Libertadores 2013: o título que libertou o Galo e a Massa

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Bruno Cantini/Atlético-MG
Maior e mais épica conquista da história do Atlético-MG completa cinco anos e emociona como se tivesse acontecido ontem

Header Gabriel Pazini

As tempestades virão, mas também vão passar. A tristeza e a dor da derrota darão lugar ao êxtase de uma vitória inesquecível. O abraço de consolação vai se transformar em um abraço interminável que traduz tudo que as palavras não podem explicar. Assim como as lágrimas, aquelas de sofrimento com os vários reveses, mas agora de alegria, de paixão, de libertação.

Libertação. Essa é a palavra-chave.

Explicar o significado do título da Copa Libertadores da América 2013 para o torcedor atleticano certamente é uma das tarefas mais complicadas que existem para um jornalista. Cinco anos depois, a emoção daquela conquista épica arrepia os alvinegros como na noite de 24 de julho de 2013. As memórias estão frescas como se fossem de ontem.

A Libertadores, afinal, libertou o Atlético-MG e sua Massa apaixonada. E não existia um torneio e um cenário melhor para isso. Não poderia ser mais épico. Não poderia ser mais Galo.

Nada afastou a apaixonada torcida alvinegra do seu grande amor. Foi um sofrimento e até uma injustiça maior que a outra, ano após ano. O vice-campeonato brasileiro invicto em 1977 contra o São Paulo. As sofridas derrotas para o Flamengo em 1980 e 1981, afastando o sonho do bi nacional e também da Libertadores. O revés para o Corinthians em 1999. E tantos outros títulos sonhados, mas que não vieram, ficando pelo caminho.

Reinaldo - Atlético-MG(Foto: Atlético-MG/Divulgação)

Reinaldo, Toninho Cerezo, Éder Aleixo, Luizinho e uma geração de craques não conquistou os títulos que merecia. Guilherme e Marques também não conseguiram grandes glórias.

Enquanto isso, o Cruzeiro, o grande rival, ia conquistando um título atrás do outro. A taça de troféus celeste era cada vez mais repleta de grandes conquistas, nacionais e internacionais.

Isso, porém, não importava e não afastou o alvinegro, nem diminuiu seu amor. Nem mesmo a Série B, a fama de flanelinha e uma goleada vexatória para o rival, em jogo que poderia ter colocado a Raposa na segunda divisão, foram capazes de fazer isso.

A fé inabalável não era recompensada, mas nada disso era importante. O amor alvinegro e a loucura atleticana só aumentavam.

Atlético-MG Olimpia 24072013 Copa Libertadores

Depois de muitos anos, porém, uma rara grande campanha no Campeonato Brasileiro recolocou o Galo de um renascido Ronaldinho Gaúcho na Copa Libertadores.

O Atlético-MG voltaria a disputar o torneio que tanto sonhava conquistar. Aquele torneio cujo nome é uma homenagem aos libertadores da América do Sul, aos líderes da independência dos países do continente.

Lembra daquela fé e daquele amor não correspondidos?

O fantasma de 1977 foi exorcizado com tudo o que tinha direito. Show com a bola e malandragem do mágico Ronaldinho, fazendo Rogério Ceni de bobo usando água.

Ronaldinho Atlético-MG Newell's Old Boys Copa Libertadores 10072013Ronaldinho Atlético-MG São Paulo Copa Libertadores 09052013

Tardelli, um dos grandes ídolos do clube, tinha uma grande atuação atrás da outra. Bernard, cria da base, era o terror dos hermanos em plena Argentina. R10 encantava como não fazia há muitos anos.

Contra o Tijuana, uma eliminação no último minuto em casa, com a cara e o sofrimento do Atlético-MG, parecia certa, mas a fé inabalável, antes motivo de piada dos rivais, finalmente foi recompensada com uma defesa indescritível.

Em segundos, o desespero virava uma loucura de arrepiar. Um lance épico provocava uma catarse coletiva e transformava um clube para sempre. As lágrimas vinham juntas da certeza de que, enfim, era possível acreditar, ter fé e receber a resposta tão aguardada.

Mas para o Galo, sofrimento nunca é demais. Para a libertação completa, era preciso ser ainda mais épico. Era necessário perder duas vezes fora de casa para virar em Belo Horizonte. Eram necessários um escorregão divino e as defesas de um Santo.

Victor Atlético-MG Olimpia 24072013 Copa Libertadores

Cuca não era mais azarado. Ronaldinho tinha voltado a ser mágico. Jô, a eterna promessa, era artilheiro da Libertadores. Um homem era canonizado sem estar morto e sem o consentimento do Papa. Uma Massa tão apaixonada e sofrida como seu clube, enfim via sua fé ser recompensada e, assim como o Galo, era libertada.

Ronaldinho Diego Tardelli Richarlyson Atlético-MG Olimpia 24072013 Copa LibertadoresAtlético-MG Olimpia 24072013 Copa Libertadores(Fotos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Não importa quantos anos passem, será sempre uma tarefa complexa tentar explicar o significado daquela noite de libertação, assim como os arrepios e a mistura de sentimentos indescritíveis continuarão emocionando o torcedor atleticano e os amantes do futebol e de boas histórias. A noite de 24 de julho de 2013, como toda aquela Libertadores, não poderia ter sido mais épica. Não poderia ter sido mais Atlético-MG.

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