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A tríplice da La Liga: Mourinho é capaz de matar o sonho do Barcelona?

O Barcelona começou a temporada 2026-2027 fazendo com que a ideia de conquistar o título do Campeonato Espanhol, pela terceira vez consecutiva, parecesse quase inevitável.

A equipe do treinador Hansi Flick iniciou a atual temporada com quatro vitórias consecutivas no Campeonato Espanhol, marcando 17 gols e sofrendo apenas dois, antes de dar sequência aos seus fortes resultados com uma goleada sobre o Feyenoord por 5 a 1 na Liga dos Campeões da Europa.

Em contrapartida, o Real Madrid já sofreu uma derrota em La Liga sob o comando de José Mourinho, ao perder por 1 a 0 para o Real Betis.

O site Tribuna mencionou, em uma reportagem extensa, que o Real recorreu a Mourinho por acreditar que o Barcelona impôs uma hegemonia que precisa de alguém para detê-la. 

E os pontos fortes de Mourinho podem ser, justamente, adequados de forma incomum para transformar a disputa pelo título de La Liga em uma competição mais difícil e acirrada.

O Barcelona busca alcançar um feito que, no século 21, apenas Pep Guardiola conseguiu: vencer o Campeonato Espanhol por três temporadas seguidas. Ao mesmo tempo, Mourinho voltou ao clube que já havia levado ao título do campeonato com 100 pontos, e recebeu um grupo de jogadores com quem se gastaram quantias enormes para contratar, e deixou claro desde o início que a vitória não é negociável.

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  • mourinho(C)Getty Images

    O plano já testado de Mourinho funcionará diante do Barcelona?

    A primeira razão que torna a disputa pelo título interessante é que o Barcelona reforçou a equipe que venceu o Campeonato Espanhol na temporada passada.

    Rodri é uma das contratações mais importantes, e o Barcelona gastou cerca de 174 milhões de euros em suas contratações do verão, com a chegada de Rodri, vindo do Manchester City, além de Anthony Gordon, Karim Adeyemi, Gabriel Jesus e outros. Trata-se de um luxo excepcional para Flick, pois, na temporada passada, a maior vantagem do Barcelona sobre o Real Madrid consistia justamente na sua capacidade de afogar os adversários com pressão ofensiva e uma grande quantidade de movimentações ofensivas. E agora ele adicionou um dos melhores jogadores do mundo no controle do ritmo de jogo no meio-campo.

    É provável que Rodri permita a Pedri avançar de forma mais intensa e com maior liberdade, ao mesmo tempo em que oferece ao Barcelona outro jogador capaz de controlar o ritmo das partidas quando a intensidade inicial da equipe já não for suficiente, e já vimos indícios disso. O desempenho do Barcelona no início da temporada foi o melhor durante a era Flick, e Raphinha começou a temporada de forma brilhante, mas o mais importante é que ele se tornou, de repente, a solução para o problema do atacante que se esperava que o Barcelona enfrentasse após as saídas de Lewandowski e Ferran Torres.

    Raphinha marcou 8 gols em suas primeiras 5 partidas nesta temporada, sendo seis gols nas primeiras quatro partidas do Campeonato Espanhol, e, aos 19 anos, Yamal já se tornou um dos líderes do Barcelona, depois que seus companheiros lhe concederam essa responsabilidade. Ele também declarou com clareza que a Liga dos Campeões da Europa é seu principal objetivo, numa indicação de que as ambições do Barcelona ultrapassaram a mera dominação sobre a Espanha.

    Mas o maior ponto fraco potencial do Barcelona consiste na sua capacidade de manter essa intensidade excepcional ao longo de uma temporada em que a Liga dos Campeões da Europa se tornou uma prioridade muito clara, e é aqui que entra o papel de Mourinho, pois o Real Madrid pode ter de superar o Barcelona transformando a disputa pelo título em um teste de resistência.

    Mourinho já mostrou indícios de que percebe a importância de controlar as partidas em vez de simplesmente impor a dominação sobre elas, já que a equipe de Mourinho no Real Madrid parece, em seu início, mais complexa do que a imagem estereotipada habitual sobre ele. Diante do Málaga, ele ficou satisfeito em permitir que o Real Madrid se apoiasse nos contra-ataques em vez de insistir na posse de bola, e ainda assim a equipe criou nove chances perigosas e venceu por 4 a 0.

