Saudades do "cone"? Seleção de Tite sofre sem um camisa 9 matador

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O Brasil cria muito nesta Copa América, mas peca no último toque; Firmino é quase um meia, Jesus está sendo ponta e Richarlison pegou caxumba...

Gabriel Jesus foi um dos personagens mais comentados em meio à vitória nos pênaltis sobre o Paraguai, quinta-feira (27), que levou o Brasil para a semifinal da Copa América. Em primeiro lugar, por causa de uma grande chance desperdiçada dentro da pequena área - que poderia ter aliviado a tensão que se seguiu até o apito final sem gols. E depois por ter convertido a última batida desde a marca da cal para garantir a seleção viva na disputa. Mas também por voltar a levantar a discussão sobre a ausência de atacantes de referência vestindo a camisa canarinho.

Ausência esta que ficou pior depois que Richarlison precisou ser afastado por estar com caxumba. Taticamente, o jogador do Everton vinha desempenhando na seleção brasileira o mesmo papel feito por Gabriel, que virou titular ao longo desta Copa América: sai da ponta direita para aparecer também como referência mais avançada quando Roberto Firmino, cada vez mais um meia, recua no campo.

Até o final do torneio, Jesus é a única opção se Tite quiser escalar alguém de ofício como centroavante. Apesar de ser o artilheiro sob o comando do treinador, fez todos os seus gols em amistosos. Firmino, como já foi citado, sai mais da área para ajudar na construção. O Brasil, que nas últimas décadas esteve acostumado a um cardápio ininterrupto de opções que foram de Careca, passaram por Romário e Ronaldo até pararem em Adriano, hoje sofre para encontrar um grande goleador no futebol jogado em seu mais alto nível. Tem feito muita falta nesta Copa América: pois se tem o melhor ataque [8 gols], o selecionado brasileiro conseguiu isso em meio a tentativas exageradas e que poderiam ser melhores. Tanto, que a equipe de Tite é somente a sexta com melhor aproveitamento em finalizações a gol [41.8%, abaixo de Venezuela, Chile, Argentina, Uruguai e Peru].

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Tomemos o Uruguai como exemplo. A Celeste está longe de ser o time que mais acerta passes na competição, mas por contar com Luis Suárez e Edinson Cavani como referências no ataque possuem um aproveitamento excelente nas finalizações [51.2%, inferior somente à seleção peruana de Paolo Guerrero e seus 51.5%].

Jô Fred Seleção Brasileira Copa do Mundo 2014Em 2014 havia centroavantes, mas faltavam chances agudas (Foto: Getty Images)

A curiosidade também se faz presente quando relembramos as críticas feitas após a última grande competição de futebol realizada no Brasil. A Copa do Mundo de 2014 rotulou, pejorativamente, Fred como “cone”. O jogador paradão que só fica dentro da área. Naquele Brasil treinado por Felipão não deu certo porque a construção não estava afinada dentro da estrutura de equipe. Hoje acontece absolutamente o oposto: a seleção de Tite conta com meias e pontas em abundância, cria bastante e é bem mais organizada em sua estrutura... mas sente falta de um jogador de área que consiga colocar a bola para dentro das redes. Nem que seja para ter como opção no banco.

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