O empate por 1 a 1 com o Fulham no último domingo não foi o único choque para a torcida do Manchester United, mas sim os números que vieram depois dele.
Estatísticas alarmantes reveladas pela agência "Reuters" colocaram o Manchester United no fundo do Campeonato Inglês em termos físicos, abrindo uma nova frente de críticas sobre o esforço, a raça e a disciplina dentro da equipe de Michael Carrick, que iniciou a temporada com sonhos de um grande retorno.
Nos números: o United na lanterna de tudo
De acordo com os dados coletados pela empresa GeniusIQ e divulgados nesta segunda-feira, o Manchester United ocupa a vigésima e última colocação da Premier League em 4 indicadores físicos decisivos: "distância percorrida em alta intensidade, tempo gasto correndo em alta intensidade, número total de arranques (sprints) e tempo gasto em corridas rápidas".
Números catastróficos que agravam os temores sobre o nível de comprometimento dentro da equipe, que esperava construir sobre o que conquistou na temporada passada sob o comando de Carrick, quando terminou o campeonato na terceira colocação, para se ver hoje na décima segunda posição antes da pausa para as datas Fifa, que se estende por três semanas.
Neville explode: "Os piores 15 minutos da minha vida"
O declínio físico não foi apenas números silenciosos, mas ficou evidente a olho nu no segundo tempo diante do Fulham, o que fez explodir a fúria do ídolo do clube, Gary Neville.
O ex-capitão do United e comentarista da "Sky Sports" disse, em tom duro: "Acompanho o Manchester United desde os cinco anos de idade, e esses foram os piores 15 minutos que vi na minha vida. Nunca vi tamanho relaxamento em campo".
Neville acrescentou, descrevendo a atuação da equipe como "digna de pena", em referência à rendição total após o gol que abriu o placar.
Caminhar em vez de pressionar
É verdade que os dados de corrida sozinhos não definem o campeão, e a prova é que o Manchester City, atual líder do campeonato, é a única equipe que superou o United em números de corrida nesta temporada. No entanto, o cenário em Old Trafford parece mais complicado.
Não se trata apenas de o United estar na lanterna na tabela de corrida, mas a equipe também ocupa a décima sétima colocação na porcentagem de tempo que os jogadores passam caminhando quando não estão com a posse de bola, uma estatística que os críticos veem como prova de passividade e ausência de pressão, especialmente quando não estão com a bola.
E diante do Fulham, a crise ficou clara, já que os jogadores do United percorreram uma distância 6,6 quilômetros menor do que os jogadores do Fulham.
Uma admissão de dentro
E a crítica não veio apenas de fora, mas de dentro do vestiário. O brasileiro Matheus Cunha, autor do gol do United na partida, disse: "No início do segundo tempo, eles se esforçaram mais do que nós, e isso é algo que não podemos aceitar. Sempre jogamos melhor depois de sofrer um gol, e a situação não pode continuar assim", uma declaração que reflete a consciência dos próprios jogadores sobre o problema.
Agora, Michael Carrick entra na pausa para as datas Fifa sob enorme pressão. Ele tem três semanas para tratar uma equipe que sofre para impor seu controle por longos períodos, e um time classificado fisicamente como o pior da Inglaterra. A tarefa de recuperar o condicionamento pode ser mais importante do que qualquer plano tático no momento.





