1-1, e este último parece ser o mais provável de ser adotado no Al-Nasr, considerando os jogadores de que dispõe.

    E, de acordo com os jogadores disponíveis no Al-Nasr no momento, parece mais provável que Bosticoglu conte com Nawaf Al-Aqidi como goleiro titular na próxima temporada, para ajudar na construção do ataque.

    A dupla de zagueiros será formada por Mohammed Simakan e Iñigo Martínez, com Nawaf Bouchel na lateral direita e Ayman Yahya ou Saad Al-Nasser na lateral esquerda, devido à capacidade deles de controlar melhor a bola na construção de jogadas.

    No meio-campo, o Al-Nassr precisará de um substituto para Brozović com as mesmas características, para participar da construção de jogadas, com Angelo atuando ao seu lado em uma função mais livre.

    Já o quarteto de ataque será o mesmo que brilhou na temporada passada, composto pelo senegalês Sadio Mané pela esquerda, pelo francês Kingsley Coman pela direita e pelo português João Félix na ponta, atrás de seu compatriota Cristiano Ronaldo.

    Resta a grande dúvida sobre até que ponto Ronaldo será capaz de se adaptar às ideias radicais de Postecoglou, seja em termos da rotação constante com o trio de ataque, seja da forte pressão para recuperar a posse de bola.

  • A provável escalação do Al-Nasr sob o comando de Postojoglu

    Goleiro: Nawaf Al-Aqidi

    Defesa: Nawaf Bouchel – Mohammed Simakan – Iñigo Martínez – Saad Al-Nasser

    Meio-campo: Kingsley Coman – Brozović (reserva) – Angelo – Sadio Mané

    Ataque: João Félix – Cristiano Ronaldo