Notícias Placares ao vivo
Brasileirão Série A

De Geninho a Valverde: é possível aprender sempre no futebol

09:00 BRST 02/02/2019
Eduardo Costa CBF Academy 01 02 2019
Em entrevista exclusiva, o ex-jogador Eduardo Costa relembra ensinamentos de seus treinadores antigos enquanto busca o seu espaço

Eduardo Costa é mais conhecido pela carreira que teve como jogador. Em 15 anos de carreira, desde que apareceu com destaque nas categorias de base do Grêmio mais ou menos na mesma época em que Ronaldinho Gaúcho, o meio-campista rodou o mundo, conquistou títulos no Brasil, no exterior e acima de tudo acumulou conhecimento ao lado de grandes craques e ‘professores’ de respeito. Hoje, o catarinense que pendurou as chuteiras em 2015 sonha com a carreira de treinador.

Jogador que passou por todas as categorias de base da Seleção, Eduardo conviveu perto de treinadores que tiveram sucesso no passado e presente. Trabalhou com Antonio Lopes, Tite, Felipão, foi campeão brasileiro pelo São Paulo com Muricy Ramalho (2008) e da Copa do Brasil pelo Vasco (2011). Esteve sob o comando de Ernesto Valverde, atual comandante do Barcelona, no outro grande clube catalão, o Espanyol. Foi lá onde também deu prosseguimento às resenhas de tática com o argentino Mauricio Pochettino, que hoje é considerado um dos melhores treinadores do mundo no Tottenham e atuou ao lado do brasileiro também no Bordeaux.

Embora veja a função como a mais “difícil e inconstante” do futebol, Eduardo mostra um perfil seguro do que deseja para o futuro. Pensa com muito cuidado antes de aceitar a primeira oferta que aparecer para evitar “se queimar” no mercado e tem a certeza de que o estudo é tão importante quanto a experiência adquirida nos tempos em que escutava atentamente às instruções de alguns dos melhores treinadores à sua disposição. É algo que ele busca aproveitar em seu favor.

“São mestres, profissionais vitoriosos, trabalharam no mais alto nível”, disse em entrevista exclusiva para a Goal Brasil. Sempre atento ao maior número de jogos possíveis, para fazer suas anotações, o ex-jogador acredita que atualmente a maior responsabilidade de um comandante vai muito além das quatro linhas, embora goste de se imaginar treinado uma equipe com futebol mais ofensivo – se for esta a característica do elenco que tiver em mãos.

"Geninho trabalhou de norte a sul, ele conhece muito da realidade do futebol brasileiro" (Foto: Frederico Tadeu/Avaí)

“O treinador é um gestor de pessoas. No meu ponto de vista, este é o primeiro e principal quesito para ter sucesso. A parte tática, conceitos e metodologias, todo mundo tem acessos hoje. Cada um tem que saber colocar aquilo que pensa, as suas ideias”, afirmou, citando Ricardo Gomes e Tite como dois grandes exemplos neste sentido. Mas uma pessoa muito constante nas suas lembranças é Geninho, seu último treinador. O campeão brasileiro de 2001 pelo Athletico-PR trabalhou com Eduardo no Avaí e virou uma espécie de conselheiro.

Um destes últimos conselhos antes da chuteira ser pendurada soou familiar. Anos antes, havia saído da boca de Ernesto Valverde no Espanyol: "Ele citava em entrevistas que os ex-atletas precisavam dar um tempo para saberem o que gostariam de fazer no futebol. Eu escutava aquilo e ficou na minha cabeça. Ele falava para cuidarmos dessa questão do pós na carreira", relembrou. E foi exatamente o que optou fazer, mesmo em meio a propostas para trabalhar dentro do Leão catarinense.

"Valverde é direto, não tem meias palavras. É um conhecedor", relembra Eduardo (Foto: Getty Images)

"Como era muito recente, eu quis esperar um tempo para saber realmente se eu queria trabalhar com futebol e, mais importante, ter a certeza de qual função eu gostaria de desempenhar. E a partir daí começar a se preparar. Acho que só o lado prático, de ter sido atleta e a vivência dentro do futebol não dá a certeza e a total condição de exercer uma outra função como treinador ou dirigente... e foi isso que eu fiz. Conversei com diversos profissionais com quem eu trabalhei e que estão no mercado".

Retomar contato com Pochettino esta na lista de afazeres de Eduardo (Foto: Getty Images)

Sentindo-se preparado para exercer a sua função, Eduardo Costa cita o intercâmbio vivido na Europa, a liderança silenciosa de Valverde e o conhecimento de Geninho no mercado brasileiro (“trabalhou de norte a sul, ele conhece muito da realidade do futebol brasileiro. Ele não ficou preso a um só mercado, girou o país. E para quem está começando, ele é um cara que pode te ajudar muito", destacou em meio à conversa). Em meio aos planejamentos, fazer contato com Pochettino para um período de estágios no Tottenham está na lista.

Afinal de contas, perto de encerrar os estudos de Licença A da CBF, não há limites para quem busca o aprendizado, tampouco o preconceito em relação a decidir qual destes conhecimentos é mais ou menor importante.

“Eu já me sinto pronto para exercer a função, mas tem que segurar a ansiedade para não me queimar e jogar por água abaixo todo esse processo que eu estou fazendo", finalizou.