Ausência da liderança de Rafinha é sentida em momento conturbado do Flamengo

Lateral era a voz ativa no vestiário e sempre conduzia os problemas; outros líderes do elenco têm perfil diferente do lateral

"Esse moleques sabem muito o quanto eu me dediquei para que o grupo seguisse fechado". Foi o que disse o lateral direito Rafinha, aos prantos, na coletiva de imprensa para anunciar sua despedida do Flamengo, no mês de agosto, quando anunciou sua ida ao Olympiakos, da Grécia. A liderança do ex-jogador do Bayern de Munique sempre foi vista como uma parte fundamental do sucesso do Flamengo e, em meio ao momento turbulento vivido pelo clube em 2020, sua ausência é ainda mais sentida diante dos resultados nada agradáveis dos últimos tempos.

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Foram nos momentos mais complicados do time que o veterano, considerado um 'capitão sem a faixa', fazia valer sua experiência e sua capacidade de mobilizar os demais companheiros. Era ele quem tomava a frente, conversava com os jogadores, se colocava à disposição para ser o porta voz do grupo perante a imprensa, mesmo não gostando muito de dar entrevistas e era o espírito vibrante no campo, vestiário e no dia a dia.

"Tenho esse espírito de liderança, coloquei algumas regras que uns gostavam, outros não. Mas sempre tentei deixar o vestiário com o melhor ambiente possível. Por isso, fiz muitos churrascos. Todos têm problemas em casa, mas tentei deixar o ambiente de trabalho bem", disse, ainda no adeus ao Fla no meio deste ano. Palavras que passaram despercebidas então, mas que fazem mais sentido no contexto atual.

Outro papel que o lateral assumia era o de fazer a ponte com Jorge Jesus, muitas vezes entrando mesmo em discussões pontuais com o treinador. Não foi uma, nem duas vezes que o atleta levantou a voz e questionou o técnico português, sempre em prol do grupo e sempre com bom entendimento após os debates.

Rafinha e Casco disputam a bola na final entre Flamengo e River

Para se ter uma ideia, por vezes Jorge Jesus pedia que o time fizesse algo dentro de campo e sempre que o elenco não concordava, era Rafinha quem batia de frente com o treinador e indicava a preferência por outro caminho. Ou quando a equipe executava algo diferente do planejado dentro de campo, era ele quem explicava as mudanças de última hora. 

Em campo, o Flamengo também sente a ausência de uma liderança como Rafinha, que cobrava os companheiros o tempo todo e deixava o time sempre ligado. Além disso, em momentos adversos, buscava esfriar o jogo. 

Sem o lateral, na liderança do grupo, que é composta ainda por Diego Alves, Diego Ribas e Everton Ribeiro, só o goleiro tem o perfil de levantar o tom da voz e chamar mais o vestiário. O arqueiro, no entanto, vive um momento de indefinição sobre o futuro após o clube voltou atrás nos termos de sua renovação

Nomes como Filipe Luís, Gerson e Arrascaeta, são lideranças técnicas, mas que não têm o mesmo perfil de Rafinha. Falam, conversam, mas estão bem longe de serem o 'gerente do vestiário' como fazia o antigo lateral. 

Se a ausência de Rafinha é sentida pela forma que liderava o vestiário, a questão técnica também vem sendo lembrada. Ainda em processo de adaptação, Maurício Isla tem sofrido na parte defensiva, principalmente quando precisa executar a recomposição, e tem deixado espaços que costumam ser explorados pelos adversários. 

A goleada sofrida para o Atlético-MG foi um duro golpe para o vestiário do Flamengo, que terá pela frente o confronto importante contra o São Paulo, na próxima quarta-feira (11), pela Copa do Brasil. O grupo, que se mostrou abatido, precisará encontrar forças para dar a volta por cima em três dias enquanto o clube ferve também politicamente. 

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No desembarque da equipe, no Rio de Janeiro, um grupo de torcedores foi ao aeroporto e tentou contato com a delegação. De longe, gritaram, cobraram e dispararam até um rojão, que passou longe dos atletas e da comissão técnica. 

Houve protesto também na porta do CT, direcionado ao técnico Domènec Torrent e o vice-presidente de futebol, Marcos Braz. Uma faixa estendida por um torcedor pedia a saída do comandante em troca de voto ao dirigente, que concorre ao cargo de vereador nas eleições do Rio de Janeiro. 

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