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Shunsuke Nakamura Manchester United Celtic Uefa Champions LeagueANDREW YATES/AFP/Getty Images

Celtic: a saudade de um time histórico e um gigante adormecido

Um dos maiores e mais tradicionais clubes do planeta, que protagoniza um dos clássicos de maior rivalidade do mundo, o Old Firm, com o rival Rangers, infelizmente se acostumou a ser gigante em seu país e pequeno fora dele.

O histórico campeão da Champions League em 1967, que venceu a poderosa Internazionale de Mazzola e companhia com um time de garotos que nasceram em um raio de 30 milhas de distância de Glasgow, comandado pelo lendário Jock Stein e com o eterno craque Jimmy Johnstone, e ganhou tudo o que disputou naquela temporada, mais uma vez pagou mico na competição europeia.

O primeiro clube britânico a ser campeão da Europa foi eliminado na terceira fase eliminatória da Champions League pelo AEK, na tarde desta terça-feira (14), após perder na Grécia por 2 a 1. Antes, no duelo de ida, empatou em Glasgow por 1 a 1. O Celtic sequer chegou aos playoffs da UCL e passou longe de disputar a fase de grupos. Uma vergonha para um clube tão grande.

Infelizmente, os vexames do tradicional clube escocês na Champions League se tornaram rotina. Na última temporada, o Celtic conseguiu chegar até a fase de grupos, mas foi um saco de pancadas para Bayern de Munique e principalmente PSG, pelo qual foi goleado por 5 a 0 em Glasgow e 7 a 1 em Paris. Os Hoops só não ficaram em último porque bateram o Anderlecht, na Bélgica, por 3 a 0, e foram para a Liga Europa. Ainda assim, acabaram eliminados pelo Zenit logo de cara.

Matias Kranevitter Zenit Moussa Dembele CelticGetty(Foto: Getty Images)

Na temporada anterior, o desempenho foi ainda pior, com o Celtic não conseguindo uma vitória sequer no grupo que contava com Barcelona, Manchester City e Borussia Mönchengladbach. Os Bhoys até arrancaram dois empates dos Cityzens, mas perderam para os alemães em casa e duas vezes para o Barcelona, incluindo um 7 a 0 na Catalunha.

Antes, porém, o cenário foi ainda pior. Em 2015/16, o Celtic sequer se classificou para a fase de grupos, sendo eliminado pelo Malmö nos playoffs. Uma temporada antes, o vexame foi maior, com a eliminação no mesmo estágio para o modesto Maribor. E a lista de fracassos, puxando os anos anteriores, continua.

O gigante Celtic, infelizmente se acostumou a ser figurante e pagar mico em competições europeias. Se acostumou a ser um "pequeno" no cenário europeu e internacional.

Em casa, por outro lado, as coisas continuam normais, com os Hoops dominando a Escócia, principalmente após o drama do Rangers, que ainda se recupera de sua falência e não conseguiu voltar a competir no mesmo nível do rival. Dono de 49 títulos da Scottish Premier League, o Celtic venceu com folga as últimas sete edições da SPL, e nas últimas duas temporadas conquistou a tríplice coroa, vencendo também a Copa da Escócia e a Copa da Liga da Escócia.

Tom Rogic Celtic

No entanto, diante da superioridade em todos os quesitos em relação aos adversários, incluindo o maior rival, dominar a Escócia é uma obrigação para o Celtic, e sua torcida, não à toa, não quer ver seu time apenas conquistar os títulos domésticos, mas também ter campanhas e momentos de destaque na Champions League.

Pelo fato de o futebol escocês não ser atrativo e ter investimento e nível técnico e tático inferior ao das grandes ligas europeias, é difícil contratar os melhores jogadores e manter seus destaques, que muitas vezes preferem jogar até mesmo a Championship na Inglaterra a seguir na elite da Escócia. É injusto esperar que o Celtic consiga bater de frente com os principais times do Velho Continente. No entanto, o clube tem investimento e elenco o suficiente para fazer mais do que tem feito na Champions League.

O Celtic tem e teve bons e talentosos jogadores em seu plantel nos últimos anos. Era obrigação ter passado pelos citados Malmö e Maribor, por exemplo, e ter tido desempenhos melhores nas fases de grupos que disputou e também nas edições em que participou da Liga Europa.

Para não voltar demais no tempo e lembrar os lendários times dos craques Johnstone, Kenny Dalglish e Larsson, dá saudade do esquadrão da década passada, comandado por Gordon Strachan, que tinha o talentoso, habilidoso e técnico meia japonês Shunsuke Nakamura, letal nas cobranças de faltas, como seu grande craque.

Shunsuke Nakamura Celtic Manchester United Uefa Champions LeagueShunsuke Nakamura CelticTom Shaw/Getty Images(Fotos: PAUL ELLIS/AFP/Getty Images - Tom Shaw/Getty Images)

Apesar das limitações, aquele Celtic bateu de frente com poderosos esquadrões como o Manchester United de Alex Ferguson, Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney, o Milan campeão europeu de Kaká, Pirlo e Seedorf, e o Barcelona de Ronaldinho, Xavi, Iniesta e Messi.

Em 2006/07, na fase de grupos da Champions League, o Celtic perdeu por 3 a 2 para o United em Old Trafford, mas venceu os Red Devils por 1 a 0 no Paradise com um golaço de falta espetacular de Nakamura, e ainda eliminou o Benfica. Depois, nas oitavas de final, empatou por 0 a 0 com o Milan na Escócia e perdeu por 1 a 0 de forma sofrida em San Siro, com um gol de Kaká nos acréscimos. Os Rossoneri seriam campeões naquele ano, se vingando do Liverpool na final.

Na temporada seguinte, o Celtic novamente eliminou o Benfica na fase de grupos e também o Shakhtar Donetsk, e avançou ao lado do Milan, vencido pelos Bhoys no Paradise por 2 a 1. O time escocês foi eliminado nas oitavas pelo Barcelona, também dando trabalho, perdendo por 3 a 2 e 1 a 0 em jogos muito disputados, cenário totalmente contrário ao atual.

Shunsuke Nakamura Manchester United Celtic Uefa Champions LeagueANDREW YATES/AFP/Getty ImagesRonaldinho Shunsuke Nakamura Celtic Barcelona Uefa Champions League 2008ANDREW YATES/AFP/Getty Images(Fotos: ANDREW YATES/AFP/Getty Images)

Aquele Celtic de Nakamura, Vennegoor of Hesselink, McGeady, Maloney e companhia foi ainda tricampeão escocês e encantou seus torcedores.

Infelizmente, as boas campanhas e os momentos de destaque do Celtic em competições europeias viraram raridade, e o time se acostumou a ser gigante na Escócia, mas pequeno na Europa. É difícil competir com os gigantes europeus no cenário já destacado, mas é possível fazer muito mais do que tem sido feito. O Celtic pode honrar sua enorme tradição e orgulhar seus torcedores. Pode diminuir a saudade de seus times lendários e daquela equipe de dez anos atrás. Pode deixar de ser um gigante adormecido.

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