    Já a partida contra a Inter de Milão apresentou o exemplo oposto, pois o Real Madrid voltou a atacar com força nas transições ofensivas e criou nove chances perigosas contra quatro da Inter, mas também permitiu que o adversário finalizasse 21 vezes, e teve de recorrer a sete defesas de Thibaut Courtois.

    Mourinho admitiu depois disso que não gostou do estado de caos, e disse que preferia que sua equipe marcasse cinco ou seis gols tendo controle absoluto sobre a partida, e essa é a imagem mais clara do que ele tenta construir, pois ele fica satisfeito que o Real Madrid se apoie nos contra-ataques para punir seus adversários, mas não quer que essas transições se transformem em partidas abertas semelhantes a uma troca de gols.

    E diante do Barcelona, esse equilíbrio pode ser decisivo, porque o Real Madrid possui a velocidade necessária para ferir o Barcelona nos contra-ataques, mas permitir a Yamal, Raphinha e Pedri essa mesma liberdade seria pedir por problemas, e Mourinho elogiou especificamente a coesão de sua equipe merengue, e explicou como a organização contribuiu para a construção do gol de Valverde, e este pode ser o ponto mais importante no Real Madrid atual.

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  • Vinicius Junior Lamine Yamal Real Madrid BarcelonaGetty

    O Real Madrid tem algo que o Barcelona não possui no mesmo grau

    A ideia atual do Barcelona se baseia em sufocar os adversários com pressão, movimentação e superioridade técnica, mas, sempre que o Real Madrid conseguir forçar as partidas a se transformarem em batalhas táticas em vez de confrontos abertos, a experiência de Mourinho se torna ainda mais importante.

    Há também um motivo histórico que impede descartar essa possibilidade: o Barcelona impôs seu domínio nos últimos confrontos do Clássico. Desde a chegada de Flick, o Barcelona venceu três dos últimos quatro duelos no Campeonato, entre eles a vitória por 2 a 0 na temporada passada, que praticamente decidiu o título e obrigou o Real Madrid a encerrar mais uma temporada sem conquistas.

    Por isso, a primeira grande missão de Mourinho será mudar a relação psicológica entre as duas equipes, e o primeiro Clássico será realizado no dia 25 de outubro no estádio Camp Nou. Apesar de o Barcelona ter maior embalo no momento, Mourinho entrará em campo ciente de que uma única vitória pode mudar toda a narrativa em torno da disputa pelo título.

    O Real Madrid possui algo que o Barcelona não tem no mesmo nível: um elenco que reúne vários jogadores capazes de decidir partidas com suas habilidades individuais. Kylian Mbappé continua sendo um artilheiro de altíssimo nível, enquanto Vinícius Júnior é capaz de destruir qualquer defesa sozinho; Jude Bellingham dá ao Real Madrid um outro caminho para chegar à grande área, ao passo que Fede Valverde oferece força física e flexibilidade tática. A missão de Mourinho é fazer com que essas capacidades individuais funcionem de forma coletiva. E esse é o risco.

  • As maiores batalhas de Mourinho dentro do vestiário do Real Madrid

    Se o Barcelona é uma máquina bem lubrificada, o Real Madrid, sob o comando de Mourinho, ainda é um projeto em construção.

    As contratações do verão nos dizem exatamente o que o clube quis fazer. Marc Cucurella, Ibrahima Konaté, Denzel Dumfries, Bernardo Silva e Yan Diomandé foram os reforços mais destacados, enquanto Endrick e Carlos Esbí retornaram de seus períodos de empréstimo.

    O elenco final do Real Madrid conta com 26 jogadores, embora Mourinho prefira um grupo menor, de cerca de 22 atletas.

    Isso oferece a Mourinho algo extremamente valioso ao longo da temporada do campeonato, composta por 38 partidas: o luxo das opções disponíveis.

    Ele obteve uma base muito mais forte em várias posições importantes. Cucurella não é apenas mais um lateral-esquerdo para se revezar com Mendy. Diante dos problemas físicos de Mendy, o jogador espanhol representa uma evolução clara, e Mourinho insistiu especificamente em contratá-lo. Além disso, sua capacidade de defender com força e contribuir na posse de bola dá ao Real Madrid uma opção mais convincente no lado esquerdo.

    Já Konaté é a aposta mais interessante. Ele não foi nem de longe perfeito em sua última temporada com o Liverpool, e seu nível passou a ser motivo de debate, mas Mourinho aposta nas capacidades físicas que o tornaram tão eficaz ao lado de Virgil van Dijk.

