Bahia e Fluminense se unem por mais oportunidades a técnicos negros no Brasil

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Felipe Oliveira / EC Bahia
Por meio das redes sociais equipes concordaram em apoiar a causa; ambos times são comandados pelos únicos técnicos negros da Série A do Brasileirão

Fluminense e Bahia vão ficar frente à frente neste sábado (12), às 19h (Brasília), em partida válida pela 25ª rodada do Campeonato Brasileiro. Na briga por posições mais acima na tabela da competição, as equipes serão rivais apenas dentro de campo. Em ação contra o racismo, os times “fecharam um acordo” com o intuito de levantar a bandeira da igualdade de oportunidades para técnicos negros no futebol brasileiro.

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Por meio das redes sociais, o Bahia aceitou a proposta do Observatório Racial do Futebol, que sugeria que os técnicos Roger Machado, do Bahia, e Marcão, do Fluminense, únicos comandantes negros do Brasileirão, usassem a camisa do projeto.

Em resposta, o tricolor baiano aceitou a proposta e convidou o Flu, que rapidamente concordou com o feito. A princípio, ambos técnicos estarão, mais do que nunca, apoiando a causa no Estádio do Maracanã.

Conforme levantamento do Observatório Racial do Futebol, apenas três treinadores dentre os 40 da Série A e B do Campeonato Brasileiro são negros. A estimativa preocupa, uma vez que 55,8% da população brasileira se autodeclarou preto ou pardo, de acordo com os números da pesquisa do Pnad realizada em 2018 e divulgada pelo IBGE, no mesmo ano.

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(Foto: Getty Images)

Marcão, vale ressaltar, comentou acerca de ser o único treinador negro da elite do futebol ao lado de Roger Machado.

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“A gente tem pessoas próximas, amigos, que abraçaram a causa. Eles estão felizes, mandaram mensagem. “Marcão, é bom te ver aí, você está representando a classe”. Eu fico muito feliz por isso, eu estou representando uma classe muito forte, muito unida. Eu vejo o Roger, vi o Cristóvão, o Jair. Hoje é sempre muito positivo ver o Marcão representando, e amanhã vai ter mais dois, depois mais dois. E eu vou puxar, vou chamar nossa classe, chamar eles para perto. É uma causa importante. Não tenho dúvida nenhuma que, daqui a pouco, o Jair está aí de novo, o Cristóvão. São pessoas que representam”, disse em entrevista ao GloboEsporte.com.

Roger Machado, por sua vez, destacou a importância sobre o debate contra o preconceito e resistência. Em entrevista à Rádio Grenal, o comandante do Bahia disse: “A gente tem que refletir porque estes ex- atletas negros não tem espaço em ambientes de gestão administrativa e técnica. Um futebol que dentro de campo abriu as portas para um grande número de esportistas negros, que foram destaques no Brasil e no Mundo, é porque há assim um preconceito do ex-atleta ou do negro. Por se entender que as capacidades dos atletas se restringem apenas a performance dentro do campo. Essa minha posição é de resistência e protesto. Sinto responsabilidade de seguir nesse nível e para e deixar a porta aberta para que outros possam entrar”.

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