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Daniel Alves, o craque do Brasil que bateu a melhor Argentina desta Copa América

23:59 BRT 02/07/2019
Dani Alves Brasil Argentina Copa América 02072019
Quem foi ao Mineirão viu, também, boa exibição de Messi. Mas o show à parte, o toque de arte, foi do lateral-direito

A expectativa antes da semifinal contra a Argentina, nesta terça-feira (02), era ver o Brasil criando suas principais oportunidades pelo lado esquerdo de ataque. Afinal de contas, era por ali que Everton Cebolinha, o xodó brasileiro nesta Copa América, vinha decidindo ao mesmo tempo em que, do outro lado, também representava o calcanhar de Aquiles dos hermanos. Mas a vitória por 2 a 0, que levou a equipe de Tite à decisão, teve como símbolo uma exibição magistral do lateral-direito Daniel Alves.

Jogador de linha mais velho desta Copa América, com 36 primaveras completadas, ele voltou a fazer o que havia feito 12 anos atrás, no último confronto de mata-mata entre Brasil e Argentina. Mas se em 2007 o então jogador do Sevilla saiu do banco de reservas para sacramentar o 3 a 0 que garantiu o título, em 2019 o consagrado capitão, um dos atletas mais vitoriosos de todos os tempos, não apareceu nas estatísticas com assistências ou estufando as redes: desfilou nos gramados comandando as transições e passes. E, acima de tudo, naqueles detalhes que desde os tempos antigos rotulam os grandes craques: o entendimento raro na hora em que o seu corpo entra em contato com a bola.

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Desde o início do duelo, tenso e repleto de faltas desde os primeiros minutos, o camisa 13 se movimentava para buscar espaço em meio à forte pressão posta pelos argentinos no campo de ataque. Soltava a bola na maior parte das vezes para Arthur, que dava prosseguimento aos lances. Mas também aparecia bem no ataque, como é sua característica.

E aos 19 minutos, fez a jogada que fica para sempre no Mineirão: recebeu pela faixa central do campo, ali pela intermediária, e deu um lindo chapéu em Acuña, meio-campista que tinha apenas 15 anos quando Dani Alves deu o tiro final nos argentinos naquela final de 2007. O lance prosseguiu com uma linda enfiada para Firmino, que serviu Gabriel Jesus, centralizado como pede  a camisa 9 às suas costas. Golaço por causa de Daniel.

Os argentinos cresceram depois daquele momento. Tanto a Albiceleste quanto Lionel Messi, que tantas e tantas vezes comemorou gols tendo Daniel Alves como garçom no Barcelona, fizeram a sua melhor exibição nesta Copa América. A confusa equipe treinada por Scaloni foi às traves duas vezes. Na segunda delas Messi carimbou o poste. Segundos antes, porém, o rosarino foi desarmado como um bebê que tem o doce tirado de seu pé. Daniel Alves fez isso. E repetiu outras duas vezes contra os adversários, demonstrando ser, também, um dos pilares na defesa que ainda não foi vazada nesta Copa América.

Com uma matada de peito, encobriu Di María aos 59 minutos. Um lance que vale, também, um parágrafo próprio.

O Brasil fez o 2 a 0 em jogada individual de Gabriel Jesus, que recuperou a bola pelo lado esquerdo, brigou e avançou até driblar o instinto para respirar, pensar, e dar um presente para Roberto Firmino fazer o seu. O camisa 9 foi outro grande destaque de uma noite de futebol seguro, sério e extremamente competitivo do Brasil. Mas cujo grande artista foi Daniel Alves.

O baiano terminou a partida como jogador brasileiro que mais tocou na bola [111], mais trocou passes no geral [78] e no campo de ataque [43]. Entretanto a estatística que mais bem combina com a poesia do lateral nesta terça foi o número de recuperações de bola: ninguém em campo foi buscar a esfera mais do que Daniel. Ele fez isso 11 vezes, uma para cada companheiro. Como quem tirasse a esfera para dançar, namorar.

Ele tratou a bola com um carinho digno dos grandes craques. Criou, defendeu, comandou. Foi líder e demonstrou ainda a ternura da compaixão ao dar um abraço apertado em um cabisbaixo Messi após o apito final.

A noite em que o Brasil eliminou a Argentina das semifinais da Copa América, prolongando o sofrimento albiceleste, vai ficar conhecida como a que Dani Alves provou por A mais B que é um imortal. Quem foi para o Mineirão ver Messi decidir, viu Daniel Alves desfilar.