Estêvão chegou ao Chelsea cercado de expectativas e encara uma disputa por espaço em um elenco recheado de opções ofensivas.
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Contemplando o quadro atual de Estêvão no Chelsea
Recuperado de uma lesão que o tirou da última Copa do Mundo, Estêvão, assim como alguns outros grandes jogadores do Chelsea, Cole Palmer e João Pedro, para citar alguns, pôde trabalhar com Xabi Alonso desde o seu primeiro dia no clube, disponível durante a pré-temporada inteira.
Apesar desse tempo de trabalho e total disponibilidade, o ponta brasileiro ainda não começou jogando uma partida da Premier League em meio a um início de altos e baixos dos Blues, acumulando duas vitórias, um empate e duas derrotas, tendo o terceiro melhor ataque da competição e a pior defesa.
A análise sobre o panorama de Estêvão no Chelsea e tudo o que isso acarreta demanda uma atenção especial a uma série de detalhes e ressalvas que devem ser feitas ao analisar a trajetória dele no clube e o que o aguarda nos próximos meses. Assim como diversas questões no futebol, essa pergunta é respondida em camadas e possui uma certa complexidade.
Um potencial contraste de expectativas?
A Seleção Brasileira vive uma carência de protagonistas, mas não necessariamente no sentido do que esses jogadores produzem na elite do futebol europeu. Grandes atletas como Raphinha e Vini. Jr. são protagonistas dos seus respectivos times na elite do futebol europeu e decidem jogos de primeiro escalão.
O problema recente do Brasil é que vários desses seus principais jogadores não conseguem, por uma razão ou outra, replicar esse mesmo futebol na Seleção Brasileira - tendência particularmente notável antes das boas apresentações individuais de Vini. Jr. na última Copa.
Quando Estêvão recebeu as primeiras chances sob o comando de Carlo Ancelotti e assumiu um protagonismo logo de cara, jogando muito bem em alguns amistosos, criou-se uma expectativa de que ele pudesse ser essa nova estrela, desrespeitando, no bom sentido, a hierarquia pré-existente.
Houve um movimento similar quando Endrick brilhou em amistosos contra a Inglaterra e a Espanha, quando, na época, a Seleção era comandada por Dorival Júnior.
Conciliar questões como encaixe coletivo, hierarquia no próprio clube, os passos iniciais de um novo trabalho e uma série de outros fatores se torna extremamente complicado quando o ponto de partida de expectativa é o citado acima, que talvez seja, se não injusto, ao menos bem pesado para o atleta.
Olhar ao passado para melhor entender o presente
Antes do foco na atual temporada e nos desafios encarados por Estêvão, a análise de seu primeiro ano na Inglaterra é necessária para compreender em qual cenário específico ele se apresentou ao time inglês na última pré-temporada.
Logo na estreia dos Blues na edição passada da Premier League, Estêvão saiu do banco contra o Crystal Palace e foi recompensado pela eletricidade que mostrou em poucos minutos em campo, a ponto de receber a titularidade nos próximos dois jogos do Campeonato Inglês.
Isso mesmo, Estêvão foi titular em duas das três primeiras partidas do Chelsea na Premier League - então, veio a primeira de várias ausências por questões físicas e médicas.
Parte do motivo pelo qual Estêvão recebeu tantas chances logo de cara na primeira metade da pré-temporada foi a ausência por lesão de Cole Palmer. Entretanto, ao mesmo tempo, os dois mostraram uma excelente química nos momentos em que estiveram em campo juntos, algo nítido na vitória de virada do Chelsea contra o Napoli na Liga dos Campeões, por exemplo.
O primeiro grande momento de Estêvão com os Blues ocorreu em outubro de 2025, diante do Liverpool, quando ele saiu do banco para marcar o gol da vitória nos instantes finais deste duelo Big Six.
Entre novembro e dezembro do mesmo ano, o atacante brasileiro teve algumas aparições mais apagadas até eventualmente sofrer a primeira de múltiplas lesões musculares que, no total, lhe custaram mais de 120 dias fora, a maioria deles na segunda metade da temporada.
