Arno Vermeulen se aposentou oficialmente em 1º de setembro passado. Após 23 anos a serviço da NOS, entre outras funções como comentarista e analista, o natural de Alkmaar, de 66 anos, entendeu que era o momento de parar. Em entrevista à Voetbal International, Vermeulen compartilha, entre outras coisas, sua preocupação com a nova geração de comentaristas.
Como comentarista, Vermeulen visitou inúmeros estádios na Holanda e no exterior. No verão passado, por exemplo, ele também esteve presente pessoalmente na Copa do Mundo, onde comentou, entre outros jogos, a já clássica partida Argentina x Cabo Verde.
Hoje em dia, não é mais uma certeza que os comentaristas estejam de fato presentes no estádio. Vermeulen faz grandes ressalvas a isso e afirma que um comentarista em um "quartinho" jamais pode alcançar o mesmo nível que em um estádio.
"Eu me preocupo com os jovens comentaristas", diz Vermeulen em entrevista à VI. "Dá para fazer tudo diante de um monitor. Algumas pessoas talvez nem percebam. Mas a contextualização, que é tão importante na NOS, desaparece por completo. Você simplesmente não está lá, então, fora do jogo em si, não tem nada para contar."
"E aí você ainda tem de participar de um podcast. Há uma contradição nisso. Além disso, como comentarista, você pode ser arrastado pela atmosfera de um estádio. É aí que pode estar no seu melhor e tirar nota 9. Num cubículo desses, no máximo se chega a 7. A sua preparação é diferente, porque, num dia desses, o seu foco está em outras coisas."
"Você não tem a visão do todo e não consegue ver o que acontece fora da bola. Minha preocupação é que a jovem geração de comentaristas veja apenas salinhas empoeiradas e não vivencie mais nada", afirma Vermeulen, que cita a Ziggo Sport como exemplo. A emissora detém os direitos de transmissão, entre outros torneios, da Champions League, da Liga Europa e da Conference League.
"A Ziggo paga muito dinheiro pelos direitos da Champions League, mas mesmo assim mantém os comentaristas em Hilversum. Eu simplesmente não entendo nada disso", conclui Vermeulen, que não descarta voltar a trabalhar como comentarista, mesmo que como freelancer. "Acho que não, mas também não descarto. Nunca diga nunca."

