Martí Perarnau, jornalista e escritor especializado em futebol profissional, e em especial no Barcelona e em Pep Guardiola, falou no programa "La Grada del Palco", da rádio SER Catalunya, para analisar a trajetória de Rodri, craque do Manchester City, sob duas perspectivas: esportiva e pessoal.
Perarnau, que mantém laços estreitos com o Manchester City, explicou, segundo divulgado pelo site da rádio "Cadena SER", como o meio-campista teve de passar por um longo processo de adaptação ao ingressar no clube inglês e como, depois de dois anos de trabalho árduo nos aspectos técnicos, táticos e psicológicos, tornou-se o jogador decisivo que conhecemos hoje.
Ao ser questionado sobre se previa a surpresa que aconteceu na história da negociação de Rodri, depois de ele ter estado perto do Real Madrid e de a situação mudar, com o Barcelona passando a ser sua primeira opção, ele disse: "Quando prevaleceu a crença de que Rodri iria para o Real Madrid, tentei confirmar se aquilo era verdade".
E acrescentou: "Por acaso, perguntei no dia do casamento de Dani Codina, treinador do Barcelona que fora anteriormente treinador do Manchester City. Havia pessoas do Barcelona, outras do City e muita gente ligada a esses dois clubes. Naquele dia, disseram-me que as coisas, especialmente no que dizia respeito a Rodri, não estavam caminhando como a imprensa indicava, mas de uma maneira completamente diferente. Portanto, enquanto os meios de comunicação interpretavam uma coisa, o rumo de Rodri, na realidade, seguia em uma direção totalmente distinta".
Sobre a personalidade de Rodri, explicou: "É uma pessoa extremamente séria e um competidor feroz. Quando entrou no Manchester City, enfrentou enormes dificuldades. Era muito jovem, tinha por volta de vinte e três anos, e talvez não tivesse consciência do tamanho das expectativas que enfrentaria".
E completou: "É fácil jogar no Villarreal e brilhar, mas é difícil jogar no Manchester City, disputar a Premier League e todos os títulos ingleses, e treinar sob o comando de Pep Guardiola. Ele sofreu nos dois primeiros anos e teve de trabalhar duro para corrigir os erros e os pontos fracos que os treinadores identificaram nele".
Ao ser perguntado se ele é um jogador diferente do padrão habitual dos futebolistas de hoje, apontou: "Sim. Tem um diploma em administração de empresas, não usa redes sociais, prefere ficar longe dos holofotes e é um ótimo companheiro de equipe. É completamente diferente do futebolista tradicional".
E prosseguiu: "Em Manchester, raramente é visto em uma situação imprópria para um atleta de alto nível. Cuida muito de si mesmo, trabalha duro, expressa sua opinião com franqueza, mas também está aberto a ouvir o que lhe dizem. Ainda assim, tem também uma tendência a se soltar, o que vemos em suas comemorações e, às vezes, dentro de campo. Quando perde um pouco o controle de si mesmo, pode cometer um erro. Mas são erros pequenos. De modo geral, é uma pessoa muito disciplinada".
E, ao ser questionado se ele consegue desempenhar o papel de líder no vestiário do Barcelona, explicou: "Ele é muito claro quanto a isso e terá grande influência sobre os jogadores jovens, porque passou por essa experiência ele próprio no Manchester City. Quando entrou para a equipe aos vinte e três anos, viu-se ao lado de um jogador experiente como Fernandinho, que era titular em sua posição, e teve de aprender com ele".
E acrescentou: "Também jogou ao lado de jogadores como Kevin De Bruyne e Gündogan. O vestiário ali era marcado pelo rigor, e as coisas eram ditas com total clareza, tanto nos bons quanto nos maus momentos. Rodri aproveitou muito esse tipo de aprendizado e deu contribuições valiosas. Agora, se finalmente ingressar no Barcelona, terá de desempenhar um papel totalmente oposto ao que Fernandinho desempenhou com ele: ser o jogador experiente que orienta os jovens".
E o jornalista contou uma história que ilustra a natureza da personalidade de Rodri, dizendo: "Há um episódio realmente engraçado. Um dia, recebi uma ligação de Manchester e me perguntaram o que eu achava sobre quem venceria uma corrida de 400 metros entre Rodri e Ferran Torres. Ambos eram extremamente competitivos, pois cada um afirmava ser melhor que o outro. Passaram uma tarde inteira discutindo sobre quem venceria essa corrida hipotética. Escolhi Rodri. Isso mostra o quão competitivo ele é: quer vencer até mesmo em algo trivial como isso".