Considerando esse tempo perdido por lesão, o fato de Estêvão ter atuado em 22 das 38 partidas do Chelsea na Premier League na temporada 25/26, sendo 12 como titular, mostra que não necessariamente lhe faltaram chances. Jogando melhor do que esses números indicam, Estêvão marcou duas vezes e deu duas assistências.
Projetar um cenário no qual o Chelsea exerce uma certa cautela sobre o quanto pode exigir de um jovem atleta que sofreu com lesões em seu primeiro ano no clube é algo perfeitamente natural.
Encaixe delicado, mas que não deixa de ser possível
O Chelsea teve um momento divisor de águas antes do início dessa temporada, no qual, após anos se recusando a atribuir muito poder aos técnicos, o clube abraçou uma nova filosofia. A contratação de Xabi Alonso como manager e não apenas como head coach representa essa mudança - distinção que lhe oferece maior influência na política de contratações.
Mesmo fora da Liga dos Campeões, o clube inglês não deixou de investir pesado, e o seu maior reforço para a temporada foi o meia-atacante Morgan Rogers, vindo do Aston Villa por um valor estratosférico após ser um dos destaques da Premier League na temporada passada.
A contratação de Rogers, que não é uma ponta tradicional e atua melhor por dentro, embora tenha bastante flexibilidade no seu jogo, deu a entender para muitos que Xabi Alonso retornaria ao 3-4-3 que lhe deu sucesso no Leverkusen, formação que torna o encaixe de Estêvão mais complicado.
Todavia, durante quase toda a pré-temporada e em diversas ocasiões desde que assumiu o time, Alonso deixou claro que a formação não é tão importante quanto os padrões que o time desenvolve e que existe uma certa adaptabilidade de acordo com a função dos jogadores.
Essa afirmação é coerente com as tentativas dele no Real Madrid em sua breve passagem, na qual não se mostrou preso ao 3-4-3 que lhe deu sucesso na Alemanha.
Esses pontos merecem toda a ressalva, pois boa parte do discurso pessimista quanto ao cenário de Estêvão no Chelsea pressupõe do treinador dos Blues uma inflexibilidade similar à que Ruben Amorim apresentou durante a sua passagem no Man.
United, por exemplo, citando talvez o caso mais claro desse problema em anos recentes na elite do futebol europeu. Amorim, em nenhum momento, escondeu que os jogadores deveriam se encaixar naquela formação específica e que, quanto a isso, não haveria flexibilidade.
Assumindo esse tipo de realidade, a vida de Estêvão no Chelsea, trancado em um 3-4-3, se tornaria complicada, pois no trio de frente você tem Cole Palmer, Morgan Rogers e João Pedro, todos em excelente forma - não à toa, o ataque dos Blues chegou a encantar nesse início de temporada. As características físicas de Estêvão não lhe permitem cumprir essa função híbrida entre ponta e ala com a mesma efetividade de Pedro Neto, o único ponta dos Blues que vem sendo usado de maneira consistente na função de ala neste início de temporada.
Embora palavras sejam apenas palavras, as ações de Alonso no Chelsea demonstram que ele está sim disposto a ter a flexibilidade necessária para o eventual encaixe de Estêvão no time.
Procurando por uma prova da maior adaptabilidade de Alonso e, subsequentemente, do Chelsea para acomodar Estêvão, nos dois jogos nos quais o brasileiro foi titular, ambos pela Copa da Liga Inglesa, ele sequer foi cogitado para cumprir a função desgastante passada a Pedro Neto.
Diante do Luton Town, em um triunfo por 2 a 0, o Chelsea passou a jogar no 4-2-3-1 com Estêvão pela direita, Palmer por dentro, Rogers na esquerda e Danny Welbeck no comando de ataque. Já diante do Leeds, com uma equipe mais modificada, Estêvão jogou como um dos camisas 10 por dentro no 3-4-3 ou 3-4-2-1, como preferir, atuando ao lado de Geovany Quenda, atrás de Welbeck.
