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Caio HenriqueVoetbalzone

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Será que Caio Henrique é a solução para um dos maiores problemas do Ajax?

Caio Henrique parece estar prestes a se tornar o novo lateral-esquerdo do Ajax. Ambos os clubes já chegaram a um acordo, enquanto Henrique e o Ajax ainda estão em negociações. Isso parece ser uma tarefa difícil, mas os dirigentes do clube de Amsterdã estão otimistas quanto a um desfecho positivo. O brasileiro de 28 anos deve custar, segundo informações, nove milhões de euros.

Mas quem é Henrique e por que o Ajax o considera o lateral-esquerdo ideal? O Voetbalzone analisou as imagens e suas estatísticas. Conclusão? Se a transferência for concretizada, o Ajax contará, no mínimo, com um jogador que oferece perigo ofensivo, boa técnica de chute e a profundidade necessária. No entanto, do ponto de vista defensivo, ainda há algumas dúvidas a serem esclarecidas.

  • Owen WijndalIMAGO

    O caso mais complicado de Amsterdã

    Na verdade, já estava claro há algum tempo que o diretor técnico Jordi Cruijff precisaria procurar um novo lateral-esquerdo. Desde a saída de Jorrel Hato para o Chelsea — e, mesmo antes disso, o elenco nessa posição já era bastante reduzido —, essa posição se tornou um verdadeiro problema.

    Por isso, o time de Amsterdã começou esta temporada sem um novo lateral-esquerdo. Owen Wijndal recebeu mais uma chance e o brasileiro Lucas Rosa atuou como reserva. Oleksandr Zinchenko foi contratado no meio do ano, principalmente para dar uma solução tanto para esse problema quanto para o chamado “meio-campista de controle”. Por causa de uma grave lesão no joelho em sua estreia, esse plano logo foi por água abaixo.

    Wijndal entrou em campo 27 vezes nesta temporada, mas perdeu a vaga de titular ao longo do campeonato. No final da temporada, Rosa atuou na lateral esquerda e deixou uma boa impressão. No entanto, esse não parece ser o nível que Cruijff e sua equipe buscam.


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  • Caio HenriqueImago

    O anjo salvador?

    A maioria dos torcedores do Ajax concordava, durante a temporada — mas certamente depois dela —, que era preciso contratar um novo lateral-esquerdo. Cruijff parece agora estar atendendo a essas críticas. Resta apenas aguardar até que a transferência seja oficializada. Mas quem é, afinal, esse experiente brasileiro?

    Henrique nasceu em Santos, no Brasil. Quando era jovem jogador do Santos, clube onde atuaram, entre outros, Pelé e Neymar, ele chamou a atenção do grande Atlético de Madrid. Lá, porém, ele nunca conseguiu se firmar.

    O lateral foi emprestado várias vezes a clubes de seu país natal. Assim, ele esteve sob contrato com o Paraná, o Fluminense e o Grêmio. Sua verdadeira chance, porém, só surgiu quando o AS Monaco lhe deu uma oportunidade.

    Henrique chegou ao principado no verão de 2020. O AS Mônaco o contratou por cerca de oito milhões de euros do Atlético de Madrid, clube pelo qual ele acabou disputando apenas uma partida oficial. A contratação foi um acerto em cheio. Em 211 partidas pelo Mônaco, ele deu 41 assistências como lateral. Ele mesmo marcou apenas três gols.

    Ele estreou na seleção nacional em setembro de 2023, mas, desde então, nunca mais foi convocado. Até o final do ano civil passado. Henrique, assim, participou das eliminatórias para a Copa do Mundo e de alguns amistosos internacionais. Por muito tempo, parecia ter chances de disputar a Copa do Mundo, até que se lesionou em março e, com isso, saiu dos planos do técnico Carlo Ancelotti.


  • Que tipo de jogador ele é no ataque?

    É claro que as estatísticas não dizem tudo, mas nos dão uma boa visão geral do perfil de alguém; por isso, vamos começar analisando-as.

    Ao analisar as estatísticas da Ligue 1 da última temporada, uma coisa chama a atenção. Henrique se destaca na criação de chances. Com 3,86 assistências esperadas, 21 oportunidades criadas — das quais sete grandes chances — e 22 cruzamentos bem-sucedidos, fica claro que Henrique é capaz de criar perigo no campo adversário. Com essas estatísticas, ele apresenta um desempenho acima da média em comparação com outros jogadores da Ligue 1 em sua posição.

    No entanto, a última temporada não foi a sua melhor. Especialmente nas temporadas de 2021/22 e 2022/23, o brasileiro apresentou números ainda melhores. Nas duas últimas temporadas, ele continua representando uma ameaça ofensiva, mas cria significativamente menos oportunidades. A título de comparação: na temporada 2021/22, ele criou 43 chances e, uma temporada depois, nada menos que 52.

  • O fato de ele ter muito a oferecer no ataque também fica evidente nas imagens. Além disso, chama a atenção sua versatilidade: ele consegue atuar tanto pela lateral quanto pelo centro, algo com que Wijndal tem mais dificuldade. Isso se deve principalmente ao fato de Henrique não ter sido sempre zagueiro, tendo sido transformado nessa posição apenas mais tarde em sua carreira. No início de sua carreira, Henrique costumava atuar mais frequentemente no meio-campo. Isso faz com que ele esteja acostumado a situações em que se encontra no eixo do campo e também se sinta à vontade com a bola nessa posição.