    Konaté dá ao Real Madrid um zagueiro forte no lado direito, dotado de velocidade na recuperação e capacidade de defender grandes espaços, o que pode ser extremamente importante caso Mourinho queira empurrar os laterais para frente. Ele foi titular em 36 partidas do Campeonato Inglês na temporada passada, apesar da oscilação em seu desempenho.

    Quanto a Dumfries, talvez seja a contratação com o maior potencial ofensivo. Ele marcou cinco gols e deu duas assistências no Campeonato Italiano e na Liga dos Campeões na temporada passada, mas sua temporada 2024-2025 foi muito mais produtiva, quando marcou 11 gols e deu cinco assistências nas duas competições. Sua chegada dá a Mourinho um jogador fisicamente forte na posição de ponta, capaz de gerar perigo pelo lado direito.

    Ainda assim, há um problema evidente: o Real Madrid não contratou Rodri.

    Isso pode se tornar um dos detalhes decisivos da temporada. O Barcelona reforçou justamente a posição que talvez fosse a que o Real Madrid mais precisava fortalecer.

    A chegada de Rodri dá a Flick um volante de altíssimo nível e um organizador excepcional da posse de bola, enquanto o Real Madrid depende de Valverde, Tchouaméni e de suas demais opções no meio-campo.

    Mourinho talvez precise compensar isso taticamente, o que explica por que houve tanto foco na organização no desempenho do Real Madrid no início da temporada.

    Diante da Inter, ele estava particularmente atento ao que acontecia quando sua equipe perdia a intensidade defensiva. Ele elogiou os momentos em que o Real Madrid manteve sua coesão e reconheceu que a partida ficou mais difícil quando o time deixou de controlar os espaços.

    Esse é o maior ponto de divergência entre Mourinho e Flick. Enquanto Flick quer que o Barcelona jogue com força e ferocidade, Mourinho quer que o Real Madrid determine quando essa ferocidade é necessária.

    Essa última abordagem pode ser extremamente eficaz ao longo da disputa pelo título, e também pode proteger o Real Madrid de seus próprios astros ofensivos.

    A pergunta evidente que ronda a equipe de Mourinho é: como ele pode fazer com que Mbappé, Vinícius e Bellingham coexistam sem sacrificar o equilíbrio defensivo?

    Mourinho já começou a proteger seus astros publicamente e, posteriormente, defendeu Vinícius e Mbappé, afirmando que jogadores que marcam gols e trabalham pela equipe não deveriam se transformar automaticamente em bodes expiatórios quando o nível de desempenho cai.

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  • RCD Espanyol de Barcelona v Real Madrid - LaLiga EA Sports 2026/27Getty Images Sport

    Alertas antecipados para Mourinho

    O Real Madrid começou o Campeonato Espanhol com três vitórias, antes de perder para o Betis. Superou o Espanyol por 2 a 1, a Real Sociedad por 4 a 1 e o Málaga por 4 a 0, marcando dez gols nas quatro primeiras partidas da liga, contra três sofridos.

    Diante do Betis, o Real Madrid criou chances suficientes para vencer, mas falhou em aproveitá-las. Mbappé acertou uma bola no travessão e depois desperdiçou um pênalti nos acréscimos, enquanto o Betis marcou com Troy Parrott. Mourinho, em seguida, insistiu que sua equipe apresentou uma boa atuação coletiva, ainda que tenha reconhecido que merecer a vitória não garante a conquista dos pontos.

    E este é exatamente o tipo de jogo que o Real Madrid não pode se dar ao luxo de repetir com frequência, pois o Barcelona já mostrou como é a eficácia mortal.

    Ele esmagou o Elche por 5 a 0, superou o Athletic Bilbao por 2 a 0, venceu o Rayo Vallecano por 5 a 2 e depois atropelou o Valencia por 5 a 0. Seu retrospecto nas quatro primeiras partidas da liga resultou em 17 gols marcados e apenas dois sofridos.

    Por isso, o Real Madrid não pode simplesmente confiar no futebol de Mourinho como cobertura defensiva. Ele precisa se tornar mais eficaz diante do gol, e foi por isso que a vitória sobre a Inter de Milão na Liga dos Campeões foi importante, apesar das preocupações defensivas. A equipe de Mourinho encontrou uma maneira de vencer em uma partida caótica contra um adversário forte.

    A própria avaliação de Mourinho, de que o Real Madrid era capaz de marcar cinco ou seis gols, mas também era capaz de sofrer cinco ou seis, mostrou ao mesmo tempo o teto ofensivo da equipe e suas fragilidades defensivas.

