PSG sai em vantagem em noite de vingança pessoal de Di María

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Perseguido pela torcida de seu ex-clube, o argentino decidiu com assistências, xingamentos e até brincando com cerveja. Uniu folclore a bom futebol

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Foi vestindo uma camisa branca, no caso a do Real Madrid, que Ángel Di María fez o seu grande jogo na Champions League: em 2014, quando os merengues conquistaram a tão sonhada Décima na final contra o Atleti. Meses depois o argentino deixava o Santiago Bernabéu, um tanto a contragosto, para ser anunciado pelo Manchester United, na maior transferência até então feita por um clube britânico: 59,7 milhões de libras.

Era a grande contratação que os Red Devils imaginavam ser necessária para conduzi-los novamente às glórias da época de Alex Ferguson. Não foi o que aconteceu. Di Maria até foi o líder de assistências do time na Premier League 2014-15 (10 passes para gols), mas não foi o bastante para impressionar o técnico Louis van Gaal  e um ano depois o meio-campista deixava Old Trafford para vestir a camisa do PSG.

Quis o destino que tenha sido também com um uniforme branco, o alternativo do Paris Saint-Germain, que Di Maria voltasse a ser protagonista em uma noite europeia. E justamente contra o Manchester United, dentro de um Old Trafford que o vaiava com prazer em cada uma das 44 vezes em que o camisa 11 tocou na bola. No primeiro tempo, o rosarino apareceu com destaque apenas em sua primeira cena emblemática: foi às grades do estádio após uma trombada com o lateral-direito Ashley Young e por pouco não se machucou. A torcida inglesa foi ao delírio ao ver um símbolo de sua esperança frustrada no chão. Virou meme.

Após o primeiro tempo sem maiores emoções, a etapa derradeira mudou este cenário. E apenas Di María e os torcedores do United devem ter sentido isso com um tempero especial, com um final parcialmente feliz para o PSG. No início do segundo tempo, Di Maria bateu o escanteio que resultou no primeiro gol da partida: Kimpembe aproveitou o cochilo de Matic na marcação, correu por trás do meio-campista e completou para o fundo das redes de De Gea. Na comemoração o argentino não se conteve e difamou a profissão das mães de milhares de torcedores presentes a Old Trafford.

Poucos minutos depois, Di María brilhou ainda mais ao seu estilo: acelerou pelo lado esquerdo e deu um passe magistral para Mbappé aumentar a vantagem parisiense. Um lance que relembrou os melhores momentos de sua carreira. Mas o argentino ainda foi além, ao quase beber um gole de uma cerveja atirada no gramado pelos torcedores. Tanto nas cenas mais folclóricas quanto no futebol jogado, foi quem mais apareceu nesta terça-feira (12) – embora o brasileiro Marquinhos também tenha mostrado um peso gigantesco no meio.

Angel Di Maria Man United PSG Champions League 12022019O United treinado por Solskjaer sofreu a sua primeira derrota (Foto: Getty Images)

Di María ainda não havia feito duas assistências em um mesmo jogo de Champions League pelo PSG e o Manchester United jamais havia sido derrotado em sua casa para times franceses em jogos oficiais. Não funciona mais assim. Após o jogo, em entrevista ao Esporte Interativo, o argentino afirmou não ter mágoas do clube e nem da torcida. Citou os problemas com o técnico Louis van Gaal – que tem um histórico de desentendimento com atletas já consagrados de alguma forma.

Sem Neymar e Cavani, o PSG volta para casa com grandes chances de avançar para as quartas de final pela primeira vez após três temporadas. Desde os 4 a 0 sobre o Barcelona, quando Di Maria fez dois gols no Parque dos Príncipes, os parisienses não saiam em vantagem no mata-mata. Naquele ano, a eliminação foi cruel, com o Barça vencendo na volta por 6 a 1. No entanto, ao contrário do que aconteceu em 2017, desta vez o Paris decide em casa e o VAR deverá ser utilizado em lances polêmicos.

Até lá, Di María desta vez só terá motivos para sorrir ao pensar no Manchester United.

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