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Choro, despedida de Neymar e fala de Ancelotti: os bastidores da seleção após eliminação na Copa

O apito final foi só o começo da dor. No vestiário do MetLife Stadium, o Brasil viveu uma das noites mais pesadas de sua história recente - choro, silêncio e discursos que já miravam 2030, como se 2026 precisasse ser enterrado rápido para não machucar mais.

Carlo Ancelotti pediu resiliência. Os veteranos assumiram a culpa. E Neymar se despediu.

O camisa 10 voltou a chorar no vestiário, assim como havia feito logo após o apito final em campo. Emocionado, falou brevemente na roda formada por jogadores e funcionários, agradeceu pelo convívio ao longo do mês e meio de Copa e se despediu do grupo. Antes mesmo da viagem aos Estados Unidos, Neymar já dizia a amigos e familiares que esta seria sua "última dança" pela Seleção.

Marquinhos, Danilo e Casemiro também tomaram a palavra. Os veteranos foram diretos: a responsabilidade era deles, não dos mais jovens.

"A gente tentou tirar totalmente o peso deles para que possam levar essa derrota como uma lição. É um jogo coletivo, mas a responsabilidade é dos mais velhos, do treinador, a gente puxou para nós para que tenham tranquilidade nesses quatro anos, porque temos uma geração muito boa, com grandes talentos que já ajudaram muito nessa Copa e com certeza vão chegar na próxima sendo protagonistas", disse Marquinhos.

Casemiro surpreendeu os presentes ao chorar bastante, postura incomum para quem é visto como uma das figuras mais inabaláveis do grupo. Bruno Guimarães saiu do estádio com os olhos marejados, ainda carregando o peso do pênalti desperdiçado no primeiro tempo.

Matheus Cunha traduziu o que muitos sentiam, mas poucos conseguiam colocar em palavras.

"Muita tristeza, muito choro, muita dor. Muita gente que, por ser mais velho, já passou por isso outras vezes, falou que dessa vez sentia que seria diferente, e estão sentindo essa frustração de novo. É tão difícil saber todas as nossas dores. É o sentimento de decepcionar tanta gente que a gente só queria ver feliz. Mas tudo passa, e espero que com o tempo a gente tenha força para seguir."

A delegação levou cerca de duas horas para deixar o vestiário. Parte dos jogadores ficou em campo após a partida para encontrar familiares que estavam atrás dos bancos de reservas.

Os atletas foram liberados da concentração após a eliminação. Neymar viajou a Orlando. Vinícius Júnior foi para Nova York. Para quem quisesse voltar ao Brasil, a CBF disponibilizou avião fretado com destino ao Rio de Janeiro nesta terça-feira — mas a tendência é que poucos estejam nesse voo.

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