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Invicto na Copa, Brasil sobrevive a duelos apertados

Invicto na Copa, Brasil sobrevive a duelos apertados

Brasil cria sua casa com triunfo em jogo apertado, após sofrer novamente no início contra o Japão, em um padrão já visto diante do Marrocos. 

Copa do MundoOdds
(Brasil x Noruega) Sim para ambas marcam1.71
(Brasil x Noruega) Mais de 2.5 gols1.83
(Brasil x Noruega) Noruega marcar primeiro2.40
(Futura) Bruno Guimarães liderar a competição em assistências4.50

Odds fornecidas pela Betboom. Corretas na data e horário de publicação e sujeitas à mudanças 

Seleção Brasileira novamente supera início ruim

Embora cada jogo tenha tido suas características únicas, o paralelo da Seleção Brasileira no jogo contra o Japão nos 16 avos e na estreia contra o Marrocos é inevitável. O resultado em ambas as ocasiões, especialmente diante do Japão, eleva os ânimos, algo que não pôde ofuscar os piores momentos do Brasil nestas duas partidas.

Carlo Ancelotti inevitavelmente teria de lidar com uma copa de ajustes e crescimento no decorrer do torneio pela maneira como o Brasil chegou para ele, algo com que o campeoníssimo treinador italiano tem lidado bem, sabendo o momento de ser agressivo e conservador.

Na estreia contra Marrocos, Ancelotti tirou Casemiro e Roger Ibañez no intervalo após inícios ruins de ambos. Danilo entrou bem e se solidificou como a principal opção na lateral direita, enquanto Casemiro voltou ao time titular apesar dos bons minutos de Fabinho diante do Marrocos e foi bancado por Ancelotti após outro início ruim diante do Japão.

Toda a segurança que Casemiro deixou de passar em boa parte da partida no sistema defensivo foi minimizada pelo trabalho ofensivo do experiente volante brasileiro. Trazendo consigo os excelentes números no jogo aéreo que teve na última temporada no Manchester United, Casemiro marcou o gol de empate do Brasil contra o Japão e esteve no centro de chances perigosas criadas pela seleção pentacampeã no jogo aéreo na etapa complementar dos 16 avos.

O atacante Endrick pode não ter tido um grande segundo tempo contra o Japão sem tantas chances, entretanto, outra opção ofensiva saiu do banco para ser decisiva em Gabriel Martinelli. Substituindo Matheus Cunha, que ao lado de Vini. Jr. é o destaque brasileiro nesta Copa, Martinelli marcou o gol da classificação brasileira. 

O atacante do Arsenal é um dos candidatos a ganhar a vaga de Lucas Paquetá, que saiu lesionado contra o Japão e não estará entre os titulares diante da Noruega.

Número de ajustes reforça o trabalho que ainda deve ser feito

Claramente, no mundo ideal, o Brasil não lidaria com tantas perguntas a serem respondidas no meio de sua campanha. O relativamente pouco tempo de trabalho de Ancelotti em relação aos principais candidatos ao título torna esse cenário uma inevitabilidade, ainda mais em meio aos problemas físicos com os quais o Brasil teve de lidar antes e durante a Copa, perdendo diversas peças importantes.

Não há muito o que questionar em relação ao nível de competitividade e resiliência do Brasil, independentemente do seu adversário. Ao mesmo tempo, não é tão razoável assim imaginar uma virada de chave que traga o Brasil avassalador desde o início das partidas de agora em diante, lembrando o quanto já sofreu no início dos seus principais testes até aqui.

Se, diante do Japão, o Brasil teve um pouco de azar cedendo o gol na primeira etapa em uma das raras chances japonesas — que se deu melhor limitando o ataque brasileiro pelos 45 minutos iniciais mais do que criando em abundância — contra Marrocos, poderia ter sofrido bem mais do que o único gol que acabou concedendo.

A similaridade entre esses dois jogos se dá na maneira como o Brasil foi facilmente batido em jogadas de transição, sem a velocidade na recuperação que se esperaria de uma defesa que quer se colocar entre as melhores do torneio. Diante do Marrocos, um passe preciso de Brahim Díaz deixou Ismael Salibari cara a cara com o goleiro para balançar as redes — já contra o Japão, o meio brasileiro, especialmente Casemiro, não teve a agilidade necessária para interromper a arrancada de Kaishu Sano, que só foi parar dentro das redes após bela finalização da entrada da área.

