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Diniz cai como todos, mas deixa o debate de poucos

14:13 BRT 19/08/2019
Fernando Diniz Fluminense Goiás Brasileirão 28042019
Treinador não aguentou a sequência de maus resultados e deixa o Flu após derrota em casa para o CSA

Fernando Diniz foi demitido do Fluminense depois do seu jogo-síntese: finalizou como Manchester City, mas seguiu tomando mais gols que o Avaí, e então perdeu em casa de um dos piores times do campeonato mesmo ficando com a bola, amassando o rival no campo de defesa e errando poucos passes.

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Diante do cenário, a demissão é coerente: 12 pontos em 15 rodadas de Campeonato Brasileiro não seguram técnico de clube grande nenhum. Imaginando que o Cruzeiro, time mais próximo fora da zona do rebaixamento, tem time para se recuperar e subir na tabela, a briga do Fluminense contra a queda já é, sim, dramática.

Até aí, nada de novo no front. Até Luiz Felipe Scolari já deixou o Palmeiras num início de segundo turno em zona de rebaixamento, em setembro de 2012. Rogério Ceni caiu no São Paulo antes, também num Z4 ainda em julho, em 2017.

Mas o ponto sobre Fernando Diniz é como o trabalho motiva uma discussão sobre forma de jogar nem sempre vista no futebol brasileiro. E Fernando Diniz, exposto e propondo esse debate como poucos, virou alvo fácil de um antagonismo exagerado, quase um Brasil de Telê contra Brasil de Parreira particular, supervalorizado para ambos os lados como se proposição de jogo ofensivo e atenção ao resultado fossem extremos absolutos.

Quem se encanta com o trabalho de Diniz se apega a alguém obcecado pelo bom futebol. O futebol propositivo, que busca amassar o adversário sem cerimônia, que se recusa a cozinhar o jogo ou diminuir o ritmo caso encontre um gol no início. O protagonismo acima de tudo a partir de jogadores confiantes em gostar da bola, sem sentar em cima do resultado seguro mesmo diante de um time forte. Uma ideia de jogo capaz de enfiar 3-0 em 11 minutos no Atlético Nacional ou mesmo buscar um 5-4 inesquecível diante do Grêmio em Porto Alegre.

Assim, o Fluminense é o time com mais finalizações no Campeonato Brasileiro, ainda que só tenha vencido três jogos. No revés derradeiro de Diniz, foram 33 tentativas de marcar contra o CSA. Mas, se o time ataca muito, os maus resultados apontam para muitas fragilidades na defesa. Tem talvez uma das piores recomposições da Série A, por isso tão exposto nos contra-ataques e tão vazado - sofre mais gols até que o Avaí, que não ganhou de ninguém.

Mas, se o time visivelmente tem inúmeros problemas, as críticas são desproporcionais como nos mais pobres embates que perguntam se é melhor ganhar ou jogar bem (como se alguém fosse capaz de torcer para o próprio time jogar mal). Se o Fluminense perde, quem perde é Diniz, nunca o goleiro que falha ou os atacantes que não acertam o pé; se finaliza demais e o gol não sai, é o time do toquinho, que prefere jogar bonito que ganhar, do treinador que é uma farsa.

Talvez seja o único treinador cuja convicção é sempre culpada pela derrota. Curioso também como alguém com carreira tão jovem, só a segunda Série A da vida, já seja tão estigmatizado por um estilo enquanto técnicos que estão há anos pulando de clube em clube mal são diferenciados pela maioria das pessoas que acompanha futebol.

E aí encerro com duas hipóteses sobre o porquê de tamanha dualidade de impressões.

Primeiro que normalizamos a mediocridade, aceitamos muito facilmente o jogo arrastado e sem graça, o treinador de clube gigante que rasga elogios à concentração da equipe depois de um 0-0 que não rende nem melhores momentos, o tal do 'importante ponto conquistado' em jornadas que se negou a jogar. O futebol pragmático, aquele que vale se tiver êxito prático, ou seja, quanto mais o jogo tiver parado ou a bola for chutada para longe, menores as chances de eu sofrer um gol. Assim, quando um time exageradamente propositivo perde, acaba ridicularizado. É olhar para o 0-1 contra o CSA e pensar que um retranqueiro qualquer teria levado ao menos um ponto.

Segundo que ainda é muito mal resolvido no Brasil a ideia de "futebol bonito". O Fluminense não tem jogado "bonito", nenhum Fluminense na história da humanidade poderá jogar "bonito" e ganhar três jogos de 15. E não é necessariamente "bonito" (esse bonito vazio e que é tratado como puro fetiche) querer ficar com a bola e finalizar 30 vezes em 90 minutos. Então me parece que foi dado erroneamente a Diniz um rótulo de jogo bonito que não condiz com sua proposta - ela é do protagonismo, do ficar com a bola para controlar o adversário. Um jeito de jogar, tal qual o contra-ataque ou o jogo mais direto não é necessariamente "feio".

Enfim, se 20 cachorros fossem técnicos da Série A, independente das raças 15 seriam demitidos durante o campeonato, uns dois seriam louvados por salvarem o time do rebaixamento, um seria a revelação (outro a decepção), quatro cairiam e só um seria campeão. Se tem uma coisa que vale muito no discurso de Fernando Diniz é o tanto de tempo que a gente perde debatendo a única coisa que não se tem controle e que vai acontecer de todo jeito: o resultado. Não é diminuir sua importância, é que o debate mais interessante é o durante, não o fim.