O sonho se transformou em pesadelo na capital espanhola, onde o estádio Wanda Metropolitano já não entoa o nome de Julián Álvarez, mas passou a recebê-lo com vaias estrondosas, em uma cena que resume o momento de ruptura total entre o astro argentino e seu clube, o Atlético de Madrid.
Os capítulos da crise remontam ao final de junho passado, quando "La Araña" fez uma declaração chocante à imprensa, anunciando seu desejo explícito de deixar o clube neste verão para realizar seu sonho, ao dizer: "A transferência é a melhor coisa para todos. Quero realizar meu sonho." E, embora não tenha citado seu destino, a mensagem ficou clara para todos: o Barcelona é o sonho.
Desde então, o Barcelona exerceu forte pressão sobre a diretoria do Atlético para conquistar seu astro, mas a resposta veio de forma contundente do presidente Enrique Cerezo, que se manteve em silêncio e recorreu à sua única arma: a cláusula de rescisão. A mensagem da diretoria foi clara: "O jogador não está à venda".
E assim, Álvarez se viu prisioneiro dos Rojiblancos, pois o clube não pretende recuar de sua posição e, de acordo com fontes próximas, prefere vendê-lo a qualquer outro clube, como o Arsenal, a permitir que ele realize seu sonho com a camisa do Barcelona.
O paradoxo é que o Atlético já havia recusado uma oferta gigantesca do rival de sempre, o Real Madrid, que chegou a 150 milhões de euros após a vitória de Florentino Pérez nas eleições, decisão da qual a diretoria pode se arrepender hoje, com a deterioração da relação com o jogador.
O ponto sem retorno no Metropolitano
A situação explodiu por completo durante o retorno de Álvarez ao estádio da equipe, onde a torcida o recebeu com fortes vaias, exigindo que ele partisse para o Barcelona, cena que foi discutida longamente pelo programa "Carrusel Deportivo", da rádio "Cadena SER".
O jornalista Jesús Gallego foi irônico ao analisar a cena, considerando que a melhor solução para o jogador é sair nesta janela de transferências antes que seja tarde demais, algo que foi confirmado pelo analista Marcos López ao afirmar: "O problema é que o astro deles quer sair do Atlético e o clube recusa. O que aconteceu no Metropolitano é muito grave; a torcida deixou bem claro que não quer vê-lo ali".
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Cenários sombrios após o dia 1º de setembro
Se a situação permanecer como está até o fechamento do mercado no dia 1º de setembro, o Atlético se verá diante de um beco sem saída e de duas opções igualmente amargas. Ou obriga o jogador a aceitar a realidade e permanecer, podendo colocá-lo no banco de reservas por uma temporada inteira "até que ele caia em si" e recue em suas declarações, ou lhe dá a oportunidade de provar seu valor, marcar gols e tentar recuperar a confiança da torcida.
Alguns analistas consideram que essa conduta da diretoria prejudica o próprio clube antes do jogador, pois plantará a dúvida no espírito de qualquer astro que pense em se juntar ao time no futuro, temendo que o cenário de Álvarez se repita com ele.
Por outro lado, outros, como Miguel Martín Talavera, consideram que isso não terá impacto, citando a contratação de Cuti Romero, que assinou com o Atlético muito satisfeito, apesar de tudo o que está acontecendo.
Entre as vaias da torcida, o sonho do Barcelona e a recusa de Enrique Cerezo, a última solução segue no ar, uma solução que pode vir na forma de um telefonema há muito aguardado. No fim das contas, como todos sussurram nos escritórios de Madrid, Florentino terá que ligar novamente.

