Por que o lado direito do Maracanã importa tanto para Vasco e Fluminense?

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Paulo Fernandes/Vasco da Gama
Clubes discutem por Setor Sul desde 2013, e debate ficou acirrado antes da final da Taça Guanabara

O lado direito do Maracanã, protagonista de um grande embate entre Vasco e Fluminense nos últimos anos, voltou a roubar a cena na final da Taça Guanabara de 2019. Irritado por perder a prioridade no setor, o Fluminense foi à Justiça e conseguiu uma decisão judicial, a menos de 24h do pontapé inicial, determinando que a decisão se jogue de portões fechado.

No entanto, após o Vasco, em reunião com os órgãos de segurança antes do início da partida, liberar a entrada dos torcedores, assumindo o risco de pagar uma multa de R$ 500 mil por descumprir decisão judicial, e o Juizado Especial Criminal não abrir os portões para os torcedores, finalmente os amantes do futebol puderam entrar no estádio já com a bola rolando e presenciaram a equipe cruzmaltina bater o Flu por 1 a 0.

A história é complicada de entender, passa pela formação do futebol carioca desde a fundação do Maracanã e desemboca em uma disputa judicial pelo estádio após as reformas feitas para a Copa do Mundo.

Entenda a polêmica!


QUAL A HISTÓRIA DO SETOR SUL?


Tradicionalmente, a torcida do Vasco sempre se localizou no lado direito da tribuna de honra do Maracanã. Na época em que o estádio foi erguido, ficou decidido que o clube que vencesse o primeiro Estadual disputado no novo palco teria prioridade para escolher em qual lado ficaria.

O Vasco, então, venceu o América por 2 a 1 e se sagrou campeão do Campenato Carioca de 1950. O lado direito foi o escolhido por um simples motivo: não batia sol.


COMO COMEÇOU A BRIGA?


Torcida do Fluminense
Foto: Bruno Haddad / Fluminense

Após 64 anos de tradição, a confusão se instalou em 2013, com a reabertura do Maracanã após as obras para a Copa do Mundo de 2014. Já com contrato com o consórcio que então administraria o local, o Flu não abriu mão de receber a sua torcida no lado direito, contrariando o que tinha se tornado praxe desde então no Rio de Janeiro.

No primeiro jogo entre os dois times com a nova divisão, o Vasco venceu por 3 a 1. Autor de um dos gols, Juninho Pernambucano não perdeu a oportunidade e, durante a comemoração, se dirigiu ao lado direito e falou: "Esse lado é nosso".

"Eu tenho contrato com o consórcio do Maracanã". "A tradição do Maracanã tem de ser respeitada". Assim os clubes arrastaram a briga durante os últimos anos. Porém, apesar de ter perdido todas as solicitações para utilizar o Setor Sul, a equipe cruzmaltina foi derrotada apenas uma vez com sua torcida se posicionando à esquerda das cabines de rádio dos estádio.


TAÇA GUANABARA: QUEM FICA COM O LADO DIREITO?


 

Em 2019, depois de anos de idas e vindas judiciais e muito bate-boca na imprensa, o Vasco ganharia o direito de voltar a ocupar o lado direito. Dono da melhor campanha, ele chega à final como mandante e, por isso, teria a primazia de escolhar seu lugar no estádio. Divergências sobre o contrato assinado entre Fluminense e o consóricio do Maracanã, além de uma inadimplência de cinco anos dos tricolores, ajudaram a construir o cenário favorável aos cruzmaltinos. 

Só que o Fluminense decidiu "ir para a guerra", nas palavras de seus dirigentes, se recusou a vender ingressos para a final sob alegação de risco de confronto entre as torcidas e foi à Justiça para tentar reaver o direito ao Setor Sul. 

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A decisão tomada pela Justiça na madrugada de sábado para domingo está sendo contestada pelo Vasco, e as horas que antecedem a partida foram cruciais na disputa.

No início da tarde do último domingo (17), o Vasco convocou os seus torcedores para o Maraca, informando que a presença estava liberada, com os portões sendo abertos às 15h (de Brasília). Porém, o que se viu foi uma vergonha nacional, em um jogo de interesses políticos de ambos os lados que não queriam abrir mão.

Após um novo veto, com mais de 20 mil torcedores do lado de fora do estádio, o Jecrim abriu os portões já no final do primeiro tempo temendo uma confusão ainda maior.

Com a maioria dos torcedores vascaínos presentes, a equipe comandada por Alberto Valentim bateu o Flu por 1 a 0, e o Maraca foi tomado por provocações para o lado tricolor.

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