A Federação Internacional de Futebol, a FIFA, acusou sua congênere europeia, a UEFA, de lançar uma "campanha de difamação" contra ela e contra seu presidente, Gianni Infantino, depois que o órgão que rege o futebol europeu ameaçou abrir "processos criminais" contra o presidente cercado da FIFA, de acordo com o jornal "The Athletic".
Em 28 de agosto passado, a UEFA alegou, em um documento jurídico apresentado nos Estados Unidos, que Infantino estava "promovendo" um "preço fora do mercado, de maneira fraudulenta e em benefício próprio", quando propôs vender uma participação de 20% das operações comerciais e regulatórias da FIFA, em troca de 4,2 bilhões de dólares "3,1 bilhões de libras esterlinas".
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A UEFA solicitou a divulgação de documentos, como preparação para uma possível abertura de "processos criminais" contra Infantino na Suíça, referentes ao seu plano fracassado. Seus advogados afirmaram que a avaliação de 4,2 bilhões de dólares era "absurdamente baixa" e não foi "produto de um leilão aberto e competitivo".
"Campanha de difamação"
Mas a FIFA respondeu ao documento jurídico da UEFA apresentando um pedido de intervenção, no qual pediu o adiamento da concessão do direito de acesso aos documentos, ou a rejeição integral do pedido.
O documento da FIFA, apresentado em Nova York na última terça-feira, dizia: "Embora esses pedidos sejam formulados como ações judiciais, com títulos e números de processo, não são mais do que comunicados de imprensa que sustentam a campanha de difamação promovida pela UEFA contra a FIFA e sua liderança".
E acrescentou: "Isso fica evidente na decisão da UEFA de alertar os meios de comunicação antes de apresentar esses pedidos, e nos muitos parágrafos do pedido baseados apenas em reportagens jornalísticas "muitas das quais citam a própria UEFA", e no fato de que o pedido da UEFA sofre de uma falha fundamental: ela solicita a divulgação para dar suporte a um processo criminal estrangeiro que não existe, e a própria UEFA reconhece que não tem competência para abri-lo".
A Federação Internacional de Futebol também acusou a UEFA de ter deliberadamente obstruído o projeto FFE, inclusive com a ameaça de boicote de todas as seleções europeias aos próximos torneios da FIFA caso o plano não fosse retirado, na tentativa de impedir que o projeto fosse lançado.
O documento dizia: "Em vez de participar desse processo democrático, a UEFA emitiu um comunicado de imprensa, dando início a uma campanha de difamação de semanas contra a FIFA e sua liderança".
"As motivações da Europa"
A FIFA alega que a "motivação econômica" da UEFA para impedir o surgimento do FFE era "impedir que os países menores tivessem o poder financeiro para competir com a elite europeia".
O documento afirma: "Se o futebol se fortalecesse no mundo em desenvolvimento, a concorrência global aumentaria, o que reduziria, em última instância, o poder de mercado da UEFA e criaria mais concorrência para seus principais torneios".
E acrescenta: "Ao arrecadar recursos para permitir que algumas das federações-membro menores da FIFA desenvolvessem melhor o futebol, o FFE levaria à seleção de mais jogadores desses países para representar suas nações de origem e atuar em seus campeonatos nacionais, em vez de jogar no exterior. Tudo isso enfraqueceria a hegemonia da UEFA sobre outras regiões do mundo".
No documento, a FIFA também rejeitou a ideia de que a UEFA seja capaz de mover uma ação criminal contra Infantino na Suíça.
E não é apenas Infantino o alvo do pedido de divulgação da UEFA. Documentos jurídicos idênticos foram apresentados contra a "Thrive", Joshua Kushner e o "JP Morgan" na cidade de Nova York, além de contra a "Ban Ventures" e seu diretor-executivo Greg Maffei, no Colorado.
Estava previsto que o "JP Morgan" e a "Ban Ventures" atuassem ao lado da FIFA no projeto FFE, e a FIFA os nomeou em seu comunicado divulgado em 28 de julho, no qual anunciou os planos.
Em resposta ao pedido da UEFA de divulgação dos documentos, e em seu primeiro comentário desde os desdobramentos do FFE, Kushner emitiu um comunicado na última segunda-feira, no qual afirmou que a "Thrive" "não avaliou as dinâmicas políticas do futebol mundial", e acrescentou: "Não teríamos nos envolvido no plano" se soubéssemos "no que ele se transformaria".
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