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Poland v Argentina: FIFA U-20 Women's World CupGetty Images Sport

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A "influência do Marrocos" salvou Infantino? Os adversários mudam o plano da derrubada para "aparar as unhas"

Há apenas três semanas, derrubar Gianni Infantino do trono da Fifa era só uma questão de tempo. Mas por trás das portas fechadas das reuniões em Rabat e Nyon, todos os cálculos viraram de cabeça para baixo. O presidente que seus adversários acreditavam estar acabado voltou para revelar uma rede de lealdades construída ao longo de dez anos, uma rede que alguns descreveram como "impossível de quebrar" e que hoje lhe garante votos suficientes para permanecer no cargo.

Essa reviravolta dramática não deixou ao campo da oposição europeia outra escolha a não ser mudar o palco da batalha. Depois de o objetivo ter sido derrubar o homem mais poderoso do futebol, a nova meta tornou-se mais realista e perigosa: não derrubar Infantino, mas aparar as garras da própria presidência e despojá-lo de seus poderes absolutos.

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  • A crença de que tudo havia acabado

    A agência "Reuters" citou uma fonte do futebol mundial a par das discussões secretas entre os principais dirigentes, que afirmou: "Há três semanas, eu achava que ele estava acabado. O que eu não tinha percebido era a solidez das relações que ele construiu depois de dez anos no poder, que são quase impossíveis de romper".

    Infantino, de 56 anos, enfrentou o maior desafio de sua carreira neste ano, após o colapso de sua polêmica proposta de vender uma fatia de 20% das competições da Fifa, incluindo a Copa do Mundo, a investidores do setor privado.

    O plano, descrito como uma bomba, provocou uma revolta generalizada, com a Uefa, a Confederação Asiática e a Concacaf liderando uma campanha para exigir a mudança na liderança da Fifa. Diversas federações europeias retiraram seu apoio à reeleição, sendo a França a última delas, na última quinta-feira.

    Apesar de o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafström, ter classificado o ocorrido como uma "sequência de acontecimentos lamentáveis e vergonhosos", ele anunciou seu total apoio a Infantino após a reunião de crise em Rabat, em um sinal claro de que a crise imediata estava perdendo força.

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  • Os cálculos dos 211 votos: o dilema da Europa

    A verdadeira força de Infantino reside no sistema eleitoral da Fifa. No congresso da entidade, cada uma das 211 federações nacionais possui um único voto, com peso igual, o que significa que derrubar o presidente exigiria uma aliança global que ultrapassasse em muito os 55 votos dos membros da Uefa.

    É aí que está o perigo das contas para seus adversários, já que enfrentar o presidente e perder pode reforçar seu domínio, em vez de enfraquecê-lo.

    Uma das fontes comenta: "Acredito que o rumo das coisas mudou. Tornou-se extremamente arriscado que a União Europeia de Futebol vá para uma votação e não vença".

  • Não há concorrente: Al-Khelaifi se retira

    Até o momento, não surgiu nenhum concorrente capaz de reunir apoio global antes das eleições de março do próximo ano, sendo o dia 18 de novembro o prazo final para as candidaturas.

    Figuras de destaque do futebol consideram que Nasser Al-Khelaifi, presidente do Paris Saint-Germain, é um dos poucos capazes de formar a aliança continental necessária para derrotar Infantino, mas ele se descartou completamente por meio de seu porta-voz, afirmando que "não aspira, não pretende e não deseja assumir a presidência da Fifa".

    Já o outro nome cogitado, Victor Montagliani, presidente da Concacaf, garantiu que não se candidatará sem garantias suficientes de vitória. E a porta continua aberta para o surgimento de um candidato africano ou asiático surpresa.

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  • A lealdade dos pequenos países: a carta do Marrocos

    Por outro lado, Infantino ainda conta com sólido apoio dos grandes blocos fora da Europa. Na Oceania, Steve Laigle, presidente da federação da Nova Caledônia, afirmou: "A maioria dos presidentes das federações da Oceania declarou seu apoio ao senhor Infantino, e vamos apoiá-lo até o fim. Quando fazemos uma promessa e somos leais a alguém, permanecemos leais a essa pessoa até o fim".

    O mesmo clima predomina na África, onde a maioria enxerga que a continuidade do apoio levará ao aumento do financiamento para o desenvolvimento. Marrocos, uma das federações mais influentes do continente, está entre os apoiadores públicos de Infantino, em meio a relatos - negados pela Fifa - sobre uma promessa de sediar a final da Copa do Mundo de 2030 em Casablanca em troca da manutenção do apoio africano, algo sobre o qual a federação marroquina não se pronunciou.

  • O plano alternativo: reduzir os poderes do presidente

    Diante desse cenário travado, alguns opositores começaram a estudar um plano alternativo, que consiste em mudar a própria estrutura de gestão da Fifa, em vez de trocar o presidente.

    Duas fontes revelaram que os dirigentes estudam reduzir as atribuições concentradas na presidência e redistribuí-las à secretaria-geral, além de reforçar a fiscalização sobre as grandes decisões estratégicas e comerciais.

    O presidente da Federação Francesa, Philippe Diallo, que retirou a confiança de Infantino ao afirmar que "a confiança depositada no presidente da Fifa foi quebrada", garantiu que a distribuição de poder passou a fazer parte do debate dentro da Uefa.

    E Diallo acrescentou: "O projeto não pode ser puramente europeu, mas deve reunir todos os continentes. Nossa missão agora é garantir o surgimento de um programa e de um candidato e, depois, trabalhar para assegurar a vitória de ambos".

    A eleição para a presidência da Fifa está marcada para a capital marroquina, Rabat, no dia 18 de março de 2027, em uma batalha que pode deixar de ser uma tentativa de derrubar Infantino para se tornar uma batalha para domá-lo.