Outro ponto abordado pelo treinador foi o gramado sintético da Arena da Baixada. Após a partida, Rodrigo Garro afirmou que o campo “atenta contra o corpo” dos atletas. Memphis Depay e Neymar também já haviam utilizado as redes sociais para reclamar das condições do estádio.
Dorival reconheceu que o uso é autorizado pela CBF, mas ressaltou que há uma vantagem significativa para quem está acostumado ao tipo de piso.
“Se está autorizado pela CBF, ponto, nós não temos que ficar discutindo. Que é vantajoso para quem atua dentro do seu campo, é natural. A vantagem é muito grande. O jogo é muito mais rápido, muito diferente de um gramado natural. Esse é um aspecto”, explicou.
O técnico ainda comparou o cenário brasileiro com o europeu, onde, segundo ele, o uso de gramados sintéticos já não é amplamente permitido.
“Em boa parte da Europa já não se permite isso, e nós tínhamos que levar isso em consideração. Estamos sempre na contramão do que vem acontecendo lá fora. Nós temos que estar conscientes daquilo que estamos proporcionando aos nossos profissionais.”
Dorival relembrou inclusive sua própria experiência enfrentando o Athletico em temporadas anteriores.
“O Athletico já tem esse campo há um bom tempo. Todos nós sabemos. Eu mesmo já estive a favor do Athletico e sei da vantagem que nós levamos em muitas partidas em razão do desconhecimento do adversário, sabemos como tirar proveito de uma situação como esta.”
Para o treinador, o debate envolve dois pilares históricos do futebol brasileiro: a revelação de talentos e a qualidade dos gramados em um país de clima predominantemente tropical.
“Para vocês verem que são dois fatores que, para mim, conflitam muito com aquilo que nós sempre fizemos: revelarmos atletas e termos gramados em condições, por sermos um país tropical. É impossível que isso não aconteça. Na Europa, são 50 dias do ano sem ver sol, e os gramados lá são perfeitos. Não é possível que não possamos atingir um momento como este dentro do nosso país, independente do estado em que estivermos”, finalizou.