    No entanto, isso — em parte devido ao estilo de jogo do Mônaco — costuma ocorrer um pouco mais recuado em campo, enquanto o lateral-esquerdo do Ajax também joga bastante pelo meio, mas com mais frequência na metade de campo adversária. Por esse motivo, Zinchenko também foi contratado no último inverno. Certamente será uma adaptação para ele, principalmente porque o lateral-esquerdo do time de Amsterdã é frequentemente forçado a se posicionar no eixo do campo.

    Mika Godts, o ponta-esquerda titular, gosta de ser colocado em posição para o um contra um e, por isso, vai se posicionar na lateral, de onde poderá iniciar sua jogada. Henrique, assim, terá que jogar mais pelo centro. Ele parece ter as habilidades técnicas necessárias para isso — em parte devido à sua trajetória —, mas não é exatamente nesse papel que ele se destaca. Resta aguardar para ver como isso vai se desenvolver.

    O novo técnico, Míchel, também parece utilizar há anos essa formação conhecida como “lateral invertido”. Na temporada passada, era frequentemente o lateral-direito Arnau Martínez que precisava jogar mais para dentro. No Ajax, o lateral-esquerdo seria uma opção mais lógica, para que Godts possa ser utilizado de acordo com seus pontos fortes.

    Míchel GironaZiggo Sport
  • Apesar de sua velocidade máxima limitada, Henrique costuma se tornar uma ameaça graças às suas jogadas de profundidade bem sincronizadas. O brasileiro está sempre em movimento para receber a bola ou criar espaço para os companheiros, como fica claro nos exemplos abaixo. Além disso, em muitas situações, ele também aparece na área para receber cruzamentos vindos do outro lado, embora lhe falte o instinto matador e a força de cabeçada que, por exemplo, Denzel Dumfries possui.

    Caio HenriqueYoutube: MonacoCaio HenriqueYoutube: Ligue 1

    Sua maior arma talvez seja sua técnica de chute. Henrique tem um bom pé esquerdo, que usa com frequência. Muitas de suas assistências e chances criadas resultam de um cruzamento antecipado, no qual ele tenta colocar a bola por trás da defesa com um cruzamento preciso, permitindo que os jogadores criem perigo na área, tanto pelo chão quanto pelo ar.

    Além disso, ele também é frequentemente utilizado em variações de escanteios. Henrique cobra os escanteios ou é frequentemente procurado em escanteios curtos, após os quais consegue lançar a bola com muita precisão por trás da linha defensiva.

  • E na defesa, então?

    Criar oportunidades, dar bons cruzamentos e ter profundidade são, naturalmente, características positivas para um lateral, mas sua principal função continua sendo, obviamente, impedir que a bola chegue ao gol. Como é o desempenho de Henrique nesse aspecto?

    Não será surpresa que as estatísticas defensivas de Henrique sejam um pouco abaixo do esperado quando comparadas às suas estatísticas ofensivas. Em quase todas as estatísticas defensivas por 90 minutos, o brasileiro apresenta desempenho inferior ao de outros jogadores da Ligue 1 que atuam na mesma posição. Nas temporadas anteriores, as estatísticas eram um pouco melhores, mas ele ainda assim ficava abaixo da média em termos de “ações defensivas”, “interceptações”, “desarmes bem-sucedidos” e “chutes bloqueados”. Além disso, ele vence apenas 53,7% de seus duelos no chão (a cada 90 minutos) e 36,8% de seus duelos aéreos, segundo mostram as estatísticas da Opta.

    Além disso, percebe-se que ele é vulnerável devido ao seu posicionamento em campo. O mapa de calor de Henrique nesta temporada mostra que ele costuma estar no campo adversário, deixando frequentemente grandes espaços nas suas costas. Para isso, é preciso reconhecer bem as situações defensivas e saber escolher a posição correta. Além disso, ele nem sempre consegue compensar essas situações — ou erros de companheiros —, pois não possui velocidade máxima absoluta. Henrique parece ter alguma dificuldade com isso. Nesse sentido, ele parece um pouco descuidado em certos momentos, como no gol do PSG na Liga dos Campeões mostrado abaixo. Ele não reage adequadamente ao rebote de Achraf Hakimi, o que permite que Khvicha Kvaratskhelia volte a colocar os parisienses na frente com facilidade.

    Caio HenriqueZiggo SportCaio HenriqueZiggo Sport


  • FBL-EUR-C1-MONACO-JUVENTUSAFP

    Conclusão

    Henrique é um jogador com qualidades específicas: um excelente cruzamento, boa técnica de chute e uma enorme vontade de avançar. Ele pode ser decisivo na fase final da construção de jogadas e possui o repertório técnico para atuar também no eixo do campo, embora não esteja acostumado a jogar em posições mais avançadas.

    No entanto, Henrique, como qualquer jogador, tem pontos fracos. Para um lateral-ala moderno, falta-lhe a velocidade necessária, ele nunca jogou como lateral “invertido” e não é um verdadeiro recuperador de bola nem um zagueiro durão, algo que tem faltado ao Ajax nos últimos anos.

    A questão, portanto, é se ele é a solução ideal ou simplesmente a melhor opção disponível. O fato é que, com ele, o Ajax contrata um lateral experiente e tecnicamente habilidoso, que, pelo menos, coloca um curativo nesse problema que tem dado dor de cabeça. Se isso será suficiente para fazer a diferença também em partidas decisivas, só a próxima temporada poderá dizer.