
Por Rodrigo Calvozzo 
Você sabe que terá que encarar uma pedreira que é apontada por nove em cada dez pessoas como o grande favorito para o duelo. E aí, o que você faz? Abaixa a cabeça e reconhece que é incapaz de desafiar o monstro ou tenta pelo menos levantar a sua moral para deixar o rival pelo menos com um pé atrás, mesmo sabendo que ele é o grande favorito?
Provavelmente essa é a mais dura missão do técnico Renato Gaúcho em sua vitoriosa carreira, mas abaixar a cabeça e entrar como um derrotado em um duelo não combina com seu estilo e não vejo nenhum absurdo ele chamar a responsabilidade para si na véspera da decisão do mundial.
Toda essa cortina de fumaça criada pelo genial ex-ponta direita com Cristiano Ronaldo serviu para tirar e muito a pressão de cima de seus atletas. Caso o rei dos pampas não tivesse levantado essa bola, certamente os jornalistas dos quatro cantos do mundo estariam focando muito mais na ausência de Arthur, como Luan irá suportar a pressão de ter os galácticos pela frente. Porém, devido ao estilo do comandante, o assunto do dia foi a comparação assumida pelo brasileiro com o português.

Ainda que o gajo tenha muito mais fama e seja detentor de uma sala de troféus bem mais recheada de prêmios de maior prestígio, Renato foi um cracaço e também não deve ser menosprezado como foi pelos europeus e os brasileiros de gerações mais recentes. De qualquer forma não entender isso como uma jogada de mestre do tricolor me parece até ingenuidade.
Independente disso, como enfrentar uma equipe como essa, que, apesar de viver um momento de grande instabilidade, é sim muito superior aos campeões da Copa Libertadores? Basta levantar os últimos jogos dos Blancos para perceber que sua maior dificuldade é encarar times que se fecham bem atrás e saem em velocidade em contra-ataques bem planejados, que acabam pegando o sistema defensivo espanhol desarrumado. Foi assim que o time de Romarinho quase fez história neste mesmo torneio.
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(Foto: Getty Images)
Não tenha dúvida que por essa razão a ausência de Arthur será muito sentida, já que a saída de bola dos brasileiros ficará um tanto quanto prejudicada. Barrios também não vive o seu melhor momento, por isso entendo que a utilização de Everton em seu lugar, adiantando um pouco mais o posicionamento de Luan, poderia aumentar a chance do Imortal Tricolor fazer o impossível, já que com essa formação o time passa a ter a tal velocidade necessária.
Claro que não existe uma fórmula mágica para vencer um time como o Real Madrid. Também é inegável que graças ao nosso péssimo calendário, não temos sequer a possibilidade de nivelar o time gremista, já que raras as vezes temos a oportunidade de ver nossas equipes jogando contra times europeus. O raro amistoso da Chape contra o Barcelona que foi um massacre não serve nem como parâmetros, pois entendemos que o Grêmio tem muito mais time e não está em Abu Dhabi para uma exibição festiva.
Lucas Uebel / Grêmio FBPA / Divulgação
(Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA / Divulgação)
Mesmo reconhecendo que o time espanhol tenha 80% contra 20% de chances de ganhar, digo também que a decisão de 2017 é a menos desnivelada desde o título do Corinthians diante do Chelsea, que em 2012 vivia um momento de muitas incertezas, assim como o time Blanco encara atualmente.
Mas é claro, essa diferença por mudar, pois no banco de reservas tem um cara que os jogadores olham com admiração e respeitam por tudo que ele já foi capaz de fazer. Até mesmo levar um time lá do sul do Brasil a superar os alemães nos anos 80 ele foi capaz de fazer. Se Renato foi melhor do que Cristiano Ronaldo não vem ao caso, o fato é que esses camisas 7 são personagens emblemáticos e que podem pesar muito a favor de seus times. Resta saber quem vai chegar com mais vontade de fazer história. Neste quesito eu fico com Portaluppi, que se voltar para o Brasil com mais esse troféu, merece não apenas uma estátua, mas sim a coroação eterna na Arena do Grêmio.