Indo além, a própria função de Pedro Neto não tem sido exatamente a mesma em todos os jogos. Adotando uma postura mais flexível diante do Hull City e do Brentford, Neto chegou a ter o posicionamento médio mais avançado do Chelsea no último jogo, apenas baixando para a última linha em momentos específicos - uma postura mais agressiva que teve nos primeiros jogos como ala.
Maior minutagem virá forçando a mão do técnico
O segundo jogo de Estêvão como titular veio contra o Leeds - um duelo de times da Premier League na Copa da Liga Inglesa - e forneceu ao atleta brasileiro a sua primeira grande chance de realmente bater na porta por um lugar no time titular no Campeonato Inglês.
Estêvão vinha de grandes minutos, saindo do banco na derrota para o Arsenal, quase entregando ao Chelsea o empate com um belo arremate defendido por David Raya. O próximo adversário dos Blues era o Hull City, cuja estratégia defensiva inevitavelmente demandaria uma postura mais agressiva do Chelsea, assim potencialmente abrindo mais espaço para o ponta brasileiro.
Todavia, Estêvão esteve apagado durante 45 minutos contra o Leeds e, com o Chelsea perdendo no intervalo e encarando uma possível eliminação precoce, Alonso realizou quatro mudanças para trazer a cavalaria e foi bem-sucedido. Os Blues alcançaram uma reviravolta empolgante, eventualmente vencendo aquela partida por 6 a 3, feito e tanto diante da forte defesa do Leeds United - Palmer marcou duas vezes e Rogers deu quatro assistências.
Após esse jogo decepcionante diante do Leeds United, Estêvão voltou ao banco de reservas em partidas da Premier League contra o Hull City e o Brentford, recebendo pouquíssimos minutos em ambas as ocasiões.
Paciência é a palavra-chave
Estabelecendo que, para a entrada de Estêvão no time titular, Alonso deverá realizar ajustes na estratégia e formação inicial da equipe, é necessário um olhar para o momento do time e os motivos pelos quais essa escolha não é tão simples.
Mesmo passando em branco contra o Brentford no último jogo, ninguém associará o início inconstante do Chelsea na Premier League a uma falta de poder de fogo no ataque. Optar por uma equipe inicial ainda mais ofensiva pode ser facilmente interpretado como uma decisão, no mínimo, ousada demais.
Antes de pensar naquele que pode ser a sua combinação ofensiva mais letal, o Chelsea tem que se preocupar em preencher os buracos de sua defesa.
Potencialmente, com o retorno de Moisés Caicedo após a data FIFA, o meio dos Blues terá uma solidez maior para cogitar essas estratégias ousadas.
Talvez os momentos positivos de Estêvão saindo do banco sejam mais consistentes a ponto de forçar a troca, ou talvez a sua qualidade seja tamanha que essa evolução e maior minutagem ocorram com naturalidade.
Talvez até seja cedo demais para estabelecer um veredito sobre o que está e o que não está ao alcance de Estêvão no Chelsea.
Outubro dos Blues reserva grandes duelos
A ausência do Chelsea em competições europeias limita o número de oportunidades para Estêvão e alguns outros jogadores que brigam pelo seu espaço nesta equipe ainda em processo de desenvolvimento.
Projetando as partidas do Chelsea no próximo mês, os Blues terão três confrontos diante de membros do Big Six - incluindo as oitavas de final da Copa da Liga contra o Liverpool em Anfield no dia 28 de outubro, jogo no qual o brasileiro tem grandes chances de ser titular com base no padrão da equipe nesta competição.
Liverpool, a equipe contra a qual Estêvão teve o seu grande momento na Inglaterra, marcando o gol da vitória dos Blues aproximadamente um ano atrás.
O próximo jogo do Chelsea na Premier League virá em casa diante do Bournemouth no dia 10 de outubro, às 11h.

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