Neymar chegou ao Barcelona em 2013 e deixou o Camp Nou em 2017, rumo ao PSG, mas foi apenas em dezembro de 2022 que a história do jogador com o clube catalão teve o seu ponto final definitivamente cravado. Isso porque a justiça espanhola absolveu Neymar e outros envolvidos no processo de “corrupção provada” em sua venda do Santos para o Barça. A decisão seguiu os mesmos critérios do Ministério Público espanhol, que já havia retirado as acusações de fraude na reta final do processo.
A história envolvendo a ida de Neymar ao Barcelona foi repleta de capítulos polêmicos envolvendo os bastidores da negociação. Quem acionou a justiça contra Neymar, os clubes envolvidos e demais peças da negociação foi o fundo DIS, que em 2009 adquiriu 40% dos direitos econômicos do então jovem craque brasileiro, na época em que a Fifa permitia este tipo de ação – a entidade baniu esta modalidade de negócio em 2016. Quando o negócio foi fechado para Neymar ir jogar na Europa, o valor anunciado da transferência acabou não sendo o valor de fato da mesma e motivou o processo de “corrupção privada”.
O Barcelona anunciou a contratação de Neymar, em maio de 2013, por 17,3 milhões de euros. A DIS, então, recebeu os 40% que lhe cabiam: 6,84 milhões de euros. Acontece que, posteriormente, o próprio clube catalão voltou atrás ao se referir aos valores pagos pelo craque: gastou, na verdade, 57 milhões de euros. Uma diferença considerável cujo dinheiro foi pago para a N&N, empresa fundada pelo pai de Neymar e responsável pela carreira do jogador.
Os valores foram referenciados como pagamentos por amistosos a serem disputados, entre Barcelona e Santos, direitos de imagem, luvas e outras variações. O DIS, contudo, se viu prejudicado pela operação e argumentou ter sido vítima de manobras feitas para reduzir o seu valor na negociação.
A acusação feita contra Neymar, seus familiares e agentes foi de “corrupção privada”, crime que só passou a existir na Espanha em 2014, portanto um ano após a ida do atacante para o Barcelona. Esta foi a principal linha de argumentação dos advogados de defesa de Neymar.
A DIS pedia a prisão de Neymar, além do pagamento de multas milionárias por parte de seu pai, de dirigentes do Barcelona (Sandro Rosell e Josep Maria Bartomeu) e do ex-presidente do Santos Odílio Rodrigues. A inocência do atacante foi anunciada pelo tribunal de Audiência de Barcelona, virando, enfim, uma página que seguia aberta.