    E se Mourinho conseguir reduzir o segundo número sem diminuir o primeiro, o Barcelona terá diante de si um concorrente real pelo título; mas, se falhar, o Barcelona poderá voltar a se contentar em marcar mais gols do que ele.

  • Hansi Flick (C)Getty Images

    O Barcelona tem mais a perder do que o Real Madrid

    A tríplice coroa consecutiva já está ao alcance do Barcelona, mas o mês de outubro pode mudar tudo.

    O argumento mais forte contra a capacidade de Mourinho de parar o Barcelona é muito simples: o Barcelona parece melhor no momento.

    A equipe venceu todas as suas partidas no Campeonato Espanhol e marcou 17 gols. Flick agora conta com dois anos de experiência institucional com esse grupo e, o mais importante, o Barcelona já provou sua capacidade de conquistar o campeonato sob o comando de Flick.

    O clube venceu o título com quatro pontos de vantagem na temporada 2024-2025 e com oito pontos de vantagem na temporada 2025-2026. Além disso, superou o Real Madrid por larga margem em número de gols ao longo das duas temporadas.

    O contexto histórico torna o desafio ainda maior, já que o Barcelona se tornaria o primeiro clube espanhol a vencer o campeonato por três temporadas consecutivas desde o Barcelona de Pep Guardiola, entre 2008 e 2011.

    Isso dá a Flick a oportunidade de inscrever seu nome ao lado de um dos períodos de comando mais dominantes na história do futebol espanhol, mas há motivos para acreditar que a disputa pode ficar muito mais equilibrada.

    O primeiro deles é a transformação ofensiva no Barcelona, pois a equipe enfrenta uma grande lacuna após a saída de duas fontes garantidas de gols: Robert Lewandowski e Ferran Torres.

    Gabriel Jesus é o substituto mais óbvio, mas seus números recentes não garantem de forma alguma outra temporada farta em gols. Ele marcou apenas 3 gols no Campeonato Inglês e não deu nenhuma assistência pelo Arsenal na temporada passada, além de dois gols na Liga dos Campeões, depois de ter retornado de uma grave lesão no joelho apenas em dezembro.

    Isso deixa Flick mais dependente de Yamal, Raphinha e de suas novas opções ofensivas. Se, juntos, conseguirem compensar os quarenta gols, o Barcelona pode se tornar mais difícil de prever. Mas, se isso não acontecer, Mourinho terá um ponto fraco evidente para atacar.

    Jesus já marcou seu primeiro gol pelo Barcelona diante do Feyenoord, um começo animador, mas compensar a produção ofensiva de jogadores acostumados a marcar gols ao longo de 38 partidas no campeonato representa um desafio completamente diferente.

    O Barcelona também precisa agora administrar um grupo de jogadores montado não apenas para vencer o Campeonato Espanhol, mas para finalmente conquistar a Liga dos Campeões.

    Yamal definiu com clareza a mais importante competição europeia como seu objetivo principal, após os recentes fracassos do Barcelona na competição. A equipe de Flick perdeu para a Inter nas semifinais da Liga dos Campeões na temporada passada e já havia sofrido antes outra difícil eliminação europeia.

    É aí que reside a chance de Mourinho: se o Barcelona for obrigado a priorizar a Europa, o Real Madrid deve tornar cada jogo doméstico desgastante, forçando o Barcelona a despender um esforço maior na disputa. Isso significa, às vezes, vencer de maneira não bonita e reduzir o número de pontos desperdiçados diante das equipes menores.

    Significa também transformar os jogos fora de casa em armadilhas táticas e, acima de tudo, garantir que o Clássico de outubro não seja tratado como apenas mais uma partida.

    O Barcelona será o anfitrião da partida, no estádio Camp Nou, no dia 25 de outubro, depois de as duas equipes disputarem jogos pela Liga dos Campeões na mesma semana. O Barcelona enfrenta o Paris Saint-Germain no dia 20 de outubro, enquanto o Real Madrid joga contra o Leipzig no dia 21 de outubro.

    Mourinho entende, mais do que qualquer outra pessoa, que o Clássico muitas vezes é decidido pela identificação dos pontos de fragilidade física e psicológica do adversário, e o estilo de alta intensidade do Barcelona lhe dá algo para atacar.

  • vinicius mourinho(C)Getty Images

    O que Mourinho fará para conter as principais peças do Barcelona?

