Na temporada seguinte, o time de Glasgow voltou a dominar no cenário doméstico, com Larsson marcando 30 gols em 37 jogos da liga e fazendo dois gols na vitória da final da copa sobre o Dunfermline. A equipe terminou 17 pontos à frente do Rangers na SPL, com Larsson marcando duas vezes na vitória por 2 a 1 sobre o Dundee United no último jogo da temporada. Ainda assim, foi um dia triste: era sua última vez no Celtic Park. As lágrimas corriam dentro e fora do estádio naquele dia, enquanto o King of Kings se despedia.
Larsson tinha 34 anos e já havia recusado muitas ofertas da Premier League naquela altura. “Nunca tive interesse em ir para o sul e talvez ganhar um pouco mais de dinheiro, porque eu tinha um bom contrato no Celtic”, disse. “Não me arrependo disso nem um pouco. Como eu poderia me arrepender? A carreira que tive no Celtic, a quantidade de gols e assistências e a relação com os torcedores e com o clube, não posso me arrepender disso. É algo que vou guardar com carinho enquanto viver.”
Enquanto isso, o Barcelona não havia conquistado um único troféu desde 1999 e, com a segunda temporada de Frank Rijkaard prestes a começar, precisava de um atacante confiável e experiente para se juntar aos também recém-contratados Ludovic Giuly e Samuel Eto’o. Agente livre e recém-eleito autor do Gol do Torneio da Euro 2004 com a Suécia, Larsson foi contratado em um acordo de um ano, com opção por um segundo. Depois de marcar contra o Celtic em seu primeiro jogo de Champions League, ele sofreu uma lesão no ligamento cruzado anterior e perdeu boa parte da primeira campanha, encerrada com o título, mas segue adorado no Barça pelo que conseguiu em sua segunda temporada.
Larsson foi um importante fornecedor de gols em 2005-06, quando o Barça venceu La Liga, mas sua maior contribuição veio saindo do banco na final da Champions League contra o Arsenal. Assim que substituiu Mark van Bommel aos 60 minutos, com o Barça perdendo por 1 a 0, ele passou a pressionar qualquer bola que chegasse perto dele. Quinze minutos depois, estava pela esquerda para desviar para Eto'o no lance do empate. Depois, seu passe preciso pela ponta direita encontrou Juliano Belletti em uma área perigosa e, de repente, estava 2 a 1.
“As pessoas sempre falam do Ronaldinho e tudo mais, mas eu não o vi hoje, eu vi Henrik Larsson. Ele entrou e mudou o jogo, foi isso que matou o jogo”, disse Thierry Henry depois. “O tempo todo se fala de Ronaldinho, de Eto’o e de gente assim. Vamos falar das pessoas certas, que fazem a diferença: foi Henrik Larsson, que deu duas assistências. Não vi Ronaldinho e não vi Eto’o.”
O fenômeno brasileiro e bicampeão da Bola de Ouro Ronaldinho disse mais tarde sobre o homem que deixou o Barça naquele verão, depois de disputar 62 jogos e marcar 22 gols: "Quando chegou ao Barcelona, Henrik disse coisas boas sobre mim, mas quando saiu, ele era meu ídolo. Na verdade, ele já era meu ídolo antes disso. Lembro dele jogando pela Suécia na Copa do Mundo de 1994. Henrik me ensinou muito sobre futebol, e aprendi ainda mais com ele como pessoa. Fiquei decepcionado por ele ter ido para a Suécia, porque eu teria adorado jogar com ele por mais tempo."
O Helsingborg conseguiu levar Larsson de volta para casa em 2006 e, sem surpresa, ele foi fantástico pela equipe, marcando com frequência na liga. O que foi surpreendente foi sua ida por empréstimo para o Manchester United em dezembro.
Sir Alex Ferguson precisava de alguém para cobrir o setor ofensivo com Ole Gunnar Solskjaer fora por lesão, deixando Wayne Rooney e Louis Saha como os únicos atacantes em forma de maneira consistente, então foi acertado um empréstimo de três meses durante a pausa da temporada sueca. A influência de Larsson pode ter sido limitada, mas, perto dos 36 anos, ele deixou Old Trafford com um título da Premier League no currículo.
“Sempre admirei Larsson. Tentei contratá-lo quando ele estava no Celtic, mas então eles conseguiram persuadi-lo a ficar”, disse Ferguson. “Ele é um grande jogador. É um negócio terrificante para nós. Estamos trazendo alguém que pode mudar um jogo.”
Mas não é preciso ser escocês para perceber o talento divino de Henrik Larsson. O mundo inteiro vai se lembrar do King of Kings.