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Primera Division

Valencia foi de carrasco do Barcelona a vítima do próprio dono em poucos meses

23:06 BRT 11/09/2019
Marcelino - Valencia
Antes de enfrentarem o Barça, por La Liga, os levantinos viram o dono do clube demitir o seu melhor treinador dos últimos anos

Apesar de já ter garantido o título espanhol da temporada, a traumática eliminação da Champions League, com direito a uma improvável remontada do adversário (no caso o Liverpool, um ano após a Roma ter feito o mesmo), fazia da Copa do Rei 2018-19 uma obrigação para o Barcelona. Mas quem acabou vencendo, justamente em seu ano de centenário, foi o Valencia. Foi o ponto alto de um time que, após anos de tormenta, encontrava a paz sob o comando do então treinador Marcelino e colocava um ponto final a 11 anos sem títulos.

Meses depois, dias antes de voltar a enfrentar o Barcelona, pela quarta rodada de La Liga 2019-20, o Valencia foi tema de manchetes por toda a Europa por ter aberto caminho para uma grande crise. Desta vez, a sua própria. Nesta quarta-feira (11), Marcelino foi demitido do clube levantino, chocando torcida e jogadores. Você pode buscar, mas não vai encontrar motivações esportivas que possam ter levado o dono do clube, o milionário singapurense Peter Lim, a ter acabado com um dos melhores trabalhos do futebol espanhol. O Manda-Chuva tomou a pior escolha possível para o Valencia por questões pessoais.

A rixa entre treinador e dono do clube

Marcelino e Peter Lim (Foto: Divulgação/Valencia)

Marcelino chegou ao Valencia em 2017, e logo em sua primeira temporada recolocou o clube na Champions League ao ter finalizado o Espanhol na quarta posição. Repetiu o feito na última campanha, com o brilho histórico de um título – sempre importante e difícil de se conquistar em um país com gigantes como Real e Barça. Em meio ao sucesso em campo, fora das quatro linhas o técnico passou toda a janela de transferências mandando recados claros para Peter Lim. De longe, lá em Singapura, o chefão queria negociar Rodrigo Moreno, atacante hispano-brasileiro autor do gol do título sobre o Barcelona e um dos grandes destaques individuais do time.

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Rodrigo Moreno esteve a detalhes de assinar pelo Atlético de Madrid, mas o técnico do Valencia não se calava nas entrevistas, questionando o fato de perder um de seus melhores jogadores sem que houvesse sequer uma reposição de nível semelhante na mira do clube: “se Rodrigo sair, mudam os nossos objetivos”, chegou a dizer, defendendo os interesses da equipe. O negócio acabou não acontecendo, como Lim desejava. E como Marcelino não desejava, o brasileiro Rafinha Alcântara (curiosamente primo de Moreno) não foi contratado junto ao Barcelona – acabou indo, por empréstimo, para o Celta de Vigo.

Rodrigo Moreno, um dos destaques do Valencia (Foto: Getty Images)

“O clube me comunicou que Rafinha não virá. Assim o elenco fica mais curto”, disse o treinador, que não se entendeu quase em nada com Lim nas idas e vindas do mercado de transferências. O clima, que era ruim desde a temporada passada, ficou insustentável para o dono do clube, que não ligou para os bons resultados que o time conseguiu desde então: convocou o presidente do Valencia, Anil Murthy, para uma reunião em Singapura. Poucas horas se passaram desde que Marcelino soube do encontro até tomar conhecimento de sua demissão, que também enfraquece a posição de Mateu Alemany, diretor geral que trouxe o técnico andaluz.

Impacto no time

Os jogadores, muitos dos quais evoluíram sob o comando de Marcelino, ficaram chocados com a demissão. Muitos deles puderam comemorar o primeiro título justamente sob o comando do asturiano. Quem vai comandar o time será Albert Celades, que já treinou as seleções de base espanhola. O primeiro desafio está marcado para sábado (14), justamente contra o Barcelona contra quem os levantinos fizeram história na temporada passada. Em pouco tempo, muita coisa mudou e ainda deve mudar daquele Valencia para o atual. A aparente paz e tranquilidade, por exemplo, deixou oficialmente o estádio Mestalla, um local raríssimo no futebol mundial: lá, o resultado não é o mais importante no time de Peter Lim. Em cinco anos mandando e desmandando, já foram oito treinadores desde então - já contando com Celades.