    Para conter o Barcelona, Mourinho precisa identificar os duelos individuais que pode vencer e se ganhar esses duelos será capaz de desarticular o sistema ofensivo do Barcelona.

    Comecemos pelo duelo entre Yamal e Cucurella. Isso pode parecer bastante óbvio, mas Cucurella proporcionou uma das noites mais incômodas para Yamal, durante a vitória do Chelsea por 3 a 0 sobre o Barcelona na Liga dos Campeões da Europa, depois de tê-lo empurrado repetidamente em direção ao seu pé direito, mais fraco, ao mesmo tempo em que protegia o espaço interno.

    Cucurella se recusou a avançar sobre ele, esperou a movimentação de Yamal e se aproveitou da cobertura atrás dele para impedir que o ponta se deslocasse para o seu pé esquerdo. Esse pode ser o modelo no qual Mourinho pode se apoiar. Depois vem Raphinha, que talvez represente o maior problema. Ele marcou sete gols nos últimos cinco clássicos, entre eles dois na vitória do Barcelona por 3 a 2 sobre o Real Madrid na Supercopa da Espanha. E o mais importante é que seu papel evoluiu.

    Flick o empurra para regiões mais próximas do gol e o autoriza a se movimentar em profundidade, o que significa que um confronto tradicional entre o lateral-direito e o ponta-esquerda pode simplesmente não existir.

    Mourinho terá de decidir se Konaté vai acompanhar Raphinha quando ele recuar para o meio-campo, ou se vai deixá-lo para um dos meio-campistas. E essa pequena decisão pode determinar se o Barcelona conseguirá criar superioridade numérica ao redor da área.

    Há outro duelo interessante no meio-campo, entre Pedri e Bernardo Silva. O Real Madrid simplesmente não pode permitir que Pedri imponha o ritmo do jogo entre as linhas, mas marcá-lo de forma intensa pode criar os mesmos espaços que o Barcelona deseja.

    O valor de Bernardo pode estar em transformá-la em uma batalha de dois lados. Será que o novo jogador do Real Madrid conseguirá desarticular o ritmo de Pedri sem se afastar demais dos espaços que o Barcelona quer atacar?

    Por fim, é preciso observar o que acontecerá quando a linha defensiva adiantada do Barcelona enfrentar a velocidade de Mbappé e Vinícius. No clássico anterior, a marcação individual disciplinada e a pressão inteligente do Real Madrid forçaram o Barcelona a cometer 37 perdas de bola em seu terço defensivo, enquanto Mbappé atacou repetidamente os espaços que surgiram quando a linha defensiva do Barcelona perdeu o entrosamento.

  • real madrid barcelonaGetty Images

    Transformar o clássico em uma série de problemas táticos

    E é aqui que reside a verdadeira oportunidade de Mourinho: transformar o Clásico em uma série de problemas táticos específicos que o Barcelona não consegue resolver todos ao mesmo tempo.

    O Real Madrid possui qualidade individual suficiente para punir o Barcelona quando esses momentos surgem.

    Então, o Real Madrid consegue encerrar a hegemonia do Barcelona? No momento, o Barcelona merece ser o favorito, pois seu nível é melhor e seu elenco parece mais equilibrado, enquanto o Real Madrid já perdeu pontos e ainda tenta consolidar uma nova identidade tática.

    No fim das contas, a disputa pelo título pode ser transformada por um técnico que sabe como converter o futebol em uma batalha psicológica, e já existem indícios de que José está construindo exatamente esse tipo de ambiente.

    Ele defendeu seus astros em vez de alimentar as críticas direcionadas a eles e enfatizou a união dentro do vestiário. E, o mais importante, parece disposto a fazer mudanças com base no desempenho e na energia, em vez de escalar apenas os grandes nomes toda semana. E é justamente por isso que a conquista do terceiro título consecutivo pelo Barcelona ainda não está garantida.

    A pergunta decisiva pode acabar sendo se Mourinho consegue levar o Real Madrid até o dia 25 de outubro sem ficar muito para trás. Se conseguir, o primeiro Clásico no estádio Camp Nou pode transformar essa disputa de um passeio rumo ao título do Barcelona em uma verdadeira briga pela taça.

    Os maiores desafios de Mourinho consistem em transformar um grupo repleto de talento, mas que às vezes sofre com o caos, em uma equipe capaz de controlar as partidas que o Barcelona justamente quer converter em um estado de caos. E, se o Real Madrid vencer no Camp Nou no dia 25 de outubro, todo o discurso vai mudar.