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AltitudeReprodução

Altitude no futebol: entenda os efeitos na vida do atleta

"Terror" das equipes brasileiras, o desafio da altitude se torna, mais uma vez, o centro das atenções. Ela é, historicamente, um dos maiores receios dos clubes nas competições continentais, com a falta de adaptação do organismo a ambientes acima do nível do mar representando um obstáculo considerável.

A questão não envolve apenas o adversário, mas também as condições atmosféricas. Em grandes altitudes, a principal mudança não está na porcentagem de oxigênio, que permanece em 20,9%, mas na queda da pressão atmosférica. Com a pressão menor, há menos moléculas de oxigênio disponíveis por volume de ar inspirado.

Na prática, isso significa que, a cada respiração, cerca de meio litro de ar que entra nos pulmões, o atleta absorve menos oxigênio. Quanto maior a altitude, menor a quantidade disponível. O resultado é direto: menos oxigênio no sangue e menor produção de energia pelos músculos, afetando desempenho físico e capacidade de recuperação durante a partida.

Atletas adaptados a essas condições desenvolvem mecanismos compensatórios, como o aumento do número de glóbulos vermelhos no sangue, elevando a capacidade de transporte de oxigênio. Ainda assim, a baixa oxigenação pode provocar sintomas conhecidos como mal das alturas: tontura, náusea, dor de cabeça e mal-estar geral, que podem comprometer seriamente a performance esportiva.

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  • Futebol na AltitudeTim Clayton/Corbis

    Como a altitude atua em cada elevação?

    Os efeitos da altitude variam de acordo com a elevação. A partir de 1.500 metros, o corpo humano já pode começar a sentir diferenças.

    Contudo, os sintomas mais comuns tendem a surgir acima dos 2.000 metros. Nessa faixa, é frequente a ocorrência de dores de cabeça, náuseas, tonturas, desconforto gástrico, vômitos, sensação de falta de ar, fadiga e letargia. Há também aumento do risco de complicações cardiovasculares, especialmente em indivíduos com histórico de problemas cardíacos. Cidades como Quito exemplificam esse cenário.

    Quando a altitude ultrapassa os 3.000 metros, o impacto é ainda mais significativo. Além do agravamento dos sintomas já mencionados, cresce o risco de edema pulmonar, acúmulo de líquido nos pulmões causado pela dificuldade do coração em bombear o sangue nessas condições. La Paz é o caso mais emblemático nesse contexto.

    Em altitudes superiores a 4.000 metros, como em El Alto, surge também a preocupação com o edema cerebral. Embora mais comum acima dos 5.000 metros, realidade enfrentada por alpinistas, e não por jogadores de futebol, o risco reforça a dimensão do desafio para equipes que atuam em estádios extremamente elevados.

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  • Como minimizar os efeitos?

    A forma mais eficaz de reduzir os impactos da altitude é a aclimatação. Especialistas indicam que um período de duas a três semanas no local da competição permite que o organismo se adapte gradualmente à nova pressão atmosférica.

    A principal adaptação fisiológica envolve o aumento da hemoglobina, proteína responsável pelo transporte de oxigênio no sangue. Mesmo com menor disponibilidade de oxigênio no ambiente, o aumento da hemoglobina melhora a eficiência do transporte, ajudando a normalizar a frequência cardíaca e a ventilação pulmonar.

    No entanto, o calendário apertado do futebol dificulta períodos longos de preparação em altitude. Assim, a estratégia mais comum entre os clubes é chegar à cidade do jogo poucas horas antes da partida e deixar o local imediatamente após o apito final.

    Além disso, é frequente a presença de cilindros e balões de oxigênio nos vestiários e bancos de reservas para auxiliar os atletas visitantes.

  • LibertadoresReprodução

    Desafio na Libertadores

    O Botafogo será o primeiro brasileiro a enfrentar a altitude na Libertadores de 2026. O Alvinegro encara o Nacional de Potosí no Estádio Víctor Agustín Ugarte, na Bolívia, localizado a quase 4.000 metros acima do nível do mar.

    A partida está marcada para esta quarta-feira (18), às 21h30 (de Brasília), e representa o primeiro grande teste físico do futebol brasileiro na competição continental nesta temporada.

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