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Raphinha e Vini JrGetty/GOAL

O que acontece? Destaques em seus clubes, Vinícius Jr. e Raphinha não conseguem deslanchar na seleção

A derrota por 2 a 1 para a França, em amistoso disputado na última quinta-feira (26), nos Estados Unidos, reacendeu um debate que já acompanha a seleção brasileira há algum tempo: por que Vinícius Jr. e Raphinha rendem tão pouco com a camisa amarela?

Diante de um adversário direto na elite do futebol mundial, ambos voltaram a ter atuação discreta. Vinícius Jr. foi amplamente criticado pela imprensa internacional, com poucos dribles certos, muitas perdas de posse e quase nenhuma efetividade ofensiva. Já Raphinha atuou apenas por 45 minutos e ainda deixou o campo com dores, sem conseguir influenciar o jogo.

A avaliação geral foi dura: jogo apagado da dupla, que deveria ser o motor ofensivo do time, mas acabou ofuscada, inclusive por jogadores menos badalados, como Luiz Henrique, que mudou o ritmo da equipe ao entrar no intervalo.

Mas afinal, por que Vinícius Jr. e Raphinha não conseguem deslanchar na seleção?

  • Raphinha e Vini JrGetty/GOAL

    Protagonistas na Europa

    O contraste é ainda mais evidente quando se observa o desempenho dos dois em seus clubes.

    Vivendo grande fase por Real Madrid e Barcelona, respectivamente, Vinícius Jr. e Raphinha acumulam números que os colocam entre os jogadores mais decisivos do futebol mundial na temporada.

    Se baseando na temporada europeia, em 2025/26 os números impressionam: o jogador do Barcelona possuí 19 gols e oito assistência em 31 jogos, enquanto o atacante do Real Madrid, em 47 jogos, soma 17 gols e 13 assistências.

    Somados, são 57 participações diretas em gols. Dados que superam diversas duplas de ataque de outras seleções.

    Mas o futebol vai além das estatísticas e, além dos números, há o impacto: ambos são protagonistas em seus clubes, decisivos em jogos grandes e frequentemente colocados em debates de melhores do mundo. Em 2025, Raphinha foi eleito o 2º melhor jogador do mundo pelo prêmio da FIFA (The Best). Enquanto em 2024, Vini Jr. foi eleito o melhor do mundo, também pela FIFA (The Best).

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  • Brazil v Uruguay - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    Números que não se repetem na seleção

    Se na Europa os dois sobram, na seleção brasileira os números são bem mais modestos e, principalmente, irregulares.

    Vinícius Jr., por exemplo, soma apenas 8 gols e 7 assistências em 46 jogos pela seleção principal, desempenho considerado abaixo do esperado para um jogador do seu nível.

    Já Raphinha, apesar de bons momentos pontuais, também nunca conseguiu manter sequência de alto nível, e conta com 11 gols e sete assistências em seus 37 jogos.

    Se pegarmos o recorte apenas de competições importantes, como Copa América e Copa do Mundo, o desempenho é ainda pior: somando os números da dupla, são 20 jogos, quatro gols e duas assistências.

  • Argentina v Brazil - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    Expectativa alta e responsabilidade ainda maior

    A pressão sobre a dupla não é à toa.

    Desde a saída gradual de protagonismo de Neymar, Vinícius Jr. e Raphinha passaram a ser vistos como os novos líderes técnicos da seleção. Ambos já estiveram na Copa do Mundo de 2022 e devem ser peças centrais no mundial de 2026.

    O problema é que, até aqui, essa expectativa não se traduz em desempenho consistente com a camisa da seleção, especialmente em jogos grandes.

    Em partidas contra seleções mais relevantes, como Argentina, Espanha, Inglaterra, Croácia e França, nenhum dos dois nunca marcou ou deu assistência.

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  • Venezuela v Brazil - FIFA World Cup 2026 QualifierGetty Images Sport

    Por que o rendimento é baixo?

    O debate é complexo, mas alguns fatores ajudam a explicar o fenômeno:

    - Estrutura coletiva diferente: Nos clubes, Vinícius Jr. e Raphinha atuam em sistemas consolidados, com entrosamento e funções bem definidas. Na seleção, ainda há oscilações táticas e testes constantes, o que impacta diretamente o rendimento ofensivo.

    - Falta de conexão no ataque: Diferente do que ocorre no Real Madrid e no Barcelona, a dupla ainda não construiu uma química sólida entre si na seleção, muitas vezes atuando de forma isolada.

    - Menor tempo de treino: Enquanto nos clubes há rotina diária de trabalho, na seleção o tempo é curto. Isso dificulta o entrosamento, especialmente para jogadores que dependem de combinações rápidas e movimentações coordenadas.

    - Pressão e contexto psicológico: Vestir a camisa da seleção brasileira carrega um peso histórico enorme, ainda mais para quem é apontado como sucessor de Neymar. O desempenho abaixo aumenta a cobrança e pode afetar a confiança.

    - Funções diferentes em campo: Na seleção, Vinícius Jr. frequentemente recebe menos bolas em condições ideais ou atua em funções mais engessadas, o que reduz seu impacto. Enquanto Raphinha costuma atuar do lado contrário em que joga no Barcelona.

  • FBL-WC-2026-SAMERICA-QUALIFIERS-VEN-BRAAFP

    Um problema a resolver antes da Copa

    Faltando pouco mais de 70 dias para a Copa do Mundo de 2026, o Brasil vive um paradoxo: tem dois dos melhores atacantes do mundo em atividade, mas ainda não conseguiu transformá-los em protagonistas com a camisa da seleção.

    A derrota para a França foi mais um capítulo desse enigma.

    E, se quiser sonhar com o hexacampeonato, a seleção brasileira precisará, mais do que nunca, encontrar a solução para Vinícius Jr. e Raphinha.