O velório de Pelé está acontecendo nesta segunda-feira (2) e vai até às 10h (de Brasília) da terça-feira (3). Diversas personalidades do mundo foram à Vila Belmiro para se despedir do Rei do Futebol. Como o velório é aberto, diversos torcedores santistas ou admiradores do ex-jogador também compareceram e a GOAL conversou com uma família representada em três gerações.
Estavam presentes no local três gerações da família Castro, o avô José de Castro, o pai Marcos de Castro e o filho Victor Castro. Os três são santistas e moram em São Paulo, mas desceram a serra do mar para darem o último adeus ao maior jogador de todos os tempos.
A história da família com o Peixe começou com José, que se mudou para Santos em 1953, onde passou sua juventude. Ele começou a se interessar pelo clube da cidade antes mesmo de Pelé estrear. José conta que viu o Santos bater o Taubaté no campeonato paulista de 1955 e garantir o título de campeão.
Pelé estrearia um ano depois, em 1956. José conta que assistiu a poucos jogos na Vila, já que teve de se mudar para São Paulo em 1957. Mas foi na capital paulista, que José pode ver mais vezes o eterno camisa 10.
"Aqui na Vila foi pouco. Mas no Morumbi era a maior farra que a gente fazia. Eu, minha esposa, minha filha. Eu fui muitas vezes [também] no Pacaembu. Na despedida contra a Ponte Preta eu estava. Sempre estava vendo o Pelé", lembrou o torcedor, que acrescentou que Pelé "deu muita alegria para mim. Muita, muita, muita".
Com muito orgulho na voz, José deixa claro que toda sua família torce para o Santos.
"Este é o meu filho, este é o meu neto, todos santistas. Eu tenho minha filha, que é santista, com filho santista e meus bisnetos são santistas. Eles vêm lá de Campinas para ver a Vila [Belmiro]. Eles gostam da Vila", disse o senhor.
Marcos de Castro, por sua vez, já não chegou a ver Pelé atuando pelo Peixe, mas lembra do amistoso de despedida contra o New York Cosmos, quando o Rei se aposentou do futebol.
"Ele é uma referência. Quando eu pequenininho, saber que o melhor do mundo jogou no seu time é uma satisfação muito grande. Eu só lembro da despedida dele do [New York] Cosmos, eu tinha menos que quatro anos, mas lembro da despedida em Santos e Cosmos. E depois, em amistoso, em 1990, quando ele fez 50 anos. Efetivamente é mais história, mas saber que ele ganhou e foi o melhor do mundo no seu time é uma satisfação muito grande", declarou Marcos.
Já o mais novo dos três, Victor falou da história e ressaltou a importância do Santos no futebol.
"O peso da camisa é muito grande. Saber que o melhor da história jogou no Santos é muito gratificante de saber que tem essa figura ilustre no time", falou o mais novo da família que estava presente no velório.
José, o mais velho, relembra de quando comemorou os títulos do Brasil com a presença de Pelé.
"Em 1958, eu estava em Brasília quando o Brasil foi campeão. Eu trabalhei em Brasília, no Palácio do Planalto, eu trabalhei lá de carpinteiro. No acampamento, o gerador parou e Rádio Nacional era pertinho e fomos assistir lá. 'Pelééé', aquele quarto gol lá, p*** m*****. Em 1962 eu tinha um armazém em São Paulo, aí foi festa. Em 1970, nem se fala", falou José, que quando perguntado qual foi a melhor que viu, ele, sem dúvidas, responde: "70".
Mesmo com toda a emoção de lembrar de Pelé na seleção brasileira, o idoso diz que comemorou mais os títulos de Pelé no Santos.
"Santos é Santos. Se tiver dois jogos do Santos contra a seleção, eu sou Santos".



