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Ídolo do Rangers, brasileiro vibra com retorno do clube à primeira divisão

A última terça-feira (5) foi muito especial para os amantes do futebol, principalmente na Escócia. No mesmo dia em que Barcelona, Atlético de Madrid, Bayern e Benfica mediam forças na Europa, o maior campeão nacional do mundo retornava à elite após quatro anos de sofrimento. O Glasgow Rangers, rebaixado para a quarta divisão em 2012, após decretar a sua falência, vencia o Dumbarton por 1 a 0 e garantia a sua presença no torneio que já foi seu em 54 ocasiões.

No Brasil, um personagem importante na reconstrução do gigante escocês também comemorou muito. Emílson Cribari, zagueiro com longa passagem no futebol italiano, defendeu a camisa dos Gers por duas temporadas, ajudando o Rangers nas conquistas da quarta e terceira divisões. Uma história bonita de identificação. Cribari já conhecia o passado vitorioso do Rangers, mas começou a se apaixonar pelo clube muito pelo amor da fanática torcida.

“Após a minha passagem pelo Cruzeiro, em 2011, eu tive duas possibilidades: continuar no Brasil, já que tive propostas do Náutico e do Botafogo, ou voltar para a Itália. Mas eu acabei recebendo um convite para conhecer, em dois dias, a estrutura do Rangers. Chegando lá, foi amor à primeira vista. Eu fui ao estádio e tinham 50 mil pessoas em uma partida da quarta divisão escocesa, e aquilo me encantou. A partir daquele momento foi muito fácil assinar um contrato com eles e viver aquela experiência”, disse com exclusividade para a Goal Brasil.


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É lógico que o paranaense de Cambará não se arrependeu. E olha que estamos falando de um atleta com grande experiência na Europa, que já entrou em campo nos melhores estádios do mundo e disputou partidas de Champions League enquanto defendia Lazio: “Na minha primeira partida no Ibrox Stadium, o jogo era de quarta divisão do Campeonato Escocês, mas a atmosfera era de uma copa europeia”, observou.

2smey5205uco1bp6iznp94i00A torcida do Rangers não abandonou o time, e pôde comemorar o retorno à primeira divisão (Foto: Getty Images)

“Eu ficava impressionado a cada vez que colocava meus pés naquele estádio e presenciava o amor da torcida. Parecíamos todos uma família só. E quando jogávamos fora de casa, em estádios pequenos, faltava espaço para tanta gente que nos acompanhava. Acredito que seja um fato meio raro no mundo do futebol, esse amor do torcedor pelo Rangers”.

Era mais do que claro, para todos, que o Rangers era muito maior do que aquela realidade.

A identificação de Cribari não foi construída apenas pelo amor da torcida. O jogador estudou a história do clube, seja dentro ou fora do âmbito esportivo. Na Escócia, o futebol reflete muito bem a divisão religiosa entre católicos e protestantes, representados respectivamente com as camisas de Celtic e Rangers. Cribari, que é católico, sabia disso, mas não deixava de fazer o sinal da cruz quando entrava ou saía de campo, provando que antes de tudo, o torcedor que se veste de azul na Escócia tem no Rangers a sua grande religião.

1fjw9d1rba4t01d6vv4et4uk6iCribari conquistou os títulos de 4ª e 3ª divisões, e carrega em sua casa o carinho que aprendeu a ter pelo clube de Glasgow 

“Antes de eu chegar em Glasgow, as pessoas já tinham me falado sobre a questão religiosa. Quando eu me apresentei, algumas pessoas do clube me explicaram como era a situação. Eu sempre fui católico, e nunca abri mão disso. A torcida tem, sim, a sua ideia, escolha religiosa, mas eles respeitam muito os jogadores que vestem a camisa. Eu sempre tive o costume de fazer o sinal da cruz, antes e depois das partidas, e continuei fazendo isso normalmente. Nunca fui criticado por isso. A rivalidade existe muito pela questão religiosa, mas os jogadores que são católicos são respeitados pelos torcedores. Eu nunca tive problema com isso”, garantiu.

Com o Rangers, foram vários os momentos felizes, mas Cribari optou por voltar ao Brasil em 2014 para ficar mais próximo da família. Um de seus únicos lamentos foi não poder disputar o chamado Old Firm Derby, contra o Celtic, no que talvez seja o clássico com a maior rivalidade e tensão no mundo: “Infelizmente eu não tive a oportunidade”, disse. “Uma frustração que eu tenho, depois de ter disputado algumas vezes o clássico entre Roma e Lazio. Eu queria poder fazer comparações entre os dois clássicos”.

“Não sei dizer qual é a maior rivalidade. Eu vivi mais profundamente a rivalidade da cidade de Roma, que é grandíssima, inacreditável. Mas pelo que eu estudei da história do Old Firm, e dos dois anos que eu passei lá acredito que não deixe muito a desejar”.

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No próximo dia 17, Celtic e Rangers voltam a se enfrentar, mas pela semifinal da Copa da Escócia. Cribari não poderá ir desta vez, mas faz planos para viver de perto um dia de Old Firm em Glasgow e acredita que, dentro de um ou dois anos, os Gers podem conquistar o 55º título escocês. Enquanto isso, o importante é curtir o momento feliz. Afinal de contas, uma torcida tão fiel como a do Rangers é exemplo para o futebol.

“Foi um momento muito sofrido para o clube, para aqueles torcedores”, disse, relembrando também da alegria que foi conquistar o título da quarta divisão, em 2013. “Eu senti a felicidade dos torcedores, que tinham voltado a sorrir e ter esperança de ver o clube novamente aonde ele está hoje. Com certeza vai crescer ainda mais, vai disputar as ligas europeias daqui um ou dois anos. Hoje eu me sinto orgulhoso em ter feito parte dessa história, desta retomada do Rangers à primeira divisão escocesa”. 

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