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Gauvin Le SommerGetty Images

Festa europeia: o que esperar das quartas da Copa do Mundo feminina?

Tricampeã da Copa do Mundo feminina, a seleção dos Estados Unidos pode ser considerada uma intrusa nas quartas de final do torneio, que tem início nesta quinta-feira (27). A equipe é a única não europeia a permanecer no mata-mata, que conta com França, Noruega, Inglaterra, Itália, Holanda, Alemanha e Suécia.

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Não é coincidência que sete das oito equipes sejam europeias. Um salto em relação ao último Mundial, quando apenas três seleções do continente avançaram às quartas (Alemanha, França e Inglaterra). O desenvolvimento da modalidade na Europa é visível no aumento de times tradicionais, crescimento de ligas locais e fortalecimento da Champions League. Entre as classificadas para a próxima fase, apenas a Holanda não tem a maioria das jogadoras atuando no país (das 23 convocadas holandesas, 17 jogam no exterior).

A força europeia em números

Segundo o último balanço divulgado pela UEFA, em maio deste ano, 123 milhões de euros foram investidos no futebol feminino pelas federações associadas desde 2017. O dinheiro, como de praxe na política do futebol, não vai direto para a mão dos clubes, mas ajuda a fomentar as ligas locais. A entidade lançou um plano de trabalho que prevê 2,5 milhões de jogadoras com registro profissional no continente -- atualmente o número está em 1,3 milhões.

Com tradição na modalidade, os EUA se mantêm no bolo pela estrutura fornecida às jogadoras de todos os clubes do país, desde a base. Também não é por acaso que nunca ficaram fora dos três primeiros lugares em nenhuma Copa (a equipe foi campeã em 1991, 1999 e 2015, ficou em segundo lugar em 2011 e terminou em terceiro em 1995, 2003 e 2007).

O avanço para as semifinais também significa a classificação das europeias nos Jogos Olímpicos de Tóquio, no próximo ano. Por isso, há um incentivo a mais para que as equipes queiram passar: as três melhores colocadas na Copa garantem as vagas da UEFA na Olimpíada.

Confira as projeções para cada jogo das quartas: 

Noruega x Inglaterra (27/6 - 16h)

Por que assistir? A Noruega vai atrás de revanche por ter sido eliminada pela Inglaterra na última Copa, nas oitavas, por 2 a 1. Por outro lado, as inglesas conhecem um de seus melhores momentos no futebol e prometem um confronto bem acirrado, sendo as favoritas.

Como chegam as equipes?

A Noruega conquistou um título em 1995 e busca repetir o feito apostando em atletas que atuam, em sua maioria, a nível nacional: apenas sete jogam fora do país. Mesmo sem a estrela Ada Hegerberg, que decidiu não jogar o Mundial em protesto por melhorias na modalidade, o time deposita suas esperanças nas atacantes Isabell Herlovsen e Caroline Graham Hansen. A seleção apresenta um estilo de jogo mais centrado na manutenção da posse de bola e apelo aos contra-ataques.

Com quatro Copas no currículo, a Inglaterra é apontada favorita no duelo por ter vencido todas as partidas até aqui e, ainda, só ter levado um único gol, diante da Escócia, na fase de grupos. Assim como a rival, concentra atletas que atuam em casa, com apenas cinco jogando no exterior. O elenco vem sendo reverenciado pelo entrosamento e pela rapidez no ataque. As apostas recaem sobre a zagueira Lucy Bronze e as atacantes Fran Kirby, Toni Duggan e Ellen White. 

França x EUA (28/6 - 16h)

Por que assistir? O duelo vem sendo tratado como final antecipada da Copa. Muito pela força das anfitriãs, que eliminaram o Brasil por 2 a 1 nas oitavas, diante da potência dos EUA, sempre favoritos, classificados após vencerem a Espanha também por 2 a 1. Não há favorita e ambas são consideradas as mais fortes da Copa; em Mundiais, se encontraram apenas uma vez, nas semifinais de 2011, quando os EUA saíram vitoriosos por 3 a 1.

Como chegam as equipes?

Donas da casa, as francesas contam com o apoio da torcida e boa média de público nos jogos. O crescimento da liga nacional também ajudou a promover o futebol feminino: só duas convocadas jogam no exterior. As atletas se conhecem bem e compõem um time harmonioso, com muita força desde a saída de bola. Os principais nomes se distribuem em campo: a zagueira Wendy Renard, a meia Amandine Henry e a atacante Eugenie Le Sommer.  

Buscando o bicampeonato, as americanas também chegam com elenco estrelado, composto apenas por jogadoras que atuam nos EUA. Confiantes após estreia com goleada de 13 a 0 sobre a Tailândia, só levaram um gol até o momento. O principal ponto é o ataque, que flui bem desde o meio-campo e apresenta muita rapidez. Atacantes experientes, Alex Morgan, Megan Rapinoe e Tobin Heath são os nomes mais proeminentes do time. 

Itália x Holanda (29/6 - 10h)

Por que assistir? As seleções são duas surpresas do Mundial e nunca se enfrentaram antes na história do torneio. A Itália retorna de um hiato de 20 anos sem disputar a Copa e a Holanda chega embalada em sua segunda participação.

Como chegam as equipes?

Presente nas Copas de 1991 e 1999, a Itália vive uma revolução no futebol local, algo que se reflete nas convocadas: apenas uma jogadora atua no exterior. O time conhece muita qualidade técnica no meio-campo, com destaque para as meias Valentina Cernoia e Barbara Bonansea.  

Já a Holanda, que entrou em novo patamar na modalidade após vencer a Eurocopa de 2017, coloca suas principais apostas no ataque veloz do time, com Lieke Martens e Shanice Van de Sanden. 

Alemanha x Suécia (29/6 - 13h30)

Por que assistir? Presentes em todas as edições, as duas equipes vivem uma rivalidade desde a primeira Copa, quando a Suécia levou a melhor por 4 a 0 na disputa pelo terceiro lugar. Os times se encontraram novamente em 1995, pelo grupo A, com vitória sueca por 3 a 2. Já em 2003, se enfrentaram na final; a Alemanha levou a melhor por 2 a 1 e ergueu o primeiro de seus dois títulos. E em 2015 as alemãs despacharam as suecas para casa nas oitavas, vencendo por 4 a 1. 

Como chegam as equipes?

Apontada como favorita no duelo, a Alemanha não levou nenhum gol nesta edição do Mundial. Destaque para a jovem zagueira Giulia Gwinn, de 19 anos. A força da equipe se concentra no meio-campo, com a boa comunicação entre a meia Sara Daebritz e as atacantes Alex Popp e Lea Schueller.

A Suécia, por sua vez, concentra suas melhores peças na defesa. A começar pela goleira Hedvig Lindahl, com oito boas defesas até aqui. Outros nomes de destaque do time são a volante Nilla Fischer e a meia Kosovare Asllani.
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