As 12 finalizações cedidas no primeiro tempo do Brasil contra o Marrocos foram uma marca maior do que os alemães conseguiram no histórico 7-1 em 2014. Para a sorte brasileira, o Marrocos marcou apenas um gol, gerando 1.20 de xG naqueles que foram os piores 45 minutos do Brasil na Copa.

De maneira geral, o Brasil não sofreu defensivamente tanto quanto poderia pelas chances que acabou concedendo neste torneio, notando que tem apenas dois gols concedidos em 2.97 de XG gerados pelos seus quatro oponentes. Algo em comum entre os gols concedidos pelo Brasil é que ambos foram marcados de fora da área.

Mais da metade (57,50%) dos 40 chutes concedidos pelo Brasil vieram de dentro da área e nenhum deles terminou no fundo das redes. Embora possa não ter ido tão bem na saída do gol no tento marroquino, Alisson faz uma boa Copa, aparecendo particularmente bem na vitória tranquila diante da Escócia na última rodada da fase de grupos.

Cometa Haaland lidera o perigoso ataque norueguês 

Obviamente, a evolução brasileira na etapa complementar teve um enorme impacto nisso, todavia, analisando a partida pelo olhar da outra equipe, o Japão, por escolha própria ou por imposição brasileira, foi pouco agressivo quando ainda tinha a vantagem e quando o placar estava em 1-1. A defesa do Brasil basicamente não foi testada, apesar de sua postura hiperagressiva na etapa complementar.

Embora possa até não ter a mesma capacidade coletiva do Japão de manter-se disciplinada no período sem bola, a Noruega, oferece um nível de perigo em transições inegavelmente superior ao japonês — afinal de contas, os noruegueses têm à sua disposição Erling Haaland no comando de ataque e a excelente capacidade lançadora de Martin Odegaard. Além de Haaland e Odegaard, o ponta-esquerda Antonio Nusa acaba de marcar um golaço nos 16 avos de final contra a Costa do Marfim e também pode criar muito perigo.

Realizando a natural comparação com o Brasil, a Noruega tem um gol a mais do que a Seleção Brasileira na Copa do Mundo, dez contra nove - feito alcançado mesmo participando de um dos grupos mais difíceis, competindo ao lado da França e Senegal.

Exclusivamente pegando o retrospecto de Haaland na Seleção Norueguesa e no City, não se imaginaria que ele fosse a melhor escolha para aproveitar a vulnerabilidade brasileira em chutes de longa distância. Contudo, trabalhando em transições rápidas, o camisa 9 pode sim receber algumas chances neste contexto, embora todos os 21 gols dele entre as Eliminatórias para a Copa e a Copa do Mundo tenham ocorrido dentro da área.

Reforçando a expectativa de um jogo com muitos gols, o ataque do Brasil é capaz de gerar problemas para as melhores seleções, o que certamente não é o caso da Noruega. A Seleção Norueguesa cedeu uma média de dois gols por jogo nesta Copa, vazada pelo menos uma vez em cada uma das suas quatro partidas.

Bruno Guimarães tem sua primeira grande Copa

Um reserva há quatro anos, Bruno Guimarães hoje é figura inquestionável no meio-campo da Seleção Brasileira, trazendo a capacidade técnica e física necessária para compensar o que, em diversos momentos, é uma falta de números para o Brasil neste setor do campo.

Enquanto Gabriel Martinelli e Casemiro receberam o destaque por serem os autores dos gols contra o Japão, a jogada do tento da vitória teve papel fundamental de Bruno Guimarães, encontrando Martinelli em uma excelente posição para garantir o Brasil nas oitavas de final.

O passe para o gol decisivo representou a quarta assistência de Bruno Guimarães no torneio, a segunda melhor marca da competição, atrás apenas de Michael Olise. Bruno participou diretamente de um gol em três das suas quatro aparições no Mundial.

Dentro da rica história de craques brasileiros em Copas do Mundo, com nomes como Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo, Zico, Kaká e Neymar, Bruno Guimarães já conseguiu o feito espetacular de se colocar atrás apenas de Pelé no maior número de assistências de um atleta brasileiro em uma única Copa.