O esloveno Slavko Vincic, árbitro da final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina, quebrou o silêncio e falou abertamente sobre a partida mais importante de sua carreira, e sobre o episódio mais comentado do confronto: sua conversa com Lionel Messi e a decisão de expulsar Enzo Fernández.
Em entrevista ao jornal espanhol "Sport", na qual avaliou seu desempenho na final que se estendeu por 120 minutos sem gols, Vincic afirmou que administrar a partida não foi fácil, devido ao grande contraste entre o estilo das duas seleções, já que a Espanha buscou a posse de bola, enquanto a Argentina trabalhou para travar o jogo.
A única expulsão e Messi agindo corretamente
O árbitro esloveno considerou que sua decisão mais importante na partida foi a expulsão de Enzo Fernández com o segundo cartão amarelo, decisão que descreveu como correta e que não recebeu nenhuma contestação nem mesmo por parte do lado argentino.
Mas o momento que roubou os holofotes foi sua conversa com o capitão da Argentina, Lionel Messi. Vincic recusou-se a revelar os detalhes do diálogo, mas defendeu com veemência o comportamento do craque argentino.
Vincic disse: "Minha conversa com Messi? Vou deixá-la no campo, mas posso dizer que ele agiu com grande espírito esportivo e se comportou de maneira totalmente correta", numa clara referência ao fato de que Messi aceitou suas decisões e não o pressionou como muitos fazem em partidas como essa.
E acrescentou: "É a partida final da Copa do Mundo. A mentalidade dos jogadores e suas reações são diferentes, e, dada a importância da partida, você precisa entender tudo. Não fomos assunto de conversa após o jogo, e isso é prova de que fizemos nosso trabalho bem. Acredito que nossa estratégia de arbitragem foi acertada".
E continuou: "A responsabilidade é enorme quando toda a sua história como árbitro depende de uma única partida. Eu sabia que a maior parte do trabalho estaria concentrada em administrar o jogo: quando pará-lo e quando deixar o jogo seguir".
A surpresa da nomeação e um passado sombrio
Vincic, que anunciou sua aposentadoria da arbitragem aos 46 anos, admitiu que não esperava ser designado para apitar a maior final do mundo.
E disse: "No início senti surpresa, mas depois senti orgulho da nossa equipe, que representaria a Eslovênia neste palco tão importante, no maior evento esportivo do mundo".
O árbitro esloveno não ignorou seu passado polêmico, quando foi detido em uma cabana na Bósnia e Herzegovina com outras 25 pessoas em um caso ligado à prostituição e ao tráfico de armas e drogas.
E comentou sobre o episódio dizendo: "Não tenho nada a ver com isso. Aceitei um convite para almoçar, e ficou claro que aquele foi o maior erro que cometi. Eu me arrependo disso".
